Redação –
Horas após denunciar prejuízo de R$ 11 mil envolvendo um mestre de obras, um casal de Campo Grande conseguiu recuperar o valor e dar início à reforma da própria casa, localizada no bairro Nova Capital, na região das Moreninhas. O dinheiro foi devolvido pelo sogro do profissional, que decidiu assumir a dívida após tomar conhecimento da situação.
Segundo a dona de casa, de 35 anos, a devolução permitiu que a família finalmente começasse a construção. “Graças à ajuda de vocês, conseguimos achar os sogros. Eles pagaram a dívida, ficaram com medo pela filha e recuperamos o valor. Com o dinheiro, já iniciamos a obra”, relatou. Ela afirma que, agora, a família redobrou os cuidados na contratação de prestadores de serviço e na compra de materiais. “Estamos negociando a compra de forma fracionada. Fica a lição”, acrescentou.
A obra, que inclui a construção inicial do alicerce, também conta com apoio de familiares e membros da igreja, que se ofereceram para ajudar em mutirão. De acordo com a vítima, o sogro do mestre de obras precisou vender um bem para quitar o valor. “Sinto muito por eles, mas também precisava reaver o meu dinheiro. Esse é um sonho antigo da nossa família”, disse.
O paradeiro do mestre de obras é desconhecido. Conforme informações obtidas pelo casal, ele teria comprado um carro com parte do dinheiro recebido.
Denúncia e suspeita de golpe
O casal registrou boletim de ocorrência e procurou a imprensa após suspeitar de irregularidades na negociação. O acordo previa a construção de dois quartos, banheiro e cozinha por R$ 50 mil, incluindo material de construção, com custo estimado de R$ 750 por metro quadrado.
Segundo a vítima, o profissional apresentou um contrato que não chegou a ser assinado e afirmou que já havia adquirido os materiais. O casal realizou transferências que somaram R$ 11 mil, sendo R$ 10 mil enviados via Pix para a esposa do mestre de obras e R$ 1 mil diretamente para ele. No entanto, os materiais não foram entregues, exceto pequenas quantidades de pedra e areia, supostamente sem nota fiscal.
A desconfiança aumentou após o envio de uma nota fiscal que indicava a compra de R$ 20 mil em materiais. Após análise feita por uma contadora conhecida da família, foi constatado que o documento havia sido adulterado. O valor original da nota era de R$ 855, referente à compra de itens simples, como uma porta e uma chave de fenda.
“Logo depois que fiz o Pix, senti uma angústia no coração. Minha mãe chegou a me alertar, mas ainda assim fiz outra transferência. Depois percebemos que as informações não batiam”, contou a dona de casa.
Outras vítimas e investigação
Segundo o casal, outro cliente teria sofrido prejuízo semelhante, com perda de R$ 14 mil e obra inacabada. Ainda conforme o relato, o mestre de obras possui registros anteriores por apropriação indevida, estelionato e violência doméstica.
O caso foi registrado como estelionato na 4ª Delegacia de Polícia, no bairro Moreninhas, em Campo Grande. A pena prevista para esse tipo de crime varia de um a cinco anos de prisão, além de multa.
Apesar do prejuízo inicial, a família afirma que o episódio serviu de aprendizado. “Foi um sonho de mais de um ano ampliar nossa casa, especialmente porque meus sogros moram conosco e um deles é cadeirante. Agora vamos seguir com mais cautela”, concluiu a vítima.

