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Um gesto exemplar

Artigo – 08/08/2007

Ser tricampeão mundial de F-1 não isenta ninguém de cumprir as regras quando pilota nas vias urbanas. Já fora das pistas, há mais de 10 anos, mantendo o hábito de pisar fundo no acelerador, hoje, próspero empresário, morando em Brasília, famoso no mundo inteiro, Nelson Piquet foi tratado como qualquer cidadão comum, ao começar a freqüentar um Curso de Reciclagem para Condutores, na 906 Sul, porque teve sua Carteira Nacional de Habilitação suspensa por ter ultrapassado a marca dos 20 pontos, determinada pela legislação de trânsito. E ultrapassou muito a marca, chegando aos 29 pontos, por cometer infrações por excesso de velocidade e estacionar em locais proibidos.Antes mesmo de vigorar a nova legislação, Piquet, que gosta de se locomover em alta velocidade, se deslocando em Brasília de helicóptero, ou em jatinho, que ele próprio pilota, quando viaja, durante muito tempo usou um fusquinha, de estimação, da época em que era mecânico. Chamava atenção a velocidade do carro. Só depois de muito tempo soube-se que ele tinha substituído o motor do Volkswagen por um de Porsche, todo turbinado. Ou seja, homenageou o fusca com um upper grade mecânico, gesto que faz bem o seu estilo, que só os amigos mais íntimos conhecem.Continuou pisando fundo e, por isso terá, desde a segunda-feira, acompanhado da mulher, Viviane, que freqüentar 30 horas de aula, cada uma com a duração de três horas e meia, incluindo noções sobre legislação de trânsito, primeiros socorros e direção defensiva, além de pagar uma taxa de R$ 38. Impedidos de dirigir, Piquet e Viviane são levados para a Asa Sul por um motorista particular. Surpreendentemente famoso também por seu mau humor, mesmo diante da tietagem dos seus colegas de aulas, estava descontraído e chegou até a atender alguns pedidos de autógrafos de alguns fãs que não resistiram à aproximação inesperada, e na mesma condição de um tricampeão.Pontuais, no primeiro dia de aula, os dois chegaram às 14h30, e como alunos disciplinados prestaram bem atenção a tudo o que o professor falava sobre direção defensiva, legislação de trânsito, relacionamento interpessoal e cidadania no trânsito. Também sempre arredio aos jornalistas, mais uma vez, Nelson Piquet surpreendeu ao se demonstrar receptivo diante dos repórteres que foram vê-lo, ao final do primeiro dia na escola de trânsito, revelando que havia ficado impressionado com os vídeos mostrando os acidentes causados por imprudência, principalmente excesso de velocidade e consumo de bebida alcoólica. Também deu um exemplo de civilismo, ao admitir o erro que cometera: “Estou aqui como um cidadão comum, que quer pagar pelos erros cometidos”.Foi até mais adiante, afirmando que os motoristas devem mesmo pagar pelos seus atos, elogiando a reeducação através do curso de reciclagem. A explicação para chegar a 29 pontos de infrações é que não são exclusivamente de multas por alta velocidade, mas, também, por estacionar em lugares onde não é permitido, principalmente no aeroporto. Até fez outra ressalva: “Estão computadas as infrações cometidas por mim e pelo o meu filho, Nelsinho”.Nelson Piquet, no começo do ano, apareceu no vídeo, para aconselhar os motoristas brasilienses a não dirigir alcoolizados, em uma campanha educativa do Detran, retirada do ar depois que teve sua carteira suspensa. Ele e Viviane souberam da punição através de uma correspondência enviada pelo órgão, por via postal, e imediatamente procuraram o diretor, Délio Cardoso, que lhes orientou a freqüentar um curso de reciclagem. A reação foi natural, mas surpreendeu Délio, como revelou à imprensa: “Ele poderia recorrer à Justiça, ou usar carteira internacional de motorista. No entanto, aceitou de pronto participar das aulas”.Com esse exemplo, a campanha educativa do Detran, agora, mais do que nunca, deve recorrer a Nelson Piquet, como imagina o diretor do órgão: “Podemos mostrar agora que, mesmo cometendo abusos, Nelson Piquet foi capaz de reconhecer os erros e se dispôs a fazer o curso de reciclagem. Isso pode servir como incentivo para os mais de 13 mil motoristas que estão na mesma situação”.Um exemplo, sem dúvida nenhuma, convincente.

Fonte: Brasiliaemdia

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