Sem controle e gastando mais, Câmara pode ter mais nove edis
Política – 26/11/2007
A sociedade de Dourados tem razão de preocupar-se com o crescimento dos gastos da Câmara Municipal de Dourados. Se o dinheiro que vem recebendo do Executivo não vem sendo suficiente para fazer frente aos gastos do Legislativo hoje, quando a Casa tem apenas 12 vereadores, é de se esperar que a crise financeira anunciada pelo presidente da Câmara, vereador Carlinhos Cantor (PR), deva se agravar no próximo ano, quando o número de vereadores em Dourados deverá ser ampliado para 19 ou 21, de acordo com a Proposta de Emenda Constitucional (PEC).
Alguns pontos do texto ainda estão sendo discutidos pelos lideres dos partidos e poderão sofrer alteração até que ele seja votada pelo Congresso, como a quantidade de faixas de composição da proposta. Ainda não se sabe, por exemplo, se no caso de Dourados a Câmara terá 19 ou 21 vereadores a partir das próximas eleições.
Há poucos dias estudantes universitários e entidades de defesa da sociedade entregaram à presidência da Câmara um documento exigindo transparência nos gastos do dinheiro público pelos vereadores. Atualmente o Executivo (Prefeitura) repassa à Câmara de Vereadores cerca de R$ 500 mil por mês. Mas Carlinhos Cantor pediu suplementação dos recursos para conseguir “fechar” 2007, porque a Câmara teria gastado mais do que devia e estaria com suas contas “estouradas”.
As entidades que pedem transparência à Câmara no uso do dinheiro público não entendem como o repasse de verbas feio pela Prefeitura aos vereadores não foi suficiente para cobrir as despesas, uma vez que Dourados teve seu Legislativo diminuído de 17 para 12 vereadores. As entidades querem entender como o dinheiro era suficiente para 17 vereadores e agora não é mais suficiente para 12, e como poderá ser suficiente para 19.
Para o presidente do Sindicato dos bancários, uma das entidades que fazem parte do movimento pró-transparência, Joacir Rodrigues de Oliveira, o pedido foi desnecessário. “Pra que mais dinheiro, não existe necessidade de suplementação esse dinheiro deveria voltar aos cofres públicos para ser aplicado em escolas, saúde entre tantos outros pontos que carecem de mais atenção”, disse o presidente.
Carlinhos Cantor se defendeu atacando: “a sociedade brasileira aprendeu a questionar muito os políticos, e isso é fundamental para o bom andamento das instâncias democráticas. Só que nós ainda vemos muitas ONGs e entidades de caráter privado que se beneficiam do dinheiro público e não tem tido essa mesma preocupação em prestar contas do que é feito com esse dinheiro”, disse Cantor.
O presidente da Câmara reafirmou que o trabalho da atual Mesa Diretora é baseado pela lisura, a honestidade a responsabilidade fiscal. “Prestamos contas regularmente ao Tribunal de Contas do Estado, a cada quatro meses também publicamos nos jornais um balanço financeiro da Câmara e mensalmente é publicado o balancete no Diário Oficial. Os que hoje se dizem tão preocupados com a aplicação do duodécimo dos vereadores deveriam ter conhecimento de que é assim que funciona o procedimento de fiscalização dos organismos públicos, e até hoje não houve qualquer irregularidade”, disse ele.
Fonte: Folha de Dourados



