Academia de Letras do Brasil Seccional Dourados: ‘Um portal de mensagens positivas’

AAcademia de Letras do Brasil – Seccional Dourados realizou no último dia 09 a posse dos membros fundadores, em sessão especial realizada na Câmara Municipal de Dourados. (Leia aqui)
Presentes 21 acadêmica(o)s, autoridades e convidados, entre familiares e amigos. Falou em nome dos membros empossados, o Acadêmico Erminio Guedes, ocupante da cadeira número 6. Fez uma fala consistente, homenageando as mulheres e destacando o papel da cultura, através da literatura e suas expressões, na construção de uma sociedade ética, fraterna e feliz.
O Orador qualificou o discurso, em sensibilidade poética e em saberes universais que simbolizam o desenvolvimento humano e comunitário.
Eis a íntegra do discurso:
“Prezadas confreiras e prezados confrades!
Autoridades e Convidados!
Senhoras e Senhores!
Boa Noite!
Muito me honra falar em nossos nomes, Queridas acadêmicas e queridos acadêmicos, neste ato de posse da Academia de Letras do Brasil – Seccional Dourados.
Saúdo a mesa de autoridades, as convidadas e os convidados, que nos prestigiam nesta noite especial.
Em nome ……………cumprimento ………
Em nome …………… cumprimento …………….
Em nome das Acadêmica e dos Acadêmicos, saúdo as presenças de familiares e amigos que prestigiam este ato.
Agradecemos a cobertura e a presença da imprensa neste acontecimento.
Primeiro cumprimento as mulheres, pela data de ontem. Para homenageá-las, chamo Rosa Luxemburgo, ícone do humanismo feminista. Disse ela: “Por um mundo onde sejamos iguais, humanamente deferentes e totalmente livres”. Parabéns!!!!
Colegas, acadêmicas e acadêmicos!
Quis o destino nos reservar a arte de pensar – refletir e sonhar – ler, falar e escrever – rir e chorar – cantar e encantar – assim, na sutileza de quem pega uma pluma no ar.
Desígnio desafiam nossas limitações, na arte da literatura – nas letras do livro e da música – da poesia, teatro e dança – do verso e da proza, dentre outras criações artísticas e culturais, não menos importantes.
Peço que minha memória seja virtuosa em sensibilidade poética, como sentia o teu patrono, Colega Denise – Manoel de Barros ao dizer: – “Quando as aves falam com as pedras e as rãs com as águas – é de poesia que estão falando”.
– Oxalá, a Arte possa restaurar a solidariedade e a fraternidade, na sociedade sustentável que queremos, democrática, ética, humana, livre, ecológica e sem nenhum tipo de discriminação, onde as oportunidades possam ser vividas por toda(o)s e em todos os lugares do tempo.
Também, que irrigue raízes ancestrais, de onde viemos e para onde iremos, sem levar nada, além do que fazemos. Por isso, olhar pela janela da esperança o horizonte da finitude humana.
– Mas, cuidado! “Há quem passe por um bosque e só veja lenha para a fogueira”. Alertou Leon Tolstói.
Colegas!
Queremos ser universais. Sim. Cantar, contar e encantar a nossa aldeia, como incumbência à superação da “sociedade de conflito”, que vivemos. Sim. Universais pela arte da palavra, na comunicação e na linguagem, escrita ou falada, não importa a forma, mas o fim da sociedade ética, fraterna e feliz.
Assim, o profundo sentimento por Dourados, pela terra vermelha, berço guarani e da erva mate, na emoção de contar, cantar e encantar, como a seriema ao alvorecer
A terra guaicuru, perdeu perfumes, mas ainda exala o cheiro da terra molhada, o bailado estonteante do beija flor e mais, emoção a quem sente a majestade do Ipê florido.
Não tem a água limpa que vinha da mata e do cerrado, mas guarda encantos e desafios, por mais alegrias, em especial, nos confinamentos indígenas e nas periferias urbanas.
Devemos falar do amor que temos pela terra de Emanoel Marinho, Paulo Rigoti, Marçal de Souza Tupã-I e tantas outras marcas da história Douradense.
Nesta reflexão, me permitam dizer:
– Me inspira a Encíclica AUDATO SI’, 2015, do Papa Francisco, ao pedir cuidados à “morada comum” porque ela está cada vez mais desumana e sofrida.
– Erico Veríssimo, me chama a atenção em Solo de Clarineta, 1976: “O menos que um escritor pode fazer, numa época de injustiças e atrocidades, como a nossa, é acender a sua lâmpada, fazer luz sobre a realidade de seu mundo, evitando que sobre ele caia a escuridão propícia aos ladrões, aos assassinos e aos tiranos”.
– Me entusiasma a fala de Greta Thunberg, cobrando os líderes mundiais, na Cúpula do Clima – “Vocês roubaram os meus sonhos e a minha infância com vossas palavras vazias”. “Mas os jovens já começaram a entender essa traição”.
Prezadas famílias acadêmicas!
Parabéns, por este momento grandioso, em família e amizades!
Os convido, ao paradoxo do século! A nossa vida pertence ao mundo cibernético. Em poucos anos a humanidade irá caminhar em marte e construir estações na lua. Em breve a engenharia genética poderá trocar a chave, em profundas modificações da vida.
Mas, falta a revolução das revoluções – A revolução do conhecimento ambiental. Estamos destruindo a natureza e a nós mesmos, como parte dela.
Pergunto:
– Será que a tecnologia não poderia fazer melhor à humanidade, a cada dia mais egoísta, violenta e sofrida?
– Será que o armistício não pode ser substituído, numa sociedade um pouco melhor?
– Estaria o saber a serviço de uma sociedade materialista, na acumulação e na exclusão social?
– Torço pela nossa capacidade de mergulhar por inteiro, até o infinito, para superarmos a “sociedade de conflitos” que vivemos.
– Peço que a nossa sabedoria seja tomada por raios insurgentes para ajudar a melhorar a nossa comunidade, na plena cidadania.
Autoridades presentes!
Senhoras e senhores!
Motivações simples, mas sensatas, mesmo que inaparentes, como a nascente que nunca seca e, mesmo submersa na enchente, continua liberando água limpa, para limpar a sujeira humana e purificar a natureza.
Uma loucura! A mais cruel das expressões humanas! Sádicos “Senhores da Guerra!”. E sofridas “Crianças da Guerra!”
Infeliz, nossos modelos reproduzem a lógica da guerra – fortes mais fortes, para sacrificar os mais fracos.
Lá, um conflito antigo que, talvez, nunca acabe. Aqui, a natureza revoltada, agora no limite, contra seus algozes.
O homem parece com a cabeça na pré-história e os pés no mundo cibernético criativo, alimentando neuroses de agressões à morada comum, à qual pertence e não respeita.
A propósito, escreveu sabiamente Alvin Toffler – “Os analfabetos do Século 21 não serão os que não sabem ler e escrever, mas aqueles que não sabem aprender, desaprender e reaprender”.
O homem precisa mudar! Para arrumar a mais antiga e mal resolvida relação, Homem – Natureza. Sem isso, fica difícil alcançarmos a sociedade sustentável, que queremos.
Entendo que corrigir sequelas da destruição e da desigualdade é o encaminho do desenvolvimento sustentável. Como disse Ismail Serageldin, do Banco Mundial, “A fome é um holocausto silencioso”.
Colegas, acadêmicas e acadêmicos!
Parabéns, pelas escolhas de patronos e patronesses! Figuras magnificas e representativas. Particularmente, o saudoso amigo Cardoso, que bem encantou o universo.
– Peço que a prudência esteja conosco em sabedoria inteiramente concentrada na ânsia consciente de aprender, desaprender, reaprender e ensinar.
Os convido a sentirmos saudades, como sentiu Cazuza – “Essa saudade que sinto de tudo o que ainda não vi”. E seguir a sabedoria de Goethe: “Só é possível ensinar uma criança a amar, amando-a.
Precisamos das sementes, mesmo que dormentes, pois no tempo elas germinam.
Proponho esta confissão de fé!
– Que a nossa Academia de Letras seja um portal de mensagens positivas, numa sinfonia de saberes disponíveis às comunidades.
– Que nossos livros e versos sejam sabedorias das letras e encantem a aldeia.
– Que as nossas frases entrem como um bálsamo perfumado, trazendo amor, alegria, felicidade e realizações aos corações que precisam.
– Que raios insurgentes nos façam andar, na certeza de chegar, mesmo devagar, como poetiza Almir Sater e Renato Teixeira:
É preciso amor pra poder pulsar.
É preciso paz pra poder sorrir.
É preciso a chuva para florir.
Sim. Conhecer as manhas e as manhãs.
Para andar, aprender e ensinar!
Tocando em Frente, mesmo devagar, vamos chegar!
Obrigado!”





