Tradição das feiras livres é mantida em Dourados
Durante a semana as feiras livres acontecem nos bairros e aos sábados e domingos na rua Cuiabá, na área central da cidade.
Cotidiano – 10/06/2008
Em Dourados, o comércio de frutas, verduras e legumes é mantido até hoje em vários pontos da cidade. Durante a semana as feiras livres acontecem nos bairros e aos sábados e domingos na rua Cuiabá, na área central da cidade.
Com início no final da tarde, a feira livre do bairro BHN 1º Plano é um exemplo de tradição. Todas as quartas-feiras, famílias se reúnem, após um dia inteiro de trabalho para comer pastel e tomar caldo de cana, além de comprar verduras e frutas frescas. O empresário Carlos Geraldo Fraga Moreira freqüenta a feira livre do bairro toda semana e disse que gosta de comprar na feira porque sempre encontra produtos de qualidade. “Compro sempre aqui por que os produtos vendidos são de ótima qualidade, estão sempre frescos e também por apoiar o trabalho dos produtores da agricultura familiar. Dou preferência para estes produtos, pois sei como são produzidos”, contou Carlos.
Feirante há mais de dez anos, Marina Otida é bastante otimista quanto a tradição. “Aqui vêm pessoas de todas as idades. As promoções dos mercados não interferem na venda, pois a nossa clientela é fiel. A feira é tradição e as pessoas que freqüentam gostam desse clima familiar, aqui na minha barraca chego a atender gente das cidades vizinhas que vêm a Dourados para comprar produtos da horta fresquinhos”, ressaltou Marina.
Concorrência
Como forma de provocar uma concorrência, os mercados da cidade têm oferecido ao consumidor promoções no setor de hortifrutigranjeiros em dias específicos da semana. Para os feirantes essas promoções são desleais, pois os supermercados têm como descontar o preço baixo em outros produtos. Segundo o feirante Odacir da Silva Pinheiro, essa tradição das feiras livres tende a acabar com o tempo, pois vários fatores estão contribuindo para que esse costume seja coisa do passado. “Hoje as mulheres concorrem com os homens no mercado de trabalho, com isso não têm tempo para freqüentar feiras dos bairros e nem para cuidar da casa e deixam isso para um funcionário. As empregadas por sua vez são meninas novas que preferem a comodidade do mercado que tem ar-condicionado e as compras são entregues em casa, não precisam empurrar carrinho cheio de compras como na feira. Só compra em feira hoje quem já tem o hábito, pois criá-lo nos dias atuais está cada vez mais difícil”, desabafou o feirante.
História
As feiras livres são no Brasil uma das práticas de comércio de alimentos mais antigas. Antigamente, era muito comum o comércio de gêneros alimentícios nas praças e ruas.
No centro do Rio de Janeiro se localizavam as barracas que vendiam pescado e outros gêneros que chegavam nos barcos para o abastecimento direto da cidade. Tal comércio era feito informalmente, até que em 1771, o Marquês do Lavradio, terceiro vice-rei do Brasil, autorizou os mercados de alimentos nas ruas do Rio. Apesar de ser uma prática tão antiga, as feiras somente tiveram o reconhecimento formal pela administração pública quando, no intuito de se exercer um maior controle sobre tal atividade para o reordenamento da cidade. (Barbara Palomanes)
Fonte: Folha de Dourados



