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Valorização familiar essencial na cultura japonesa

Valorização familiar é essencial na cultura japonesa, afirma Jungi Myakawa, presidente da Associação Nipo-Brasileira de Dourados

Entrevista – 16/06/2008

Em comemoração aos 100 anos da imigração dos japonesa a Folha de Dourados falou com exclusividade com Junji Myakawa que está em seu sétimo mandato como presidente da Associação Nipo-Brasileira de Dourados. Temas como política, discriminação, jovens, miscigenação entre outros assuntos que geram polêmicas e que ele explica em detalhes.
O administrador de empresas, casado com Aurora Midori Miyakawa, pai de três filhos, natural do Estado de São Paulo, Junji aos 68 anos agradece a convivência calorosa a todos os douradenses na comemoração deste século de história.
Conforme Miyakawa, os primeiros imigrantes e descendentes chegaram no final da década de 50, em Dourados. Segundo ele, os grupos tinham a intenção de manter as tradições. Aos poucos, a cultura japonesa se integrou aos costumes do Brasil.
 
 
Folha de dourados – Aparentemente a discriminação no Brasil é social. Seria essa razão para que os japoneses e seus descendentes não são discriminados como os negros, que a rigor são bem mais pobres do que os nipônicos?
Junji- Nós já sofremos discriminação em outras épocas, hoje há boa aceitação de nossa cultura no país. Um ato de discriminação que marcou muito a nossa cultura foi durante a Segunda Guerra Mundial, pelo fato do Brasil estar apoiando os paises aliados que eram inimigos do Japão, eu era criança e me lembro disso. Atualmente não existe preconceito, discriminação nenhuma. Somos muito bem aceitos pela comunidade.
 
Folha de dourados – É muito difícil observar um japonês ou descendentes abandonados pelas ruas das cidades brasileiras, mendigando ou se prostituindo. Por quê?
Junji – Isso é explicado assim, antigamente a cultura japonesa era patriarcal, isso implica que todos pertençam a algum ramo da família. A família não só era o ponto de apoio básico, mas também representava um extenso elo, abrangendo os que emigraram e os que ficaram na terra de origem. O patriarca tem que se responsabilizar pela orientação da familia. Isso se desiminou na cultura fazendo com que todo japonês se responsabilize de seus compatriotas. Ele estando fora dos padrões sociais acaba sendo feio para a familia.
 
Folha de Dourados – Historicamente qual é a representatividade política dos japoneses em Dourados?
Junji – Todos os anos nós temos um candidato japonês e isso é muito importante para a Colônia Japonesa ter um representante político. Mas a inserção dos japoneses na política partidária ainda é pequena.
 
 Folha de Dourados – A miscigenação com outros povos parece lenta em relação aos japoneses. Existe uma orientação familiar ou um traço cultural que impede a mistura de raças?
Junji – Quando em um país você tem diferenças culturais é muito difícil a miscigenação. Quando nossos antecedentes aqui chegaram 7% dos que vieram casaram-se com uma pessoa de outra cultura, pois querendo ou não foi um choque cultural muito grande. Hoje 80% dos casamentos são inter-raciais.
 
Folha de Dourados – O senhor tem idéia da quantidade de japoneses de Dourados que trabalham no Japão. Qual a remessa anual de recursos para economia douradense?
Junji –  Japoneses do município tem mais ou menos 1,5 mil trabalhando no Japão. Agora a remessa anual de recursos para a economia nós não sabemos.
 
Folha de Dourados  – O senhor tem idéia da população nipo-brasileira que hoje vive no município de Dourados?
Junji – Nós temos hoje 4,5 mil pessoas da comunidade nipo-brasileira, isso contando com descendentes japoneses casados com não japonês.
 
Folha de Dourados – A cultura japonesa continua interessando aos jovens descendentes. A ocidentalização do Japão não estaria comprometendo a preservação da rica e exótica cultura japonesa?
Junji – Não, isso é um fenômeno natural. A partir do momento que você tem contato com outra cultura você muda sua opinião, você passa a freqüentá-la se for do seu gosto. Existem não descendentes, que não são originários de japoneses que se interessam, que são realmente adeptos a cultura. É como diria os jovens de hoje cada um tem sua tribo.
 
Folha de Dourados- Enquanto membro e presidente da Associação Cultural e Esportiva Nipo-Brasileira de Dourados, como o senhor vislumbra o futuro da cidade.
Junji – A cidade é um centro regional na vida das pessoas, seja na área da economia da saúde, educação e como a população está cada vez mais urbanizada tendo assim um potencial de desenvolvimento pela frente. Acho que Dourados caminha para cada dia ser melhor.
 
Folha de Dourados – Como estamos em período eleitoral o que a colônia japonesa espera do novo prefeito que será eleito em 5 de outubro?
Junji – Nós não acreditamos em milagres. Toda gestão é um processo diferente que visa melhorias. A gente espera que o próximo prefeito tenha a continuidade da idéia de progresso. (Aliny Fernandes)
 

Fonte: Folha de Dourados

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