Edson Moraes –
A maioria das pesquisas de intenção de voto referenda o presidente Lula como a principal liderança do campo democrático no País e, assim, é o maior obstáculo ao avanço das forças reacionárias de extrema direita. Esta é a avaliação é do deputado federal Vander Loubet (PT), presidente regional do partido e pré-candidato a senador. Para ele, a unificação dos setores que lutam pela democracia e não aceitam o bolsonarismo é uma condição fundamental para fazer a defesa das instituições e fortalecer a musculatura da frente democrática que disputará as eleições deste ano.
a unificação dos setores que lutam pela democracia e não aceitam o bolsonarismo é uma condição fundamental
“Não há como sair desta dualidade impositiva, tanto nos embates parlamentares e políticos, como no jogo eleitoral. A sociedade ainda está dividida, em partes quase iguais, entre esquerda e direita, ou entre Lula e o bolsonarismo”, argumenta Loubet. Ele acrescenta que a direita cooptou uma expressiva parcela do Centrão, porém não crê que seja uma situação definitiva. “Temos lideranças importantes nos partidos do Centrão que discordam das pautas e dos métodos da extrema direita, sobretudo da família Bolsonaro e do bloco que segue suas ordens”, comenta.
“Temos lideranças importantes nos partidos do Centrão que discordam das pautas e dos métodos da extrema direita”
Porém, Loubet entende que agora são outras as prioridades. Uma é dialogar com os partidos e as forças dispostas a construir um projeto de Brasil, sem a cartilha de retrocessos advogada pela extrema direita, como o fim da taxação dos superricos, a blindagem para parlamentares que já gozam de imunidade e o fortalecimento das políticas sociais inclusivas e de emergência. “Depois, então, cuidaremos de sair daquele que seria o nosso campo natural de partidos para conversar com as demais forças”, ressalta.
AS FORÇAS – O campo natural mencionado por Vander Loubet já tem uma base institucionalizada eleitoralmente, a Federação Brasil Esperança, reunindo PT, PSdoB e PV. Com tendências para reforçar esta composição, ele destaca o PDT (com entendimentos avançados), PSB, Psol e Rede. Há desafios para formar as alianças em alguns estados. No caso do PSB sul-mato-grossense, por exemplo, a direção local faz parte da bancada de apoio ao governador bolsonarista Eduardo Riedel (PP).
Loubet ressalva que o presidente do PSB-MS, o deputado estadual Paulo Duarte, é amigo de longa data e com quem se entende muito bem. Se Duarte optar pelo palanque da pré- candidatura de Riedel à reeleição, Loubet afirma que respeitará a decisão. “O deputado Paulo Duarte é um grande amigo. Ele foi do PT. Pelo nosso partido, foi secretário e homem-forte do governador Zeca do PT, depois prefeito de Corumbá. Está hoje no PSB, uma legenda do campo progressista, razão pela qual o diretório acredita nesta soma, mas respeitando a decisão do deputado”, diz Loubet.
“O deputado Paulo Duarte é um grande amigo. Ele foi do PT. Pelo nosso partido, foi secretário e homem-forte do governador Zeca do PT”
Segundo Vander Loubet, o êxito do terceiro mandato presidencial é animador para o povo brasileiro, que já vem desenhando nas pesquisas, com vigor, a expectativa de um Lula 4. “Não há como fugir da realidade, a menos que se queira entrar no reino da fantasia. As conquistas do atual governo são muitas e de elevado alcance social e econômico, como bem descreveu o nosso pré-candidato a governador, Fábio Trad. Os números oficiais não mentem, queiram ou não queiuram os contras”, dispara.
INSERÇÃO FORTALECIDA – O deputado e dirigente petista cita, entre outros dados, a inserção “cada vez mais forte” de Lula nos segmentos com maior resistência ao seu nome e ao seu governo, como a classe média. Exemplifica com os dados de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que chegou em 2024 a 3,4% e no ano seguinte, mesmo sob a forte pressão dos juros elevados, ainda atingiu mais de 2,25%.
“Tivemos ainda o reaquecimento das vendas de carros novos, com os melhores resultados desde 2006”, disse, destacando o Programa de Incentivo a Carros Populareslançado por Lula em 2023, primeiro ano do atual mandato. O presidente lançou uma Medida Provisória que ofereceu descontos subsidiados (via créditos tributários) para carros de até R$ 120 mil, alavancando as vendas imediatas.
O Programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação), que Loubet também cita, foi lançado por Lula para substituir o Rota 2030. “Com foco em sustentabilidade, são R$ 19 bilhões em incentivos fiscais até 2028, para aquisição de híbridos e elétricos produzidos no Brasil”, pontuou. As iniciativas não param por aí neste segmento. Lula garantiu ainda outros programas e ações, como a Renovação de Frota de Pesados (incentivos com descontos expressivos para a troca de caminhões e ônibus com mais de 20 anos).
A GARANTIA – Na leitura aprofundada das pesquisas, é muito fácil constatar que a presença de Lula tem solidez no seu território de fidelidade eleitoral, e a partir daí, com os programas e medidas que está adotando, há uma tendência natural de potencializar esta capilaridade, conjectura Loubet. “A recuperação salarial, a retomada do emprego e da renda e a busca de um custo de vida civilizado e acessível em todos os níveis, ratificam a força do presidente junto às faixas assalariadas e setores mais pobres do povo”, salienta.
“Com inteira justiça, o agronegócio é subsidiado por recursos federais, apesar de ser, em grande parte, hostil a Lula e ao PT”
Ao concluir, Vander reporta-se ao que descreveu sobre iniciativas de Lula no setor de veículos, com avanços plenamente perceptíveis pela classe média. “Toda a sociedade brasileira é atendida com um mesmo olhar, um olhar de igualdade”, conceitua. “Além da classe média, o agro, – um compartimento socioeconômico de reconhecida oposição a Lula – também se fortaleceu neste governo:
“Com inteira justiça, o agronegócio é subsidiado por recursos federais, apesar de ser, em grande parte, hostil a Lula e ao PT. Mas isto não faz o presidente governar olhando só para uma bolha. Ele governa os brasileiros e as brasileiras, sem distinção, nem privilégios”, finaliza.


