Celso Capovilla questionou ação realizada na rede municipal de Assistência Social e associou de maneira equivocada, sua realização ao posicionamento político da prefeita Lurdes Portugal, também do PL; programa busca qualificar o atendimento público e prevenir a discriminação
Da Redação –
A realização de uma capacitação sobre diversidade, inclusão e cidadania LGBTQIA+ em Caarapó, nesta quarta-feira (14), tornou-se alvo de críticas do vereador Celso Capovilla (PL). O parlamentar questionou a iniciativa e, conforme relato sobre sua manifestação, argumentou que gestores identificados com a direita, como a prefeita Lurdes Portugal, do mesmo partido, não deveriam dar atenção a esse tipo de atividade.
O questionamento, entretanto, envolve uma ação vinculada à política pública estadual de cidadania. Realizada no CRAS Urbano, a capacitação contou com a participação da Secretaria Municipal de Assistência Social, por meio da Coordenadoria de Políticas Públicas para Mulheres, em parceria com a Subsecretaria de Políticas Públicas para a População LGBTQIAPN+ do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul.
A atividade integra o Programa Estadual Cidadania LGBTQIA+, instituído pela Resolução Normativa SEC nº 11, de 25 de junho de 2026. O programa tem como objetivos promover o acesso a direitos, prevenir a LGBTfobia, qualificar profissionais da rede de atendimento e fortalecer a articulação entre os serviços públicos.
A capacitação não é uma iniciativa isolada de Caarapó. Segundo informações sobre a execução estadual do programa, atividades semelhantes já foram realizadas em Dourados, Rio Brilhante, Maracaju, Chapadão do Sul, Batayporã, Nova Andradina, Bonito, Porto Murtinho, Aral Moreira, Ponta Porã, Miranda e Campo Grande. Na capital, a formação também alcançou profissionais da rede de saúde, incluindo unidades básicas, equipes de Saúde da Família e Centros de Atenção Psicossocial (Caps). Outros municípios ainda deverão receber a iniciativa.
O episódio também evidencia uma discussão sobre os limites entre posicionamentos partidários e responsabilidades administrativas. Embora vereadores tenham legitimidade para fiscalizar e questionar políticas públicas, a atuação dos serviços de assistência social deve observar princípios constitucionais como igualdade, impessoalidade e respeito à dignidade humana, independentemente da orientação política de quem ocupa o Executivo.




