Secretário de Segurança acha cedo para se falar em ‘maníaco da cruz’
Policial – 08/10/2008
Três assassinatos estranhamente similares estão tirando o sono dos mais de 26 mil habitantes de Rio Brilhante, cidade localizada a 163 quilômetros de Campo Grande. Em todos os casos, as vítimas foram encontradas em posição de crucificação, ou seja, com os braços abertos, pernas juntas e pés cruzados. Apesar dos crimes terem traços em comum, o secretário Estadual de Segurança e Justiça, Wantuir Jacini, disse que é muito cedo afirmar que os crimes têm relação um com o outro e que foram cometidos pela mesma pessoa.
O terror na cidade, que antes era considerada tranqüila, começou no dia 24 de julho, quando o corpo de Catalino Gardena, de 30 anos, foi encontrado pela polícia em um terreno baldio da cidade, localizado na rua Mohamed Ali. Segundo a polícia, o homem foi morto com uma facada no peito e enforcado com um saco de lixo. O interessante é que o cadáver estava na posição de crucificação, ou seja, as pernas juntas, os pés cruzados e os braços abertos, além disso, a vítima trazia no peito a inscrição INRI, que significa Jesus Nazareno, Rei dos Judeus.
Até então esse crime havia chamado atenção pela forma como o corpo havia sido encontrado. Porém, um mês depois, ele seria lembrado com assombro pela população de Rio Brilhante, já que no dia 24 de agosto, exatamente um mês após a morte de Catalino, outra pessoa foi encontrada morta do mesmo jeito que ele.
Nesse dia, a vítima foi Letícia Neves de Oliveira, de 22 anos, que foi assassinada por esganadura e e encontrada nua em cima de um túmulo no cemitério São Cristóvão, na Rua da Consolação, na Morada do Sol. Assim como Catalino, o corpo da mulher estava com os braços abertos, as pernas juntas e o pés cruzados.
Se a morte de Catalino chamou atenção pela estranheza, a de Letícia criou um ar de medo com a possibilidade de haver um assassino em série na cidade. Medo esse que foi comprovado no último dia 24 de setembro, ou seja, um mês após a morte de Letícia, quando os habitantes de Rio Brilhante temiam a ocorrência de um novo crime, como conta a moradora Izabel Dias, de 50 anos.
“Aqui tá todo mundo com medo, para você ter uma idéia, no dia 24 de setembro, o pessoal ficou com medo de sair de casa, acabou não acontecendo nada, parece que o assassino mudou de idéia”.
Pode não ter acontecido nada no dia 24 de setembro, porém o temor da presença de um assassino em série na cidade retornou mais forte ontem, quando a adolescente Gleice Kelly da Silva, de 13 anos, foi encontrada morta, com sinais de esganadura, em uma casa em construção na Rua Manoel Bento. Assim como a vítimas anteriores, o corpo da menina foi encontrado em forma de “crucificação”, também com os braços abertos, as pernas juntas e os pés cruzados.
Como não poderia deixar de ser, a ocorrência e a similaridade dos três assassinatos acabou tomando conta da cidade de Rio Brilhante. Segundo moradores do local, o assunto do momento é o denominado “maníaco da cruz”, como confirma José Antônio, dono de um restaurante da cidade.
“O pessoal fica com medo, só fala disso agora, parece filme de americano, teve até funcionário pedindo para não trabalhar a noite, tem achar logo esse “maníaco”, declara Luís Antônio.
O que traz também medo para os moradores é que o suposto “maníaco” não faz distinção de sexo e nem de idade para escolher as suas vítimas. Além disso, a mudança na data do crime trouxe mais preocupação, já que nunca se sabe quando poderá ocorrer outra morte.
“O povo tá com muito medo desse serial killer, aqui no mercado só falam disso, agora ele mudou o dia, aí o pessoal fica com medo de sair de casa”, declara o funcionário de um mercado da cidade que não quis se identificar.
Investigações e reforços
Ao ser questionado sobre os crimes, o secretário Estadual de Segurança e Justiça, Wantuir Jacini, disse que é prematuro dizer que os crimes têm relação um com o outro e que foram cometidos pela mesma pessoa.
“As investigações ainda estão em curso e é muito cedo fazermos afirmações de que os crimes foram comtedidos pela mesma pessoa”, declara o secretário.
Segundo Jacini, uma equipe de investigadores do 1º Distrito Policial de Dourados irá à Rio Brilhante auxiliar a polícia local nas investigações deste caso.
Fonte: Folha de Dourados



