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Turistas inglesas são condenadas a prestar serviços comunitários

geral – 19/08/2009

As inglesas Shanti Andrews e Rebecca Turner, de 23 anos, foram condenadas nesta quarta-feira a um ano e quatro meses de reclusão e mais um mês de detenção pelos crimes de falsidade ideológica, falsa comunicação de crime e tentativa de estelionato. A pena, no entanto, foi convertida à prestação de serviços comunitários. Elas ainda podem recorrer da sentença. O juiz Flávio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal, determinou ainda a aplicação de uma multa no valor de dois salários mínimos por dia durante 13 dias, o equivalente a R$ 12.090. Segundo o juiz, uma hora de prestação de serviço comunitário equivale a um dia de detenção. Com isso, elas poderiam concentrar o trabalho sete horas por dia, durante quatro dias na semana, por exemplo. Assim, segundo o juiz, a pena seria reduzida para oito meses e meio, tempo em que elas deverão permanecer no Brasil. O juiz explicou ainda que, por a pena ser superior a um ano, elas têm obrigação de cumprir pelo menos metade do tempo da sentença. Prazo para recorrer Os advogados de defesa terão um prazo de cinco dias para recorrer da decisão, a partir desta quinta. O advogado Renato Tonini afirmou que analisará a sentença, mas disse que considerou “péssima a ideia da condenação”. Em audiência realizada na última segunda-feira, as inglesas admitiram em depoimento que tentaram aplicar o golpe da bagagem (forjar o roubo de pertences para receber dinheiro da seguradora). Rebecca Turner contou que ela e sua amiga foram roubadas na viagem de ônibus entre Foz do Iguaçu (PR) e o Rio, em 17 de julho, mas que, ao prestar queixa na delegacia, acrescentou itens que não tinham sido furtados. Ela confirmou ao juiz que o objetivo era aumentar a indenização do seguro. Mudança de data Rebecca disse ainda que, apesar de o furto ter ocorrido em 13 de julho, elas afirmaram na delegacia que o roubo tinha ocorrido no dia 25, para que parecesse mais verossímil. Segundo ela, a seguradora poderia indagar o motivo delas não terem feito o registro antes. As duas são formadas em Direito e passaram nove meses viajando pelo mundo. Shanti admitiu primeiro A inglesa Shanti Andrews também tinha admitido em seu depoimento que planejava receber dinheiro do seguro ao declarar como roubados itens que não tinham sido furtados. Na audiência, Shanti afirmou que ela e Rebecca tiveram objetos furtados durante a viagem de Foz do Iguaçu (PR) para o Rio, como um laptop. No entanto, ela ressaltou que, ao fazer o registro de ocorrência, acrescentou itens que não haviam sido roubados. Entre os objetos estavam uma bolsa, um celular e uma câmera digital. Ainda segundo Shanti, a ideia do golpe partiu das duas, após conversarem com outros “mochileiros” durante suas viagens pelo mundo. Nervosismo ao deporRebecca foi retirada da sala no momento do depoimento da amiga. Muito nervosa, após ser ouvida pelo juiz, Shanti deixou a sala de audiências chorando e foi amparada pelo pai. As duas chegaram ao Rio, vindas de Foz do Iguaçu, no dia 13 de julho. No mesmo dia, elas embarcaram de avião para Salvador (BA). De acordo com os depoimentos, elas voltaram para o Rio no dia 22 de julho, e só fizeram o registro do roubo no dia 26 do mesmo mês. Além das inglesas, quatro testemunhas foram ouvidas, incluindo dois policiais da Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (Deat) e o funcionário do albergue onde as inglesas estavam hospedadas. O primeiro a ser ouvido foi o policial Alexandre Chaves, que estava na delegacia no momento da ocorrência. Ele disse que desconfiou das duas porque elas estavam muito calmas enquanto faziam a ocorrência do suposto crime e achou que a história estava mal contada. Policial ligou para albergue Desconfiado, o policial telefonou para o albergue – enquanto ainda fazia a ocorrência – e pediu que um funcionário verificasse se algum dos objetos supostamente roubados estava no quarto delas. De acordo com o policial, o funcionário teria dito que, apesar de as gavetas estarem fechadas, conseguiu ver pela fresta do móvel uma bolsa branca, que havia sido declarada como roubada pelas duas. O policial então seguiu com elas para o albergue, para que fosse feita uma revista no local. As duas então abriram suas gavetas – que estavam fechadas com cadeados – e ali foram encontrados não só a mochila, como um iPod Touch, um celular e uma câmera digital, que elas haviam declarado como roubados. As duas retornaram então à delegacia e acabaram presas em flagrante. Funcionário prestou depoimento Marcos Vinícius Ribeiro, funcionário que estava no albergue no momento da vistoria policial, confirmou as informações. Segundo ele, quando os policiais encontraram os objetos, elas disseram que haviam cometido um engano. Em seu depoimento, Shanti acabou admitindo que na viagem de ônibus foram roubados apenas o laptop, uma câmera digital e uma pequena quantia em dinheiro.

Fonte: Zero Hora G1

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