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TRE justiça Ari Artuzi e ‘condena’ André Puccinelli

Editorial – 14/04/2008

A decisão do presidente do TRE/MS, desembargador Oswaldo Rodrigues de Melo, de inocentar o deputado estadual Ari Artuzi (PDT) da acusação de infidelidade partidária requerida pelo ex-partido do parlamentar douradense foi extremamente justa e digna, além de afastar as dúvidas que pairavam de que o julgamento seria político e desamparado do rigor da legislação eleitoral. O desembargador entendeu que houve grave discriminação pessoal e perseguição política contra Artuzi, o que justificaria a desfiliação do PMDB. 
Se por um lado, o voto de minerva do presidente do TRE, depois que a parada estava empatada em 3 a 3, absolveu Artuzi, “condenou” por outro, a postura arrogante que vem sendo adotada pelo governador André Puccinelli desde o início de seu mandato, embora contra ele haja antecedentes quando prefeito de Campo Grande.
Mesmo que seja condenável o procedimento político assistencialista e superficial quantos aos problemas públicos, Artuzi merece respeito pelos 36.900 votos que o elegeu deputado estadual. O eleitor fez dele um campeão de votos certamente por ter o perfil do povo, do homem sofrido, caminhoneiro, pai de família de pouco estudo, mas com extrema empatia com o eleitorado. Desrespeitá-lo é, no mínimo, subestimar quem o elegeu.
Em Dourados, pelo menos, quase a totalidade das pessoas sabe que Artuzi foi humilhado publicamente por Puccinelli. O governador chegou a argumentar que não existia maldade em suas declarações, apenas “bom humor”. Mas, ainda assim, tratava-se de “brincadeiras” chulas de extremo mau gosto.
A verdade é que desde que assumiu o governo do Estado, Puccinelli adota uma postura onipotente que vem colocando o Mato Grosso do Sul em situação vexatória. Ficou muito ruim para o povo sul-mato-grossense a fala em que ordenou a polícia a atirar em presos para matar. Repercutiu na imprensa nacional e internacional. Ao invés de se penitenciar, repetiu a bravata.
A birra do governador com Artuzi começou quando o franco favorito à Prefeitura de Dourados estranhou e protestou contra a entrada no PMDB do deputado federal Geraldo Resende, que também postula o lugar do prefeito Laerte Tetila. Artuzi tinha razão em ficar com a pulga atrás da orelha. Ele não é um intelectual ou possui curso superior como o médico Puccinelli, mas não é trouxa. Como ousou questionar o governador foi tratorado antidemocraticamente. 
Mas o tiro saiu pela culatra. Sentenciou Oswaldo Melo: “As chacotas e piadas ocorridas durante as diversas expressões já anotadas, as quais foram produzidas por um membro de elevado escalão na estrutura interna do PMDB, bem como a adoção festiva de um deputado federal nos quadros do partido, a partir do que se alterou a relação política do requerido (Artuzi) com o comando partidário e filiados, não há dúvida de que, sendo homem simples ou não, deixou de existir uma referência associativa que justificasse a permanência do requerido no PMDB”.
E quis o destino que depois de uma enxurrada de impropérios oficiais, o MS passasse para história como o Estado a ter o mais prolongado e polêmico julgamento de infidelidade partidária do país, fato que gerou muitas dúvidas sobre a lisura do processo. Felizmente, o desenrolar mostrou que mesmo tardia, a justiça foi feita, pelo menos neste caso.

Fonte: Folha de Dourados

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