Desde 1968 - Ano 56

25.4 C
Dourados

Desde 1968 - Ano 57

InícioDouradosValfrido Silva: '2026: Subir ou baixar o sarrafo?'

Valfrido Silva: ‘2026: Subir ou baixar o sarrafo?’

Com entregas, planejamento e aprovação em alta, o desafio não é governar melhor — é não deixar a política ser rebaixada por quem vive do ruído

Valfrido Silva, do Contraponto MS –

Tudo o que o prefeito de Dourados, Marçal Filho, precisa em 2026 é subir mesmo o sarrafo, como bem definiu o jornalista José Henrique Marques, em seu texto de fechamento de ano baseado num bate-papo com o prefeito, na folha de dourados. E não por falta de números, planejamento ou aprovação popular — mas justamente porque, enquanto a gestão é cobrada a elevar o nível, não falta gente disposta a puxar o debate para baixo.

No artigo “Com orçamento e planejamento próprios, desafio de Marçal é ‘subir o sarrafo’ em 2026”, José Henrique parte de um dado objetivo: a pesquisa do Novo Ibrape que aferiu 89,2% de aprovação da administração municipal. O índice, como ele próprio observa, não surpreende quem preserva a honestidade intelectual. É a fotografia de um primeiro ano sem caça às bruxas, com gestão austera, foco no básico e diálogo institucional — da Câmara ao Governo do Estado, passando pela bancada federal.

O problema começa fora do gabinete.

Se Marçal tem agora orçamento próprio, LOA aprovada e planejamento desenhado, o desafio político não estará apenas na execução das políticas públicas, mas na contenção do ruído produzido por aliados que confundem protagonismo com barulho. Gente para “baixar o sarrafo” já tem demais — e curiosamente, não está na oposição formal.

A vereadora Isa Cavala Marcondes virou símbolo dessa lógica do confronto permanente, mais afeita à pirotecnia do que à construção. Ao seu redor orbitam personagens como Cabralzinho da Guarda, sempre pronto para a escaramuça retórica, e até a deputada Lia Nogueira, colega de rádio, hoje às voltas com uma verdadeira metralhadora giratória dirigida àquela que ela não admite, em hipótese alguma, como futura colega de Assembleia a partir de 2027: a própria Cavala.

É nesse ambiente que a advertência de José Henrique ganha densidade política. Subir o sarrafo, em 2026, não será apenas entregar mais obras, melhorar indicadores ou executar um orçamento de R$ 2,1 bilhões — com destaque para Saúde e Educação. Será impor método, foco e hierarquia num cenário em que parte da base prefere o conflito à responsabilidade.

A pesquisa mostrou aprovação. O orçamento dá condições. O planejamento existe. Resta saber se o prefeito conseguirá fazer com que o nível da política acompanhe o nível da gestão. Porque, se depender de alguns aliados, o sarrafo não sobe — rasteja. E 2026 já começou cobrando resposta.

- Publicidade -

ENQUETE

MAIS LIDAS