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Valter Pereira, em campanha pela dignidade

Eleições 2010 – 30/01/2010

Poucos dias atrás, durante evento político em Campo Grande, observando o senador Valter Pereira numa confabulação com o governador André Puccinelli e o ex-governador Wilson Martins, tendo como testemunha a prefeita de Três Lagoas, Simone Tebet, puxei pelo braço o Chamorro, que o assessora em Brasília e perguntei, na lata: qual é o plano B? Consciente do momento político crucial vivido pelo chefe, o jornalista  também foi curto e grosso, mas de uma objetividade sem tamanho: ‘manter a dignidade, preservar a história’.
Ontem à noite, convidado pelo próprio senador para assistir sua preleção aos filiados do PMDB, no auditório da Aced, vendo um vídeo com sua trajetória política, lembrei-me das palavras de Chamorro, chegando à conclusão de que Valter Pereira já alcançou seu objetivo maior nesta empreitada rumo à convenção prévia que escolherá o candidato do partido à uma cadeira no Senado em outubro próximo. Ele continua fazendo história. E com muita dignidade.
Um dos fundadores do PMDB, dos tempos do velho ‘manda brasa’, vereador, deputado estadual remanescente da última turma de Cuiabá, deputado federal por três mandatos, um dos quais como Constituinte, segundo o Departamento Intersindical de Ação Parlamentar (DIAP) dos mais bem avaliados; e senador, na vaga deixada por Ramez Tebet, é, sem dúvida, um dos políticos com um dos mais belos currículos da história do Mato Grosso do Sul. Ganhou notoriedade nos tempos da dupla ‘pau-na-mula’, quando, juntamente com Sérgio Cruz, subia em caixotes de frutas em comícios relâmpagos pelo Estado, baixando sarrafo na ditadura militar e, especialmente, no governador Garcia Neto, entre outras coisas, pelo escândalo que ficou conhecido nacionalmente como ‘oligarcia’.
Agora, de azarão na disputa para o Senado, Valter ‘corre o risco’, não só de ganhar as prévias do PMDB, pela peregrinação que tem feito pelo Estado, como, em consequência disso, entrar na disputa em condições de igualdade com os principais concorrentes, o petista Delcídio do Amaral e o democrata Murilo Zauith.
Se terá o apoio de André Puccinelli, cuja preferência por Waldemir Moka é pública e notória, são outros quinhentos. Talvez por isso ele tenha enfatizado ontem a postura de juiz do governador, por não estar interferindo no processo. Mas nem por isso deixou de, bem ao seu estilo, criticar ‘uma meia dúzia de áulicos’ que, segundo ele, não respeitaram sua história e sua condição de senador, sugerindo que ele fosse ‘pra roça’. ‘Não’, disse, enfaticamente, por isso resolveu entregar seu futuro àqueles que, a exemplo de Ulysses Guimarães, chamou de ‘suas excelências, os militantes peemedebistas’. Esse é o Valter Pereira que eu conheço. E põe dignidade nisso, amigo Chamorro. 

Fonte: www.valfridosilva.com

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