Variações genéticas aceleram avanço da Aids
Pesquisa – 20/07/2007
Um estudo internacional descobriu três variantes genéticas que podem fazer com que uma pessoa desenvolva Aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) mais rápido do que outra, uma vez que é contaminada com o HIV — vírus causador da doença. A pesquisa está publicada na versão eletrônica da prestigiada revista científica ‘Science’.
Segundo Javier Martínez-Picado, do Instituto Catalão de Pesquisa e Estudos Avançados, e Josep M. Miró, consultor do Serviço de Doenças Infecciosas e aids do Hospital Clínico-IDIBAPS, é a primeira vez que se identificam variantes genéticas ligadas ao fato de as pessoas desenvolverem com mais ou menos facilidade a doença. Miró esclareceu que esse descobrimento ‘não terá um uso prático amanhã, mas que a curto e médio prazo pode ter grandes aplicações’ já que permitirá conhecer o ‘perfil genético’ do paciente. A descrição desse perfil, algo que segundo Miró será possível em dois ou três anos, permitirá prever a evolução do paciente, saber se o indivíduo desenvolverá a doença, se os anti-retrovirais serão mais ou menos eficazes ou se o paciente pode desenvolver uma toxicidade aos mesmos. O estudo comparou o nível de vírus no sangue dos pacientes no início da doença — durante os dois primeiros anos — e sua situação anos depois, além de estudar o ritmo de degradação imunológica dos doentes durante esses anos. Para levar a cabo a pesquisa foi necessário analisar os casos de pacientes dos quais havia um acompanhamento muito exaustivo e que não tivessem se submetido anteriormente a nenhum tratamento anti-retroviral. Foram estudados no total 486 pacientes, selecionados entre mais de 30 mil candidatos no mundo todo. Os resultados obtidos dessa comparação apontam para duas variantes genéticas relacionadas com o sistema imunológico, que estão localizadas em uma região genética responsável por determinar a resposta imune contra várias doenças infecciosas. Além disso, identificou-se um gene responsável por produzir uma proteína que supostamente participa da multiplicação do vírus. Os pesquisadores explicaram que as análises foram feitas com pessoas da etnia caucasiana e por isso, considerando a importância de seu descobrimento, assinalaram a necessidade de ampliar esse estudo sobre indivíduos de outras etnias.
Fonte: Science



