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Umas férias para a pescaria

Laquicho – 17/09/2007

Umas férias para a pescaria
Wilson Biasotto ()
Propriedade bem arrumada, tudo sob controle, uma pequena economia para qualquer emergência; a vida corria risonha para a família. Laquicho resolveu fazer um passeio com Melica na cidade. Chegaram sábado à tarde. Os parentes ficaram contentes; no domingo haveria jogo, o que não deixava de ser um grande acontecimento, pois
“Dourados era um povoado, a praça Antonio João, até 39, 40, 41, ali era um campo de futebol, era fechado com arame, a gente ia assistir, era o que tinha pra assistir. O senhor tinha uma namorada, o senhor ia lá encontrar, lá no campo, né? E então as moças iam, os moços iam… todos iam assistir o futebol.”(Crispin Fernandes)
Mas Laquicho não era muito chegado em futebol. Se fosse ao campo, começaria a contar os seus causos e já havia percebido que ali não era o local ideal. Por isso resolveu deixar Melica na cidade com os parentes e seguiu com um companheiro para a beira do rio.
O rio não era largo, mas tinha muita água, muito peixe. Assim que eles chegaram, do outro lado, no mesmo poço, chegaram três outros pescadores. Enquanto o Laquicho e seu companheiro não conseguiam nada, os outros iam só tirando peixe: dourado, jaú, pintado, surubim… uma beleza, aquele mundo de peixe.
Era meia-noite e eles não tinham fisgado um. E os outros lá, cheios de peixe.
Então Laquicho falou pro companheiro: “Você sabe que eu vou roubar peixe daqueles homens?” O outro lhe respondeu: “Não seja louco, larga mão disso… te dão um tiro lá”. “Não, eu vou” – insistiu o Laquicho Naquele tempo tinha muito saco de estopa, daqueles bem grandes. Nosso pescador pegou um saco daqueles, entrou n’água e foi pro fundo. Chegou lá, procurou, procurou e achou uma linha n’água. Foi acompanhando a linhada até chegar no anzol, enganchou o dedo nele e deu uma puxada na volta do anzol… deu outra puxadona… aí puxou de verdade. “É pesado, é peixe de couro, é pesado…” – exclamaram os adversários. Laquicho escutava tudo lá debaixo d’água. E o fogo aceso atrás dos pescadores e eles comentando: “É pesado! É pesado!”
Quando chegou bem pertinho dos afoitos pescadores, Laquicho colocou a cabeça encapuzada pra fora d’água e falou: “Boa noite, moçada!”
Não sobrou um pra saber o final da história.
Então Laquicho encheu o saco de peixe, entrou n’água novamente e saiu do lado do companheiro: “Tá feita a pescada, vamos embora.” (Albino Moraes Sobrinho)
  
(
) Professor universitário e secretário municipal de Governo

Fonte: Folha de Dourados

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