O homem de 30 anos preso pelo assassinato da mulher trans Nathalia dos Anjos Molina, de 33 anos, e de seu companheiro, Ademar Spacino Júnior, de 38 anos, foi colocado em liberdade provisória neste sábado (6), após passar por audiência de custódia em Campo Grande.
Conforme informações divulgadas pelo portal Midiamax, a Justiça determinou que o acusado utilize tornozeleira eletrônica por 180 dias e cumpra uma série de medidas cautelares durante a tramitação do processo.
De acordo com a decisão judicial, o investigado está proibido de manter contato ou se aproximar de familiares das vítimas. Além disso, deverá comparecer mensalmente em juízo para informar endereço e atividade profissional, bem como comprovar acompanhamento junto ao Centro de Atenção Psicossocial (Caps).
A defesa argumentou que o suspeito possui bons antecedentes e não registra passagens pela polícia, motivo pelo qual a Justiça entendeu que medidas alternativas à prisão seriam suficientes neste momento.
Relembre o caso
O duplo homicídio ocorreu na manhã de sexta-feira (5), no bairro Taquarussu, em Campo Grande. Segundo a investigação, o autor e as vítimas moravam no mesmo terreno, em residências separadas, e mantinham desavenças frequentes.
A esposa do suspeito relatou à polícia que vinha sofrendo ameaças e conflitos com os vizinhos. Conforme seu depoimento, ao sair para trabalhar, teria sido abordada por uma das vítimas e, diante da situação, o marido interveio e efetuou disparos. Na sequência, ele entrou na residência onde estava a segunda vítima e realizou novos tiros.
Nathalia e Ademar morreram ainda no local. O suspeito foi localizado e preso poucas horas depois por equipes do Grupo de Operações e Investigações (GOI).
Família aponta possível motivação transfóbica
Familiares de Nathalia contestam a versão apresentada pela defesa e sustentam que o crime pode ter sido motivado por preconceito contra a identidade de gênero da vítima.
A mãe da mulher trans afirmou que a filha vinha sofrendo ameaças há meses e que já planejava deixar o imóvel devido aos constantes conflitos. Segundo ela, um caminhão de mudança havia sido contratado e chegaria à residência justamente no dia em que o casal foi morto.
O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil, que apura as circunstâncias e a motivação do duplo homicídio.


