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Um terço do mandato, por Waldir Guerra

Um terço do mandato, por Waldir Guerra

Artigo – 19/04/2010

Nesta semana, feitas as contas, Ari Artuzi completa um terço de seu mandato como prefeito de Dourados, a segunda maior cidade do Estado. Passou da hora de se fazer uma análise dessa administração. Mas dizer o quê se até aqui ninguém viu qualquer prestação de contas por alguém de dentro deste governo? Político eleito para qualquer cargo quer prefeito ou governador, costuma mostrar suas obras realizadas com grande estardalhaço na imprensa até para festejar os primeiros 100 dias de governo. Ao completar um ano, então, é a tal prestação de contas do primeiro ano da nova administração, mas da atual administração municipal que se saiba nada foi mostrado. Talvez seja porque nada havia para mostrar no final do ano passado. Para não ficar em conjecturas, já que não há dados divulgados de obras, ou mesmo, de melhorias em alguns setores desta administração, poderíamos então, compará-la à administração anterior, a do PT, por exemplo. Obrigatoriamente a primeira comparação terá que ser feita na área da Saúde Pública, o setor mais usado na campanha política pelo candidato Ari Artuzi para vencer a eleição. Apesar de a Prefeitura haver recebido 63 milhões de reais em repasses do governo federal no ano de 2009 que somados aos obrigatórios 15% da arrecadação municipal chegariam a um gasto mensal de mais de 12 milhões, fica difícil explicar por que a Saúde Pública em Dourados não está melhor que na administração passada. Por mais que se tenha boa vontade com o novo prefeito, é forçoso reconhecer que se foi instalada uma CPI pela Câmara de Vereadores para apurar irregularidades na área da Saúde é porque, com tanto dinheiro alocado para aquele setor, de duas uma, ou foi mal aplicado, ou foi desviado. A CPI dirá, certamente. No setor do ensino, também sem dados comparativos para citar aqui, se pode dizer que em nada melhorou em comparação com a administração passada. A prova está aí com uma greve dos professores municipais já a meio caminho. E se atentarmos nas reivindicações dos grevistas, o tradicional aumento de salários não é a premissa maior. É a valorização da classe e uma melhor organização o que eles procuram. Na questão obras, coisa que nem precisa de dados, pois sendo obra o objeto é obrigado se fazer presente: se pode dizer que houve um empate com a administração anterior porque nenhuma das duas tem algo de vulto para mostrar. Está aí o cartão postal da cidade, a Praça Antonio João, a demonstrar a incompetência das duas. A administração municipal do PT demoliu o miolo e a atual fechou-a para não mostrar os buracos. Empate também entre as duas últimas administrações na questão de melhorias no trânsito urbano. A administração petista se notabilizou pela instalação desregrada de lombadas de concreto e a atual administração em lombadas eletrônicas. Ambas – as lombadas, claro – são a visão do atraso com que a cidade está mergulhada. Ruas e avenidas sem placas. Semáforos sem sincronização nas principais avenidas. Uma cobrança estúpida para se estacionar nas ruas centrais da cidade, pois a concessionária não presta nenhum serviço útil aos usuários. E o que é pior: ninguém explica pra quem vai o dinheiro arrecadado. Quem sabe o atual prefeito encontre um motivo para vir a público e faça uma prestação de contas, afinal, nesta semana se completa um terço de seu mandato.

 
Waldir Guerra * * Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.

Fonte: Folha de Dourados

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