‘Um presente para Dourados’, por Waldir Guerra
'Um presente para Dourados', por Waldir Guerra
Opinião – 22/04/2009
Waldir Guerra
Se já era difícil conseguir recursos na época da bonança para os municípios, tanto do governo federal como do estadual, mais difícil agora na atual conjuntura econômica e ainda mais com uma crise dessas.
Pois foi o que aconteceu no dia 16 (quinta-feira passada) quando ao encerrar sua palestra na OAB, Ordem dos Advogados do Brasil, o governador André Puccinelli prometeu construir o anel viário norte na cidade de Dourados.
Esse contorno tornou-se uma necessidade premente para a cidade de Dourados uma vez que todos os caminhões – inclusive as pesadas carretas – obrigam-se a entrar na cidade para alcançarem as rodovias federais. Além de tumultuarem o tráfego urbano por causa de seu peso, ainda acabam com o asfalto das ruas.
Promessa de campanha do atual prefeito esse contorno perimetral norte, ou “Anel Viário, já”, como é tratado hoje, desde os primeiros dias dessa administração passou de promessa pessoal do prefeito para uma cobrança ao governador.
Explico. Ao se dar conta dos escassos recursos do município e, por causa disso, a incapacidade de assumir a execução dessa via o prefeito vislumbrou a possibilidade de transferir essa exigência ao governo do Estado. E foi o que fez, inclusive, com uma forte pressão através de adesivos coloridos e chamativos. O governador sentiu-se quase obrigado a assumir a obra porque lançou – e já está executando – a duplicação da rodovia que liga Dourados a Itaporã. Com essa avenida ligando as duas cidades é de se deduzir que o fluxo de caminhões aumentaria mais ainda ocasionando mais problemas para a cidade. Ele, governador, que da coisa política é mais matreiro que o próprio prefeito aproveitou a credibilidade da OAB e prometeu a obra, mas exigiu que o município lhe entregue as áreas desapropriadas.
Se bem conhecemos o governador e sua maneira rápida de agir é melhor o prefeito tratar de desapropriar as áreas depressa, pois poderá ser cobrado publicamente, assim como o governador gosta de fazer em seus discursos. Mais ainda – se deu para entender bem o recado – isso poderá acontecer ainda antes do final deste ano.
Mas como diz o provérbio popular: “em cavalo dado não se olha os dentes” e um presente desses – ainda mais em tempo de crise – não pode ser menosprezado. Pelo contrário precisa ser valorizado e o melhor a ser feito agora é o prefeito se dedicar às desapropriações iniciando-as onde desemboca a pista dupla que vem de Itaporã até a rotatória do Hospital Universitário.
Com a construção e asfaltamento de aproximadamente seis quilômetros – dos vinte totais previstos desse anel viário – grande parte do problema estaria resolvida. Importante lembrar que está sendo asfaltada a rodovia estadual que liga à Laguna do Caarapã e esta serviria para complementar o trecho do anel viário pelo sentido norte/oeste. O trecho maior, mais oneroso, inclusive por exigir pontes e obras de arte e que demandaria para o setor leste ficaria para as calendas gregas – como costumeiramente acontece em todas as administrações públicas. Mas, feito esse primeiro trecho, há que se reconhecer que o prefeito cumpre se não no todo, mas em parte, sua promessa de campanha de entregar um anel viário para desafogar o trânsito pesado no centro da cidade. Para os douradenses pouco importa de quem virá esse tão esperado presente; que venha, pois está sendo esperado há muito tempo.
Cidadão douradense; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.
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Fonte: Folha de Dourados



