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Utilizando as estrelas e remos, indígenas taiwaneses recriam a arriscada jornada marítima da Grande Migração do Pacífico

Um grupo de marinheiros indígenas taiwaneses completou uma busca ousada, enfrentando águas agitadas e usando as estrelas para navegação enquanto remavam uma canoa tradicional de madeira até as Filipinas — em uma jornada que destaca o feito surpreendente da migração humana através do Pacífico.

Acredita-se que os povos indígenas de Taiwan — que hoje representam apenas uma pequena proporção da população da ilha — sejam os ancestrais de muitos dos grupos que passaram a habitar terras que se estendem do Havaí e da Ilha de Páscoa, no Pacífico oriental, até Madagascar, na costa da África oriental.

Eles compartilham ligações genéticas e linguísticas, e as habilidades de navegação de seus antepassados — que viajaram distâncias extraordinárias em embarcações primitivas, encontrando com sucesso seu caminho para pequenas massas de terra — são consideradas uma das grandes migrações da história humana.

Na segunda-feira (15), 60 pessoas do povo Tao da Ilha das Orquídeas de Taiwan partiram em uma viagem de cerca de 178,6 quilômetros, revezando-se para remar contra fortes correntes para alcançar o povo Ivatan na Ilha Batan, localizada no extremo norte das Filipinas, replicando uma jornada que se pensa ter sido feita pela primeira vez há mais de 4.000 anos.

Eles foram recebidos por apresentações de tambores e dança quando chegaram no dia seguinte.

“Este não é apenas um dia significativo para o Oceano Pacífico, mas também um dia de comemoração para o povo austronésio”, disse Maraos, presidente da IPCF (Fundação Cultural dos Povos Indígenas de Taiwan). Maraos, como muitas pessoas do povo Tao, usa apenas um nome.

A jornada tem como objetivo reviver uma rota marítima não utilizada por 300 anos, e que no passado poderia ter sido considerada quase impossível — dada a falta de mapas e as embarcações rudimentares que os antigos navegadores do Canal de Bashi usavam no passado.

Mais de 200 pessoas de seis comunidades tribais participaram da construção da canoa — chamada “Ovayan”, ou “Amizade de Ouro” — usando métodos tradicionais para unir a madeira cortada especialmente, sem a necessidade de pregos.

“Se a superfície for irregular, com pequenas saliências aqui e ali, a resistência do mar será muito maior”, disse Hsieh Chen-Hsiung, um construtor de barcos, em um vídeo promocional. O esforço foi apoiado pelo governo taiwanês.

O povo Tao é um dos menores grupos indígenas de Taiwan, com uma população de apenas 5.120 pessoas, de acordo com as contagens do governo.

E os povos indígenas representam apenas 3% dos 23 milhões de habitantes da Taiwan moderna – uma população agora dominada por descendentes de chineses Han que vieram do continente – mas o papel que desempenharam foi crucial na história da Grande Migração do Pacífico.

“É absolutamente certo” que a jornada começou em Taiwan “talvez 5.000 anos atrás”, disse o Professor Emérito de Arqueologia Peter Bellwood, da ANU (Universidade Nacional Australiana), à CNN Internacional. “Então, espalhou-se para as Filipinas e depois seguiu em frente.”

A partir daí, os grupos se espalharam ainda mais para outros lugares, como a Indonésia e as ilhas do Pacífico, disse ele, acrescentando que existem registros arqueológicos e vestígios de DNA para comprovar isso.

Os grupos austronésios de Taiwan traziam comida para seus barcos durante as expedições, disse ele, incluindo inhame e taro, bem como gado.

“Sem esses animais e plantas, eles não poderiam sobreviver em pequenas ilhas”, disse Bellwood, acrescentando que geralmente havia mulheres a bordo também.

“Eles tinham um conhecimento básico de astronomia, então podiam ver para onde estavam indo, e também podiam registrar talvez de onde tinham vindo e qual era a direção para voltar para casa novamente”, disse ele também.

Taiwan também foi o primeiro ponto rastreável da passagem das muitas línguas austronésias, disse Victoria Chen, professora sênior da Universidade Victoria de Wellington, na Nova Zelândia.

Muitas dessas línguas, disse ela, ainda compartilham palavras semelhantes – como cinco, que é “lima” no idioma Bahasa da Indonésia, “rima” na língua Māori na Nova Zelândia e “ʻelima” no havaiano.

Mas mais variações de línguas austronésias foram identificadas em Taiwan, acompanhadas por estruturas gramaticais mais complexas e vocabulários expansivos, o que forneceu percepções para os linguistas.

“A diversidade de alto nível sugere que Taiwan foi a dispersão original da família”, disse Chen.

Apesar de ser amplamente aceita pelos cientistas, a chamada teoria “Fora de Taiwan” tem sido contestada nos últimos anos por acadêmicos da China continental, que procuram alegar que as origens do povo austronésio foram, em vez disso, no sul da China.

É uma narrativa que Taipé afirma ter o objetivo de fortalecer as reivindicações territoriais de Pequim sobre Taiwan — que ela alega ser sua, apesar de nunca ter controlado.

(Informações R7)

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