Sanesul diz que terá autonomia com programa de R$ 3,9 mi
Empresa – 02/09/2008
A Sanesul (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul) justificou hoje a aquisição de um software (programa de computador) no valor de R$ 3,9 milhões, cujo similar é oferecido pelo governo federal. Conforme o presidente da empresa, José Carlos Barbosa, a autonomia foi determinante na decisão de abrir licitação e não aderir ao software livre do Ministério da Cidade.
Segundo ele, o programa do governo federal, desenvolvido pelo Ipad (Instituto de Planejamento e Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico e Científico), teria custo de R$ 1 milhão para transferência de dados do sistema, porém, o código fonte não seria repassado à Sanesul. “A cada inovação, ficaria refém do Ipad”, compara.
José Carlos destaca que após 36 meses do contrato, a empresa terá condições de manter o sistema. Atualmente, a Sanesul paga R$ 139 mil mensais a Digito, que presta assessoria à empresa de saneamento. O contrato termina em fevereiro de 2009.
De acordo com o gerente de Tecnologia, Altair Alvarenga, além do custo de implantação, o sistema utiliza linguagem de difícil acesso. “Não tem a quem recorrer. O software livre não tem um responsável”, explica.
O sistema comercial gera 350 mil contas e foi implantado há 12 anos. O gerente lembra que em 2007 foi preciso gastar R$ 25 mil para trazer um técnico do Canadá para operar o atual sistema. Após as eleições, a Sanesul pretende fazer concurso público para contratação de técnicos.
Única – No último dia 29 de agosto, a Sanesul teria que receber as propostas das empresas interessadas. Contudo, apenas a EOS, de Campo Grande, enviou proposta técnica. Uma segunda empresa chegou a questionar pontos técnicos da licitação, porém o recurso não foi aceito.
Segundo José Carlos Barbosa, o edital foi retirado por nove empresas. Para ele, a liberação do código fonte inibiu a participação de concorrentes. O presidente da Sanesul enfatiza que procurou o Ministério das Cidades, mas o governo federal negou custear a implantação do sistema em Mato Grosso do Sul, ao contrário do que fez em outros Estados.
“Acho que o processo é até mais transparentes. Para contratar o Ipad não precisaria de licitação”, argumenta José Carlos. Amanhã, o programa será apresentado aos técnicos da empresa. A licitação deve ser concluída em 30 dias.
Explicação – O deputado estadual Paulo Duarte (PT) vai pedir explicações à Sanesul sobre a licitação do software. “Se, de fato, o sistema estiver disponível pelo governo federal, a licitação não teria sentido”, enfatiza o deputado. O requerimento com o pedido de explicação será apresentado na sessão de amanhã da Assembléia Legislativa.
Fonte: Folha de Dourados



