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Sidney Gomes – 09/11/2009

   Waldemar Gonçalves – Russo  

    Na semana passada, a reportagem manteve contato casual com o paulista Sidney Gomes, hoje com 84 anos, e embora não admita, constatou-se que este grande ícone do jornalismo douradense, está aos poucos, morrendo em silêncio na cidade.

    Embora também não admita o hoje simples cidadão, que como jornalista fez história por mais de três décadas em Dourados, demonstra que a sua saúde está um pouco debilitada, e que a sua ausência das redações fez com que crescesse ainda mais a sensação de um estado de espírito, de abandono e de desprezo pela história que construiu nas redações.

    Sidney Gomes foi uma pessoa que fez muito pelo jornalismo, e por muitos que hoje são grandes jornalistas ou em outra área profissional, que ainda estão em franca atividades, tanto na cidade, na capital, porque não, em outras cidades do país.

    A história de jornalismo de Sidney Gomes que é natural de Catanduva no interior paulista, onde nasceu em 12 de julho de 1.927, em Dourados, começou em 1.966, quando aportou na cidade como jornalista.

    Com uma identidade profissional datada em 21 de outubro de 1970 que foi emitida em Cuiabá pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social, através da 20ª Delegacia Regional do então Mato Grosso uno, e hoje já amarelada pelo tempo, Sidney Gomes deixou escapar que sente atualmente a saudade do cotidiano das redações por onde passou, todavia, diz que jamais se arrependeu dos atos que praticou como jornalista. “Sempre procurei atuar com isenção em meus atos, quer seja como advogado, delegado de Polícia Civil, como professor de história e principalmente como jornalista. Sempre fui cumpridor das regras” contou.

    Sidney Gomes, dos tempos em que trabalhou com jornalistas, em sua época, profissionais como o atual advogado Ipojucan Ferreira, o jornalista Williams Araújo, o radialista Oscar Ataíde, entre outros, todos sem exceção, com este grande mestre aprenderam alguns dos ensinamentos e coisas boas de redações para seguirem firme e vencerem na profissão.

    UM POUCO DO MESTRE     

    Ao manter contato com a reportagem, Sidney Gomes fez um breve relato de sua caminhada no jornalismo douradense, fato este que chegou a arrancar lágrimas de seus olhos já cansados pelo tempo, pelas doenças que traz consigo, e claro, pela sua avançada idade.

    De 1.966 quando em Dourados chegou, Sidney Gomes encerrou a sua carreira em 2002, quando optou pela aposentadoria forçada, uma vez que segundo deu a entender, as portas das redações se fecharam para ele. “As coisas foram se afunilando para mim e quando acordei, estava sem uma redação para trabalhar”, disse o jornalista.

    Ao encerrar a carreira após 36 anos de redações, Sidney Gomes conta que passou pelo O Progresso, Folha de Dourados, inclusive, quando Theodorico Luis Viegas foi preso, ele assumiu o comando do jornal, por 12 anos trabalhou com Jorge Antônio Salomão, na Rádio Clube, posteriormente trabalhou com o O Jornal do então deputado Estadual Walter Carneiro, mais antes, esteve também no Panorama, do também hoje ex-deputado Estadual Roberto Razuk, e teve uma rápida passagem pelo jornal do falecido deputado Federal Ivo Cersózimo, que era a A Tribuna e por fim, atuou como chefe de redação da Gazeta Popular, do já falecido Dorival Sézar Quintana. “Trabalhei com essas feras da comunicação foi muito bom. Aprendi muito com eles e eles comigo”, disse Sidney Gomes se lembrando de Vlademiro do Amaral, Theodorico Viegas, Jorge Antônio Salomão, Roberto Razuk e os demais patrões que serviu ao longo de sua caminhada como jornalista e cronista na imprensa douradense. 

    Na Câmara Municipal de Dourados, o jornalista foi admitido em 1º  de maio de 1.969 e naquele ano assumiu a função de diretor geral da Casa de Lei na gestão do então presidente Moacir Djalma Barros. “Naquela época ser vereador era realmente ser defensor dos interesses coletivos do povo. A classe política era muito diferente dos dias de hoje”, opinou o jornalista, acrescentando dizendo que espera que a nova safra de jornalistas que estão ai e outros que com certeza chegarão, façam com que a imprensa douradense seja forte e mais ética possível, para que a cidade não sofra injustiças ou outros tipos de mazelas que possa deixá-la em estado de degradação social e moral. “O jornalismo é lindo, é maravilhoso. Mexe com o sentimento da gente e das pessoas que dele sobrevivem. Fazer jornalismo é fazer com que a cidadania, o livre arbitre e a democracia seja respeitada, e que os direitos de cada um sejam devidamente dados a quem faça por merecer”, finalizou o hoje aposentado Sidney Gomes, que embora não admita, sabe que como jornalista histórico que foi na cidade, está aos poucos morrendo em silêncio, longe inclusive de pessoas na qual com muito carinho e respeito, as ensinou o caminho da profissão que por muitos anos honrou. O jornalista atualmente reside com a família em uma casa que fica localizada à rua Monte Alegre, 3.080, centro

      

Fonte: Folha de Dourados

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