Tráfico usa arma desviada de Exércitos estrangeiros
Contrabando – 18/09/2007
Armas de grosso calibre -como fuzis 762, lança-foguetes e metralhadoras ponto 30 e ponto 50- que abastecem os paióis do crime organizado no Brasil são desviados de órgãos de segurança de Paraguai, Argentina, Uruguai e Bolívia, aponta investigação da Polícia Federal.
A Divisão de Repressão ao Tráfico Ilícito de Armas calcula que já representem 20% das armas de grande porte apreendidas. Só do Exército boliviano, foram apreendidas, entre abril de 2005 e julho de 2007, nove armas antiaéreas com o brasão oficial estampado.
O desvio de armas pesadas de Exércitos dos países vizinhos começou a vir à tona por meio de investigações, escutas telefônicas e prisões realizadas por policiais civis e federais do Brasil, em 2005, no Rio Grande do Sul. A participação de militares estrangeiros no tráfico internacional de armas para o Brasil foi constatada em depoimentos de policiais federais, civis e testemunhas, investigações, relatórios e monitoramento telefônico realizados pela PF e que conta atualmente com a colaboração de autoridades dos países envolvidos.
Há três dias, um grupo de militares da Força Aérea Uruguaia, entre eles um tenente e um cabo, foi preso acusado de desviar 11 fuzis FAL, calibre 7,62, duas submetralhadoras calibre 9 mm, nove carregadores de FAL, e quatro carregadores de 9 mm da base de Boiso Lanza, próximo de Montevidéu, onde se localiza o Comando da Força Aérea uruguaia.
Segundo o comandante-chefe da Força Aérea uruguaia, Enrique Bonelli, que investiga o desaparecimento das armas, os fuzis, as submetralhadoras e a munição podem ter sido contrabandeadas para o Brasil. Bonelli citou que em uma favela brasileira cada arma dessas pode custar entre US$ 3.000 (R$ 5.700) e US$ 3.500 (R$ 6.650).
Na Divisão de Repressão ao Tráfico Ilícito de Armas brasileira existe uma investigação sobre a entrada no Brasil de metralhadoras calibre ponto 30 do Exército boliviano. Uma metralhadora antiaérea chega a custar US$ 21 mil (R$ 40 mil).
“Eu estou falando de armas de guerra, e não de pistolas, revólveres, ou outros tipos de arma longa [fuzis e carabinas de calibres menos potentes]”, afirmou o delegado Vantuil Cordeiro, diretor da divisão da PF que combate o tráfico de armas. “Esse armamento pesado é desviado de quartéis e das polícias desses países. Inclusive do nosso também.”
As informações de que militares e policiais estrangeiros desviam e facilitam a entrada de armas levaram à criação, em 2006, da Comissão Especial de Investigação do Comércio Ilegal de Armas na Fronteira. Na comissão, há representantes dos três países [Argentina, Uruguai e Paraguai], dos chefes das Forças Armadas brasileiras, dos ministérios da Justiça e das Relações Exteriores.
Fonte: Fenapef



