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Violência nas escolas revela falta de limites na educação familiar

Geral – 13/07/2009

O comportamento dos alunos dentro e fora das salas de aula ganhou maior visibilidade com a novela “Caminho das Índias”, onde a autora Glória Perez aborda a temática por meio das atitudes delinquentes de um grupo de alunos liderado pelo personagem Zeca,
interpretado pelo ator Duda Nagle. Cenas de desrespeito aos colegas, professores e arruaças nas imediações e fora da escola fazem parte do contexto do núcleo de produção. A formação dos alunos passa por uma família desestrutura e que, em vários momentos nas cenas da novela, apoia as atitudes do filho Zeca. Trazendo isso para a nossa realidade não é difícil encontrarmos casos que revelam a violência cada vez maior entre alunos de escolas particulares e públicas.
Especialistas na área da Educação apontam a Pedagogia Afetiva como forma de desenvolvimento pleno do ser humano. “Quando falamos em afeto nos referimos aos sentimentos, desejos, valores e emoções humanas em suas mais variadas dimensões”, diz a pedagoga Maria Augusta Sanches Rossini, uma das palestrantes do 8º Congresso Internacional do Mato Grosso do Sul, que será aberto nesta segunda-feira à noite.
Maria Augusta explica que um dos pontos fundamentais da Pedagogia Afetiva é a questão dos limites, tão necessários à convivência humana. Quando existem limites a violência torna-se impotente, insignificante. O ser humano em desenvolvimento codifica o “limite” como um sinal do amor para filhos e alunos. Hoje a relação pais/filhos, professores, alunos está bastante comprometida pela falta de limites. “O Zeca, de ‘Caminho das Índias’, representa muito bem a inversão de valores de algumas famílias”, ressalta.
A base de tudo é o amor, complementa Maria Augusta. Mas é preciso entender que amar é um bem que se exterioriza, se ensina por meio de ações. E não existe ação mais amorosa do que dar limites. Não adianta exteriorizar o amor por meio de frases como: -Eu te amo! Só quem ama realmente se dá ao trabalho de lembrar e cobrar as regras, mostrar os caminhos a seguir (como mostram outros personagens da novela: a psicóloga Aída, Shankar, Sílvia, etc). Não dar limites é negar o amor. Negar o amor é um ato de violência dos mais cruéis a um ser humano em desenvolvimento.
Os meios de comunicação apontam tendências comportamentais significativas. É preciso que pais e professores fiquem alertas com realismo e equilíbrio tamanhas distorções de comportamento. Por exemplo: o pai do Zeca faz questão de tratá-lo como um colega, um amigão. Compartilham segredinhos, são cúmplices em situações onde se apresenta total falta de princípios e valores. Um pai pode ser um “pai amigo”, mas nunca ser, pertencer à turma. Quando o pai entra para a turma ele transforma seu filho num órfão. ”Na verdade o Zeca é um órfão de pai”.
A família e a escola compõem um binômio importantíssimo na construção de uma sociedade mais justa e humana. Educar com consistência é uma questão de opção, de preparo e de conhecimento daqueles que se propõem a exercer a fascinante arte de educar. A violência nas escolas de Mato Grosso do Sul Em Mato Grosso do Sul o Ministério Público Estadual realizou, este ano, um levantamento, onde foram detectados índices alarmantes da violência nas escolas de Mato Grosso do Sul.
O MPE constatou que 80% dos estudantes já desacataram os professores e 70% os alunos; 30% já ameaçaram os professores. A taxa de evasão também preocupa: chega a 40% no período noturno, ficando entre 20% no matutino e 10% no vespertino. O reflexo se mostrou no balanço das audiências realizadas em maio pela Promotoria da Infância e Juventude. Em 120 audiências, compareceram 80 adolescentes envolvidos em assaltos, que estavam fora da escola.
Como forma de tentar entender melhor as causas da violência nas escolas públicas e particulares de Mato Grosso do Sul, o Grupo Permanente de Enfrentamento da Violência nas Escolas decidiu realizar uma pesquisa. O objetivo é ter indicadores e diagnóstico da situação da violência para se definir as políticas públicas para minimizar ou reduzir a criminalidade nos estabelecimentos de ensino. A expectativa é concluir o estudo no segundo semestre deste ano.
Para o coordenador da Escola de Conselhos da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Ângelo Motti, a violência existe em todos os colégios, sendo que a ocorrida nos privados tem menos visibilidade. No próximo dia 31 representantes de 10 entidades ligadas à educação e órgãos públicos devem realizar uma conferência livre sobre segurança pública com os integrantes do Parlamento Jovem, da Assembléia Legislativa.

Fonte: TV Morena

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