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Soraya espera Lula, Geraldo no PV, Juliano ‘ferrado’, Marçal em ascensão, Isa ‘marcando’

Juca Vinhedo –

Conservadores em conserva

A temática utilizada no desfile de carnaval por uma das escolas de samba do Rio de Janeiro, a Acadêmicos de Niterói, deu o discurso que setores políticos que supostamente valorizam a família queriam. Ao criticar o “conservadorismo” de determinadas “famílias”, forneceu munição para aqueles que se utilizam da religião para se promoverem politicamente. Foi um tiro no pé.

Hipocrisia é o nome

Setores políticos que exploram a fé religiosa para criticar crenças alheias, e que se consideram proprietários da verdade, chegaram a invocar o nome de Deus para desejar “câncer na garganta” àqueles que supostamente lhes criticaram durante o carnaval, no desfile da Escola Acadêmicos de Niterói. Nada como ser um tipo de “neocristão”, aquele que deseja o mal a quem não é seu aliado político.

Liberdade de expressão

No Brasil do ódio que impera em muitos setores ideológicos, atualmente, a expressão acima pode ser traduzida como: “o direito que eu tenho de criticar a quem eu quiser, em qualquer lugar e de não aceitar que qualquer pessoa tenha a petulância de discordar de minhas críticas”.

Enquanto isso, em Ivinhema…

Em Ivinhema, a cena já parece ensaio repetido: a Prefeitura veta, o Judiciário libera, e o evento começa com a decisão servindo de alvará. Foi assim novamente com “2º Encontro de Músicas Gospel Instrumental”, evento gospel que mesmo com documentação em dia, autorizações expedidas foi vetado pelo prefeito Juliano Ferro, em cima da hora. O juiz derrubou o veto e expôs o desgaste político.

Falta do que fazer?

A decisão judicial foi didática: não basta invocar “interesse público” sem fundamentar. O magistrado apontou violação à isonomia e ausência de motivação concreta. É o segundo ano consecutivo que um veto do Executivo municipal cai pelo mesmo motivo. Em termos práticos, significa que vontade pessoal não substitui regra. Ivinhema deve estar às mil maravilhas, nos quesitos educação, saúde, infraestrutura…

Plano A, B e “janela”

O deputado estadual João Henrique Catan (PL) está decidido a disputar o Governo do Estado em outubro — e já deixou traçado o caminho caso o PL feche questão em torno da reeleição de Eduardo Riedel (PSDB). Convidado formalmente pelo Partido Novo, ele teria tudo pronto para migrar até 4 de abril, prazo final da janela partidária. A condição é clara: só fica no PL se for o candidato ao governo. Caso contrário, troca de sigla sem drama.

Novo abrigo

O Partido Novo, presidido em MS por Guto Scarpant, virou rota alternativa para nomes do PL que não encontram espaço interno. A legenda já trabalha o nome de João Henrique como plano estratégico estadual. O movimento segue tendência nacional: bolsonaristas sem espaço no PL têm buscado o Novo como abrigo eleitoral. A janela partidária, neste caso, virou instrumento de pressão política.

“Garantia” ameaçada

Nos bastidores, a equação envolve acordos mais amplos. O PL em Mato Grosso do Sul mantém compromisso de apoiar Riedel em troca da construção de duas candidaturas fortes ao Senado. Reinaldo Azambuja, inclusive, só ingressou no PL com essa garantia. O cenário lembra Santa Catarina, onde Caroline De Toni deve deixar o partido após promessa de apoio a Esperidião Amin. No fim, a disputa pelo governo passa por um jogo maior de cadeiras nacionais.

Entre dois palanques

A senadora Soraya Thronicke (Podemos) segue em silêncio público, mas com movimentação intensa nos bastidores. Embora tenha sinalizado apoio à reeleição de Eduardo Riedel, a falta de espaço no grupo governista embaralhou o cenário. O PT entrou no jogo e ofereceu vaga na chapa ao Senado. Agora, a equação envolve viabilidade eleitoral e alinhamento nacional. Ficar em cima do muro, desta vez, não parece opção sustentável.

Reunião estratégica

Soraya se reuniu com os pré-candidatos petistas Fábio Trad (Governo) e Vander Loubet (Senado) para discutir possível aliança. O gesto foi interpretado como sinal claro de abertura ao diálogo com a oposição estadual. A formalização, no entanto, depende de conversa direta com o presidente Lula. A senadora quer garantia explícita de apoio nacional antes de qualquer anúncio. Em política, aceno não é contrato.

Fiel da balança

Soraya já avisou ao PT que só avança se houver compromisso público de Lula com sua reeleição. O encontro, prometido pelo diretório nacional, deve ocorrer após o retorno do presidente da Índia. A decisão não é apenas estadual: envolve estratégia nacional e composição de palanques. Sem o aval do Planalto, o risco de isolamento aumenta. Com ele, muda completamente o jogo.

O precedente Simone

O impasse lembra o movimento da ministra Simone Tebet (MDB). Também defensora da reeleição de Riedel, Simone deixou claro que não apoiaria candidatura do PT no Estado. Lideranças petistas reagiram com aviso de enfrentamento político. A diferença é que Simone deve disputar mandato em São Paulo, tirando o foco de MS. Já Soraya, se quiser sobreviver eleitoralmente aqui, precisará escolher lado, e rápido.

Ninho sob risco

O PSDB de Mato Grosso do Sul vive dias decisivos às vésperas da janela partidária. Beto Pereira, Geraldo Resende e Dagoberto Nogueira firmaram compromisso de permanência com Aécio Neves, mas o acordo balança diante das novas composições estaduais. Com Reinaldo Azambuja no PL e Riedel no PP, o espaço tucano encolheu. O risco real é o “ninho” esvaziar de uma vez. E, em política, saída coletiva nunca é coincidência.

Matemática da sobrevivência

A incerteza partidária se soma ao desafio do quociente eleitoral. Beto e Geraldo beiraram os 100 mil votos na última eleição, mas dependem de chapas fortes para repetir o desempenho. Dagoberto, eleito na sobra com pouco mais de 48 mil votos, precisa de coligação robusta para sobreviver. Sem “candidatos escada” ou bancada competitiva, a reeleição vira missão arriscada. A disputa, desta vez, é tanto política quanto matemática.

Entre o controle e o risco

Presidente estadual do PSDB, Beto Pereira é justamente o que tem mais chance de sair. Dialoga com o Republicanos e pode assumir o comando da sigla no Estado, o que lhe daria estrutura própria. O desafio será manter os quase 98 mil votos e montar chapa viável. Fora do bloco governista, dependerá de engenharia eleitoral precisa. Se puxar a fila, pode levar o partido junto.

Geraldo x Federação

Geraldo Resende reafirma compromisso com o PSDB, mas há movimentação nos bastidores. O PV, federado ao PT, demonstrou interesse em sua filiação para ocupar espaço estratégico na Câmara. Com quase 97 mil votos na última eleição, ele mantém capital eleitoral consolidado. A eventual ida para a federação pode redesenhar o tabuleiro, sobretudo se Vander Loubet disputar o Senado. A decisão passa por cálculo político e coerência de trajetória.

Dagoberto e PP

Dagoberto Nogueira já conversou com o PP e pode mudar de sigla, especialmente se houver debandada tucana. Com 48 mil votos na última eleição, depende diretamente de chapa forte para se reeleger. No PP, precisaria disputar espaço com pré-candidatos já posicionados. A legenda quer eleger dois nomes competitivos, não apenas compor coeficiente. Para Dagoberto, a escolha será entre segurança partidária e risco calculado.

Alta aprovação

Se mantiver o ritmo do ano passado, o prefeito Marçal Filho tem tudo para fazer uma administração que continuará agradando a população douradense, neste 2026. Pesquisa publicada em dezembro mostrou que 89,2% da população de Dourados aprovou a gestão, com 78,1% acreditando que a cidade vem melhorando gradativamente.

Esporte popular

Depois de mais de uma década paralisado, a Prefeitura reativou o Conselho Municipal de Esportes e Lazer, reforçando seu compromisso com políticas públicas para o esporte e lazer. A iniciativa devolve voz aos representantes do setor e fortalece o planejamento estratégico das ações destinadas à população.

Racha na base

A vereadora Isa Marcondes (Republicanos) deixou claro que a relação com o prefeito Marçal Filho (PSDB) anda estremecida, apesar de ambos fazerem parte do mesmo campo político. Em discurso na Câmara Municipal, Isa criticou duramente a gestão da saúde e disse que “a verdade dói”, indicando que a base governista pode perder um de seus principais nomes se o prefeito não reagir ao embate. “Se ele quiser que eu saia da base, é só conversar”, disse ela, abrindo brecha para distanciamento real.

Entre denúncia e risco

A atuação midiática de Isa Marcondes também gerou desgaste jurídico e político: nas redes sociais, ela tem divulgado vídeos e críticas envolvendo servidores municipais sem autorização formal, o que levou profissionais de saúde da UPA a protocolarem denúncia na Câmara e pode colocar a parlamentar sob risco de ação judicial. A tensão aumenta porque as críticas não ficam restritas ao Executivo de Dourados, alcançando até órgãos estaduais como a Sanesul, o que complica alianças.

BASTIDORES DO PODER

O silêncio estratégico de Getúlio Vargas

Era começo da década de 1950. No Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, o presidente Getúlio Vargas recebia deputados, sindicalistas e governadores numa rotina que misturava fumaça de charuto com café forte.

Numa dessas manhãs, o governador de Minas Gerais, Juscelino Kubitschek, aguardava audiência. JK já tinha brilho nos olhos e pressa nos passos. Queria apoio federal para obras e, claro, para fortalecer seu projeto político futuro.

Dentro do gabinete, estavam também o chefe da Casa Civil, João Goulart, então ministro do Trabalho, e o jornalista Samuel Wainer, dono do jornal Última Hora, que orbitava o poder com habilidade.

JK falou primeiro. Apresentou números, promessas, metas. Disse que Minas precisava avançar e que o Brasil tinha pressa. Getúlio ouviu, mãos cruzadas sobre a mesa.

Quando o mineiro terminou, Vargas virou-se para Jango e perguntou:
— O que dizem os trabalhadores sobre isso?

Depois olhou para Wainer:
— E a imprensa, como reage?

Só então voltou-se a JK e, com voz baixa, disparou:
— Governador, política é soma. Se faltar um, a conta não fecha.

Não houve anúncio naquele dia. Nenhum bilhete foi expedido. Nenhuma verba carimbada na hora. JK saiu sem o que queria, mas com algo mais valioso: a compreensão de que, no tabuleiro político, ninguém joga sozinho.

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