Trabalhadores vão usar o 13º para saldar dívidas de 2007
Sem Festa – 03/12/2007
O 13° salário, rendimento extra que o trabalhador tem direito no fim de ano, em tempos passados sempre foi utilizado como um reforço para as compras de Natal e também para a comemoração do Ano Novo. Entretanto, em Dourados, a maioria dos consultados pela reportagem da folha de dourados afirma que neste ano eles programaram saldar suas dívidas em lojas da cidade ao invés de fazer uma grande festa.
A maioria também afirma que pretende comprar mais depois de restabelecerem o crédito no comercio local, o que aumenta também a expectativa dos empresários douradenses, que apostam no crescimento nas vendas em todos os setores, como roupas, calçados, eletrodomésticos, alimentos como carnes e bebidas em geral em, principalmente, brinquedos.
Luiz Antônio Gonzáles, eletricista, 42, é casado, tem três filhos e ganha em média 750 reais/mês. Ele diz que vai usar o seu 13º para saldar dívidas e “com o que sobrar” vai passar o Natal com a sua família. “Não dá mais para fazer aquele Natalzão como antigamente; o jeito agora é comprar o básico e se sobrar comprar um presentinho para os filhos e mais nada”, diz o eletricista lembrando que têm dois carnês de uma loja de eletrodomésticos que necessitam ser quitados.
Já o comerciário Edcarlos Medeiros de Azevedo, 30 anos, também confirma que vai usar o salário extra para pagar contas adquiridas neste ano. “Não dá mais para fazer gastos exagerados, pois o dinheiro está difícil para ganhar, mas pra gastar é rapidinho”, diz o comerciário.
Com 420 reais por mês, Amanda dos Santos, balconista e solteira, diz que seu salário extra de final de ano está todo comprometido. “Fiz três dívidas no comércio este ano e preciso entrar em 2008 zerada na praça”, diz a jovem rindo da sua situação financeira, mas satisfeita por estar empregada. “O Natal em casa sempre foi convencional, sem extravagância; o Natal para nós é como se fosse um domingo”, finaliza a jovem.
Luvanor Andrada da Silveira, 49, eletricista, pedreiro e pintor de paredes, diz que 2007 para ele não foi de tudo ruim; porém, acredita que poderia ter sido melhor se não tivesse tantos gastos com medicamentos e com a alta da cesta básica. “Meu 13º será usado para comprar roupas para meu casal de filhos e para a esposa, e o que sobrar acredito que vai dar para comprar uma leitoa, uma dúzia de cerveja e refrigerantes para a molecada”, diz o profissional.
Já Diane Vieira Trindade, recém contratada em uma loja no centro da cidade, diz estar feliz com o trabalho e que o dinheiro vai poder encerrar o ano com as dívidas amenizadas e espera que 2008 seja melhor que este ano que está terminando.
Uma outra consultada é Liria Rodrigues Ruiz, que ganha em média 300 reais/mês trabalhando como uma das fiscais dos parquímetros na área central da cidade, que afirmou: “Vou pagar minhas continhas e, claro, já começar o próximo ano devendo nas lojas, né, pois vou ter que comprar roupas e um calçado novo para mim”, acrescentando que “com este salário temos que administrar as dívidas e não fazer gastos absurdos só porque é Natal e Ano Novo”, assim como a maioria dos entrevistados, ela afirma que foi se o tempo em que os festejos de fim de ano eram dias diferenciados dos domingos ou de feriados prolongados.
Fonte: Folha de Dourados



