Redação –
“Descaso com a saúde pública de Campo Grande”, diz Márcia Moura, moradora da região, após a mãe de 82 anos ficar dias internada na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Coronel Antonino.
A idosa precisou ser encaminhada até a unidade após apresentar um grave problema nos rins, que pioraram no decorrer dos dias, enquanto aguardava vaga hospitalar para a realização de um exame de biópsia renal e hemodiálise. Nesta quarta-feira (8), a idosa conseguiu transferência, após quatro dias internada na UPA.
Durante esses dias, a filha, que acompanhava a mãe, relatou uma situação de completo desespero. “Descaso com a nossa saúde pública. É inacreditável essa situação aqui, tem muitos idosos que estão em estado crítico. Chegamos aqui com a pessoa internada e não tem nem lençol nas macas”, disse a advogada à reportagem.
Assim que chegou com a mãe na unidade, ela já foi alertada por uma enfermeira: não há lençol nas macas. “O acompanhante não pode deixar o paciente sozinho e ir buscar lençol aí para poder ser medicado, tem que ficar deitado em macas sem lençol e se tiver frio sem nenhum cobertor”, relata.
Além disso, o familiar que está com o paciente também não possui nem cadeira para sentar dentro da internação. “Não tem sequer uma cadeira para sentar ao lado da cama e tem que trazer de casa, ou seja, quem não tem uma rede de apoio fica em pé ou senta no chão”.
Infraestrutura precária
O local também não possui ar-condicionado, já que estão todos quebrados, situação que a advogada relata como ‘calor infernal’. “ É um tumulto, os acompanhantes torcendo para alguém ir embora pra poder pelo menos pegar uma cadeira, onde tem que dormir por vários dias sentado”, relatou.
A mulher não culpa as equipes de saúde e alega que os profissionais fazem o que podem. “É um absurdo o descaso da prefeitura com essa UPA. Os médicos e enfermeiras fazem o que podem, mas sem nenhum recurso. Na enfermaria não tem sequer um bebedouro de água; o acompanhante tem que ir lá na entrada da UPA, onde os que estão esperando para serem atendidos pegam água, ou seja, deixar o paciente sozinho e ir buscar água muito longe”.
A reportagem tentou contato com a prefeitura de Campo Grande e aguarda retorno.





