Zeca do PT reafirma em Dourados que candidatura é irreversível
'Se Puccinelli é honesto, como tanto prega, deveria autorizar o STJ investigar as denúncias de forma transparente', disse o ex-governador
Eleições 2010 – 20/11/2009
Convicto em suas palavras, o ex-governador de Mato Grosso do Sul, Zeca do PT, garante que é irreversível a decisão de disputar a eleição de 2010 contra André Puccinelli. Mesmo contrariando a cúpula nacional que quer ver Puccinelli fazendo palanque para Dilma Rousseff no ano que vêm, Zeca arremata que para a sobrevivência do seu partido é necessário que seu nome esteja a disposição nas eleições.
Ele desconsidera as declarações feitas pelo vice-governador Murilo Zauith, que nesta semana falou à imprensa que ocorrerá um motim após as eleições internas do PT, que será realizada no domingo. Na quarta-feira à noite lideranças petistas se reuniram no escritório do senador Delcídio do Amaral (PT), em Campo Grande, para tratar sobre o suposto grupo que teria pretenções de desestimular a participação dos filiados nas eleições e enfraquecer a candidatura de Zeca.
Durante coletiva em Dourados na tarde de ontem, Zeca do PT garantiu que não existe nenhum grupo petista com intenção de enfraquecer o partido. Ele espera que dos 45 mil filiados do PT, 10 mil vão as urnas no próximo domingo, quantidade necessária para que o resultado das eleições sejam reconhecidas. Zeca estava acompanhado do presidente do PT em Dourados, Natal Ortega, e do vereador Dirceu Longhi.
Para garantir a eleição no domingo, Zeca e a cúpula petista está fazendo jantares por todo o estado. O objetivo é arrecadar fundos para quitar a anuidade em atraso dos filiados, que chega a R$ 150 mil. Várias cidades já promoveram o evento, e segundo Zeca, o partido já tem em caixa R$ 173 mil. Ontem foi a vez de Dourados promover o jantar. A festa foi realizada no salão de eventos Maria Júlia. A única cidade que ainda não promoveu o jantar é Corumbá, cuja festa será hoje. Cada militante paga R$ 15 por ano ao partido.
Para as eleições de 2010 Zeca do PT diz que não teme a máquina do governo. Sua campanha, segundo ele, será feita com recursos do próprio partido, sem dependência de padrinho político, a exemplo do presidente Lula. “Não dependo de ninguém para enfrentar o André. Se cheguei até aqui é porque o partido precisa de mim. Não tenho intimidade com Lula e nem com o presidente do partido, o José Jenoíno. Por isso, digo uma coisa: enfrentarei o atual governador através de debates, de propostas, bem como da comparação da administração de quando fui governador”, declarou.
Na coletiva ele disparou contra André alegando que boa parte dos recursos aplicados em projetos sociais e de infraestrutura no estado foram bancadas pelo governo federal. Para bancar sua campanha, bem como dos colegas que vão disputar o cargo de deputado, disse que o PT irá promover grandes festas em fevereiro, abril e junho de 2010, período em que são realizadas as convenções partidárias. O ex-governador espera arrecadar entre R$ 3 a R$ 4 milhões.
FUTURO Zeca do PT falou ainda sobre o processo movido contra o governador André Puccinelli que tramita em segredo no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A Assembleia recebeu um pedido do Tribunal para processar o governador, mas o líder do governo, o deputado Youssif Domingos, já adiantou que a Casa não deverá autorizar que isso aconteça.
“Se Puccinelli é honesto, como tanto prega, deveria autorizar o STJ investigar todas as denúncias de forma transparente”, disse Zeca do PT. Segundo informações extra-oficiais, a ação seria resultado de suspeita de irregularidades em licitaçõesexecutadas quando André era prefeito de Campo Grande.
Questionado sobre os processos que tramitam contra o próprio Zeca do PT, ele disse que em todas as ações movidas pelo Ministério Público Estadual “foi vítima de acusações”.
ACERTO Zeca falou aos jornalistas que pretende estabelecer maior diálogo com a militância do PT. Ele disse que errou quando foi governador de não montar em seu gabinete, em Campo Grande, um canal de diálogo com as executivas municipais e movimentos sociais, considerados por ele como “o oxigênio de uma administração política”.
O ex-governador aposta no estilo “general” de André Puccinelli para se dar bem na eleição do ano que vem. “O André é uma pessoa que acha ser o dono da verdade. Não é bem assim. É notável perceber que a população está descontente com tudo isso”, finaliza Zeca do PT.
Fonte: Dourados



