Uso inadequado de equipamentos pode causar problemas para saúde
Trabalhadores que evitam Proteção Individual podem desenvolver desde simples infecções até diversos tipos de câncer
Agrotóxico – 09/02/2011
Trabalhadores que evitam Proteção Individual podem desenvolver desde simples infecções até diversos tipos de câncer
Adriano Moretto
O uso inadequado dos chamados Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para quem trabalha no manejo de agrotóxicos nas lavouras da região da Grande Dourados pode causar diversos problemas para a saúde das pessoas.
O trabalhador rural que vive em contato com esses produtos devem estar sempre utilizando os acessórios, que constitui em macacão e luvas impermeáveis, viseira facial, bota de PVC e máscaras respiratórias.
De acordo com o técnico em segurança do trabalho, Carlos Manoel da Silva, os riscos de uma infecções ou até mesmo de um câncer podem aparecer de curto a longo prazo para quem ignora as normas de segurança. “Os riscos são enormes e podem ocorrer a curto prazo, através de uma intoxicação ou a longo prazo, com doenças como um câncer de pele, pulmão ou em outros órgãos do corpo” disse.
Para ele, o material de segurança deve ser tratado de forma correta após o uso, para que não haja nenhum problema através de contaminação com resíduos dos fertilizantes. “Todo esse material deve ser lavado separado de outras roupas, com água e sabão e o uniforme deve ser utilizado no prazo de validade correto designado pela fabricante”.
Em Dourados, desde 1999 existe uma agência do INSS, responsável pelos municípios de Itaporã e Douradina, além dos distritos locais, que conta com 3.625 aposentados ativos, mas o órgão não possui um número exato de quantas pessoas foram aposentadas por invalidez devido ao trabalho com agrotóxico.
O chefe de benefícios da agência no município, Carlos Silveira de Matos, informou que é difícil ter essas informações já que após o processo de aposentadoria do trabalhador não é constatado o motivo pelo qual é concedido o benefício.
Ele disse que o sistema de operação da previdência não separa o tipo da invalidez, nem o diagnóstico apresentado pelo perito, sendo necessário um estudo profundo para conseguir esses dados. “Nós não temos como fazer um levantamento sobre o número de trabalhadores que se aposentam por invalidez através do manejo inadequado de agrotóxicos, já que o processo é feito através de laudos e consta em nosso sistema apenas que a pessoa está invalida para o trabalho”, contou Matos.
Hoje, existem várias maneiras de se evitar o contato com esses produtos. Os equipamentos necessários para os trabalhadores podem ser adquiridos nas empresas que vendem produtos rurais.
O preço do material de segurança completo, sai em média R$ 200, e de acordo com o técnico em segurança Carlos Manoel, o uso correto das EPIs, reduzem em até 90% os riscos de uma contaminação por esses venenos.
Adaptação
Os barracões onde são armazenados os agrotóxicos também devem estar em perfeitas condições e adaptados para dar maior segurança ao trabalhador das lavouras. O local deve possuir exaustor, ventilação, uma espécie de “estrado” de madeira, para que o produto não entre em contato com o chão e canaletas em volta do piso para casos de vazamentos dos fertilizantes com um reservatório para armazenar o restante do líquido.
Além desses itens, é importante também que haja um tambor com pó de serra ou cal, para que os resíduos possam ser recolhidos depois.
Destino Correto
Além da proteção do trabalhador é necessária uma destinação correta para as embalagens de agrotóxicos. Após o uso desses produtos, são necessárias pelo menos três lavagens, apenas com água, na embalagem. O armazenamento também deve ser feito em um local especial, com uma área arejada e longe de animais.
Após o uso, as distribuidoras de agrotóxicos devem recolher essas embalagens e envia-las à um local próprio, para que não haja contato com o meio-ambiente.
Fonte: Folha de Dourados



