Sem CPMF, carga tributária deve aumentar neste ano
Economia – 30/04/2008
Mesmo com a extinção da CPMF, a carga tributária no Brasil deve subir em 2008 para 36,8% do PIB (Produto Interno Bruto). A projeção considera um aumento de quase 1 ponto porcentual do PIB em comparação à estimativa de 35,9% da carga tributária de 2007. A previsão é do especialista em contas públicas e consultor Amir Khair, feita com base nos dados de arrecadação no primeiro trimestre do ano, divulgados na sexta-feira passada. “O governo não pode perder tempo em começar a desonerar. Tem de ir com coragem”, avalia Khair. Para o consultor, é hora de o governo começar a discutir seriamente uma redução linear (para todos os contribuintes) das alíquotas de alguns tributos, como a Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), o PIS (Programa de Integração Social) e a contribuição patronal para o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). “O governo poderia caprichar na política industrial. O governo tem sido modesto na forma de conceder incentivos. Ainda mais agora que precisamos crescer a produção interna e a exportação para compensar a deterioração das contas externas”, pondera. Segundo Khair, o que explica o aumento da arrecadação no País é fundamentalmente o crescimento econômico, que eleva o faturamento e o lucro das empresas e a massa salarial num ritmo maior do que a expansão do PIB. “O setor público pega carona nos tributos, que são proporcionais a essas elevações”, avalia. Pelas contas do consultor, a União contribuiria com 0,6 ponto porcentual do PIB para o aumento da carga tributária em 2008. A contribuição dos Estados seria de 0,3 ponto. O aumento da carga será puxado pelo crescimento da arrecadação do Imposto de Renda, IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), Cofins, ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e da contribuição à Previdência Social.
Fonte: Folha de Dourados



