José Tibiriça Martins Ferreira

José Tibiriçá Martins Ferreira, advogado –

O Tribunal de Contas foi criado para fiscalizar as contas do executivo estadual e prefeituras nos estados da federação.

Conheci pessoalmente um ex- presidente do TCE como membro da juventude do PDT, partido que ajudei a organizar em Dourados em 1980/1981. Depois eleito vereador em Miranda-MS, deputado estadual e deputado federal no PSDB trocou o mandato para ser conselheiro no tribunal de contas onde o mandato é vitalício.

99% dos integrantes dessa corte chegaram ali por indicação dos ex governadores, dois deles foram presos, um foi eleito deputado federal, mas se licenciou para ser o secretário de financas do estado.

Somente um deles que compõe a corte, Iran da Costa Neves é de carreira, parece que tem boa postura até que se prove o contrário.

Eu o conheci quando moramos numa república de estudantes em 1973 na antiga rua Paraná, 530 em Campo Grande-MS, douradense como eu que cursava letras com inglês e ele economia.

Um dos conselheiros atuais ali chegou sem formação profissional, apenas com o currículo de deputado estadual que exerceu e como presidente da assembleia legislativa estadual na época a rede globo mostrou uma banca de jogo do bicho funcionando na casa de leis, presidida por ele.

Agora o jornal o Correio do Estado e alguns jornais virtuais publicaram matéria sobre o envolvimento de nomes de seus membros em falcatruas e atos ilícitos.

É aquele ditado antigo em que as raposas sempre atacam os galinheiros, mas esses são mais vorazes.

Algumas figuras que compõem a casa de leis sempre se beneficiaram dos cofres públicos, infelizmente os nobres colegas são corporativistas na indicação e aprovação de integrantes de parceiros para acobertar os erros dos ex-governantes, desde a criação do estado.

São tantos fatos que ali aconteceram que chegamos à conclusão que para chegar à situação atual o gargalo da corrupção extrapolou os limites fazendo que o judiciário intervisse.

Está na hora de rever os critérios de indicação política dos novos integrantes, abrindo concurso público para ingresso no conselho com pessoas de formação profissional e com passado integro. Para isso algum deputado estadual deve propor algum projeto para mudança da lei estadual.

No ano que vem teremos novas eleições para o executivo estadual, assembleia legislativa, câmara federal e senado.
Temos que mudar a cara desses órgãos, não é fácil, está na hora, mas tudo depende da boa escolha do eleitorado em fazer boas escolhas.

O quadro atual é reflexo da vontade popular que em 2018 fez a escolha dos atuais legisladores e do poder executivo.

Já fui candidato a deputado estadual, não tive sucesso, mas bati sempre na tecla da renovação. Temos que mudar o perfil dos nossos representantes, parece difícil, mas não é impossível, já tivemos alguns avanços na última eleição, uns 30% retornaram.
Agora inverteu-se o procedimento, com a intervenção da investigação de membros dessa corte pela policia federal no TCE, órgão criado para proteger o recurso do contribuinte que recolhe com dificuldade o seu tributo.

Acho que seria o momento nessa pandemia de se afastar toda corte, porque a podridão é muito grande e está debaixo do tapete que cobre o piso do poder público estadual.

Acho que esta epidemia que contagiou a corte do nosso estado é um cancro incurável com esses integrantes atuais.
Parabéns pela atuação do judiciário e pela imprensa que vem publicando os fatos que acontecem no sub mundo, diuturnamente.

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