Divulgação do V COPENECO no Facebook

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade Federal da Grande Dourados (NEAB/UFGD) é parceiro na organização do V Congresso de Pesquisadores/as Negros/as da Região Centro-Oeste (COPENECO) e convida a comunidade de pesquisadores, profissionais da educação básica e ativistas do movimento social para participarem da programação, que conta com 13 simpósios temáticos, oficinas, minicursos, palestras e apresentações de trabalhos científicos.

O Congresso será de 23 a 26 de novembro, de forma totalmente virtual e é uma realização da Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (ABPN), do Consórcio de Núcleos de Estudos Afro-brasileiros Centro-Oeste (Conneabs) e da Universidade de Brasília (UnB). 

As inscrições são gratuitas para estudantes de ensino médio, graduação e pós-graduação, inclusive se forem apresentar trabalho científico. Para as outras categorias, de acordo com a tabela de inscrições, os valores variam segundo a modalidade e o calendário. Porém, quem deseja enviar resumo e banner para as Seções Temáticas precisa ficar atento ao prazo de submissão, que será encerrado em 15 de novembro. Já quem quiser participar como ouvinte e receber certificado precisa investir somente R$ 15 se for sócio da ABPN e R$ 20 se não for associado.

UFGD NO COPENECO

Na programação do congresso, pesquisadores da UFGD serão palestrantes em três mesas. A professora Claudia Cristina Ferreira Carvalho, que é coordenadora do NEAB/UFGD, docente da Faculdade de Educação (FAED) e doutora em Educação, falará sobre “Feminismos Pós-coloniais”, na mesa sobre “Feminismos Decoloniais: Mulheres Negras”. O professor Alfa Diallo, da Faculdade de Direito e Relações Internacionais (FADIR) e doutor em Direito, falará sobre “A filosofia Africana Ubuntu e os Direitos Humanos Africanos”, na mesa sobre “Antirracismo e Anti-machismo: Desafios à Democracia e aos Direitos Humanos”, que inclusive será mediada pela professora Claudia Carvalho. E o professor Reinaldo dos Santos, docente da FAED, coordenador Centro-Oeste da Área Científica da ABPN e doutor em Ciências Sociais, será palestrante na mesa sobre “Políticas de Ações Afirmativas: caminhos para democracia”.

Além disso, a coordenadora do NEAB/UFGD, Cláudia Carvalho, juntamente com Joelma Rodrigues da Silva (UnB) e Djiby Mane (UnB), estará coordenando a Seção Temática 04, intitulada “Democratizar a Democracia: Feminismos crítico pós-colonial, educação, raça e língua”.

Acesse a programação completa e faça sua inscrição no site do evento em: https://www.copenecentrooeste2021.abpn.org.br/site/capa

ENTREVISTA SOBRE DEMOCRACIA, RACISMO, FEMINISMO E UNIVERSIDADE

Com o tema “Democracia sem pautas antirracistas ou antipatriarcalistas é hipocrisia”, a quinta edição do COPENECO abre espaço para propostas inovadoras e análises desafiadoras sobre o assunto. Para iniciar as reflexões sobre questões tão urgentes e complexas, a coordenadora do NEAB/UFGD, professora Cláudia Carvalho, respondeu as perguntas enviadas pela Assessoria de Comunicação da UFGD sobre a temática do congresso, o mês da consciência negra (“não somos negros apenas no mês de novembro”), e o debate racial dentro e fora da UFGD. Confira:

ACS/UFGD – Sobre o tema desta edição do COPENECO, a senhora pode destacar brevemente a relação entre democracia, racismo, e feminismo? Para termos uma ideia da profundidade do evento?

Cláudia Carvalho – Nós costumamos dizer que a democracia tem sido muito mais um conceito abstrato. O que deveria ser uma representação para todos, de forma igualitária, se percebe que é concretamente algo para poucos, sobretudo na sociedade brasileira, e que essa democracia tem deixado de lado ou de fora dos acessos aos benefícios sociais, culturais, políticos e econômicos uma parcela significativa da população. Dentre essa parcela significativa que nunca foi abraçada democraticamente está a população negra, homens e mulheres negros e negras, e também a população feminina, em especial as mulheres negras. Basta nós observarmos os índices de inclusão no país. Quando você pensa nas políticas públicas de Estado, elas não privilegiam ações, metas, em todas as áreas, que possam garantir a diminuição das desigualdades raciais e de gênero. Basta olharmos, por exemplo, os altos índices de feminicídio no qual as mulheres são vítimas, em especial as mulheres negras, que são as que mais sofrem os efeitos do feminicídio. Basta observarmos as mortes de letalidade policial, sobretudo aquela da insegurança em relação à juventude negra. Os jovens negros em determinadas regiões da periferia das cidades estão muito mais vulneráveis aos excessos da violência, seja ela a violência policial ou os outros tipos de violência. Então a democracia tem sido considerada por nós algo muito mais que exclui do que que inclui. Basta vermos também que a democracia, como um processo de representatividade, ainda possui poucos representantes negros e negras nas estruturas administrativas, nos ministérios, no Congresso Nacional, nos tribunais de justiça, nas universidades, nos espaços de representação, isso significa para nós que são estruturas pautadas no que a gente tem chamado do privilégio da hegemonia branca, em detrimento da inclusão daquilo que foi construído como periférico, como sub-humano, que é a população negra, em especial também as mulheres, mas aqui as mulheres negras de modo particular.

ACS/UFGD –  Além disso, por que é interessante mobilizar os pesquisadores negros em novembro e colaborar para agenda do mês de consciência negra?

Cláudia Carvalho – Quando nós organizamos esse evento, que é o COPENECO, com essa pauta da democracia, nós entendemos que não existe apenas o mês da consciência negra. Nós não somos negros apenas no mês de novembro, nós somos negros e negras o ano todo e o ano todo o racismo não nos deixa esquecer que nós somos negros. Então a mobilização com essa temática (os simpósios, as mesas de discussões, as apresentações artísticas, etc.) implica no reconhecimento da importância que tem a produção do conhecimento, em especial os núcleos de estudos afro-brasileiros, os núcleos correlatos, e, neste contexto, as universidades, para a produção de um outro tipo de conhecimento, um conhecimento que vise romper com essas estruturas e essas relações ainda racistas muito presentes na nossa sociedade.

ACS/UFGD – E observando o contexto da UFGD, qual a importância do debate racial dentro e fora da universidade? 

Cláudia Carvalho – No caso específico da UFGD, há de se destacar que a universidade tem se despontado numa série de ações afirmativas, dentre elas a própria criação do núcleo e as políticas de cotas, mas as políticas de cotas não são a única forma de inclusão. Eu acho que a universidade, em especial a UFGD, precisa reconhecer que nós ainda vivemos em estruturas cuja hegemonia ainda é o privilégio branco e daí quando falamos de privilégio branco não estamos falando apenas de pessoas, mas de todo um sistema em que se privilegia esteticamente, simbolicamente, culturalmente, politicamente, as pessoas brancas em detrimento de mulheres negras e afro-indígenas de modo particular. Então é preciso que os currículos da universidade sejam revistos, que todos os cursos de graduação e pós-graduação compreendam que não é possível falar de democracia ou de um campo progressista, e aí a gente sempre pergunta: progressista para quem?, quando deixa de lado uma série de agentes e atores sociais e políticos, em especial a população negra. Então é preciso que a universidade reconheça que existe um racismo estrutural, que ainda precisamos avançar muito na política de entrada de professores e professoras negros e negras no campus, de que técnicos e técnicas negras e negras dentro da universidade precisam ocupar espaços decisórios, espaços de representação de poder, e que as formações internas, as ementas, os cursos, independente de qual seja da área que atua é preciso enfrentar essas estruturas, e o conhecimento com outros temas da leitura e da memória colonial ainda precisa ser desconstruída dentro e fora da universidade.

Jornalismo ACS/UFGD
 

divulgação

Acervo pessoal 

divulgação

Divulgação do V COPENECO no facebook


Comentários do Facebook