Juliel Batista –
Conhecido nos bastidores da política de Mato Grosso do Sul por ter trabalhado por mais de duas décadas ao lado do deputado federal Vander Loubet (PT), candidato ao Senado em 2026, Sandro Omar de Oliveira Santos adotou nesta eleição o nome de urna Sandro do Vander.
Candidato a deputado federal pelo PT, ele participou do Especial Eleições 2026 do FolhaCast, podcast da Folha de Dourados, e falou sobre trajetória profissional, orçamento público, emendas parlamentares e propostas para o Estado. A candidatura consta como deferida e o número de urna é 1331.
Natural de Altair, no interior de São Paulo, Sandro contou que veio para Campo Grande aos 14 anos para continuar os estudos e começou a trabalhar ainda jovem. Segundo ele, conciliou trabalho e formação até ingressar no curso de Engenharia Civil. “Eu sou uma pessoa oriunda de uma família humilde, composta de pai, mãe e seis filhos, o mais velho deles sou eu”, relatou durante a entrevista. Ele também destacou a experiência como engenheiro, advogado e professor universitário e afirmou ter continuado os estudos ao longo da trajetória profissional.
“Eu sou uma pessoa oriunda de uma família humilde, composta de pai, mãe e seis filhos, o mais velho deles sou eu”
A aproximação com Vander Loubet, segundo Sandro, levou-o a atuar diretamente na parte técnica do mandato parlamentar, especialmente no acompanhamento de orçamento e liberação de recursos. “O Congresso Nacional é uma grande escola. Eu digo que aprendi muito sobre orçamento público, sobre como se dão as construções das leis, regimento interno”, afirmou. Ele disse ainda que a experiência acumulada em Brasília foi utilizada para construir sua visão sobre o funcionamento do Legislativo e a aplicação dos recursos públicos.
“O Congresso Nacional é uma grande escola. Eu digo que aprendi muito sobre orçamento público, sobre como se dão as construções das leis, regimento interno”, afirmou.
Um dos principais pontos da entrevista foi a crítica ao uso excessivo concentrado nas emendas parlamentares para manutenção de bases políticas. “Nós não podemos mais aceitar a figura do parlamentar como despachante de emendas”, declarou. Na avaliação do candidato, o deputado federal deveria atuar também na discussão de políticas públicas e na busca de soluções estruturais para problemas regionais. “Um deputado federal tem que contribuir com o seu mandato para a resolução dos problemas das comunidades, para melhorar a vida das pessoas”, afirmou.
“Nós não podemos mais aceitar a figura do parlamentar como despachante de emendas”, declarou.
Entre as propostas apresentadas, Sandro destacou a chamada micro-regionalização, baseada em indicadores socioeconômicos para direcionar políticas de desenvolvimento às regiões mais carentes. Também defendeu mudanças na aplicação de incentivos fiscais e nas linhas de crédito destinadas a pequenos produtores. Sobre Dourados, citou saúde, infraestrutura e turismo de negócios como áreas que, segundo ele, demandam planejamento regional e diagnóstico técnico. Ao falar sobre sua visão de desenvolvimento, resumiu: “Eu não sou contra o desenvolvimento, eu sou contra certos modelos de concessão de isenção fiscal”. Para o candidato, o crescimento econômico precisa vir acompanhado de contrapartidas sociais e planejamento para os municípios que recebem grandes empreendimentos.
“Eu não sou contra o desenvolvimento, eu sou contra certos modelos de concessão de isenção fiscal”.

Assista a entrevista completa gravada no Studio Nexus 5.0:
A seguir, a entrevista:
FolhaCast — Para começar, quem é Sandro Omar? De onde você veio e qual foi sua trajetória?
Sandro do Vander – Eu sou uma pessoa oriunda de uma família humilde, composta de pai, mãe e seis filhos, o mais velho deles sou eu. Assim como boa parte das crianças e adolescentes da nossa juventude, também passei por dificuldades na vida. Meu trilhar nunca foi fácil, mas os obstáculos foram sendo superados à medida que eu passei a ter oportunidades.
Vim para Campo Grande muito jovem, aos 14 anos, para continuar meus estudos. Trabalhava durante o dia e estudava à noite. Depois passei no vestibular para Engenharia Civil e precisei mudar minha rotina. Também trabalhei no Departamento de Obras Públicas e, depois de formado, fui professor da UFMS.
Na iniciativa privada, trabalhei em algumas obras das quais me orgulho, inclusive em estruturas metálicas do Shopping Campo Grande e na Passarela do Horto. Fui um dos precursores da área de engenharia metálica e estruturas metálicas em Mato Grosso do Sul.
Fui um dos precursores da área de engenharia metálica e estruturas metálicas em Mato Grosso do Sul.
E como surgiu a relação com Vander Loubet?
Quis o destino que eu conhecesse o Vander. Nossas impressões de mundo e de justiça social convergiram bastante e passamos a trabalhar juntos. Eu cuidava da parte técnica do mandato, acompanhando para que os recursos que ele havia assumido como compromisso com as cidades e com as pessoas fossem efetivamente liberados.
Eu cuidava da parte técnica do mandato, acompanhando para que os recursos que ele havia assumido (…)
Ali, o Congresso Nacional foi uma grande escola. Aprendi muito sobre orçamento público, construção das leis, regimento interno e sobre o funcionamento de Brasília e do Congresso Nacional.
O que você considera seu diferencial em relação aos demais candidatos?
Primeiro, é um propósito. Você tem que ter um propósito. O que você pretende como deputado federal? Eu pretendo buscar melhorar a vida das pessoas.
Aqui no Estado são só oito deputados federais e quem representa as pessoas é o deputado federal. Como diferencial, eu vivi uma situação muito semelhante à da maioria da população. Segundo, eu conheço esse Estado inteiro. Nunca parei de andar. Conheço qualquer canto, qualquer rincão desse Estado: aldeias, assentamentos, ocupações, distritos, vilas. Tenho uma radiografia do Estado.
Conheço qualquer canto, qualquer rincão desse Estado: aldeias, assentamentos, ocupações, distritos, vilas.
Terceiro, minhas profissões me credenciam para debater o que, de fato, é importante para nós.
Você fez críticas ao uso das emendas parlamentares. Qual deveria ser a função de um deputado federal?
Nós não podemos mais aceitar a figura do parlamentar como despachante de emendas.
Hoje, independentemente da competência, qualidade ou qualificação, o parlamentar tem aquelas emendas. Precisamos de parlamentares que façam o debate daquilo que realmente importa para a pacificação social do nosso país e para o desenvolvimento local, preferencialmente de forma regional ou micro-regional.
Precisamos de parlamentares que façam o debate daquilo que realmente importa para a pacificação social do nosso país e para o desenvolvimento local
Um deputado federal tem que contribuir com seu mandato para a resolução dos problemas das comunidades, para melhorar a vida das pessoas. Não para ser um despachante de emendas durante quatro anos e, quando chega a época da eleição, transformar as lideranças que abasteceu em uma espécie de corretores de votos.
E como você pretende trabalhar as emendas caso seja eleito?
A primeira coisa que nós temos que fazer é exercer o poder da escuta. Depois de eleito, eu irei visitar todas as localidades e promover um processo de escuta junto às comunidades. Depois, passar isso por um filtro com as lideranças locais e os agentes políticos que pensam e comungam dos nossos valores para definirmos as prioridades de cada local.
Depois de eleito, eu irei visitar todas as localidades e promover um processo de escuta junto às comunidades.
Nós temos que ouvir as pessoas, não apenas os agentes políticos. Primeiro a gente escuta as pessoas, depois dialoga com os agentes políticos para entender a melhor forma de fazer com que esse recurso chegue.
Dourados tem problemas em áreas como saúde, infraestrutura e turismo. Como você pretende atuar na região?
Com as emendas que um deputado federal tem, ele não consegue resolver os problemas de Dourados. Se eu destinar todas as minhas emendas para cá, não resolve.
Quando alguém fala “vou mandar dinheiro para tapar o buraco” ou “vou mandar recurso para a saúde”, está colocando um band-aid em uma fratura exposta.
O papel do parlamentar, para além das emendas, é buscar uma solução que resolva os problemas de operação, principalmente daqueles serviços disponibilizados continuamente para a sociedade, como saúde, educação e assistência social.
O papel do parlamentar, para além das emendas, é buscar uma solução que resolva os problemas de operação (…)
Na saúde, por exemplo, é preciso fazer um diagnóstico: quantas pessoas são atendidas em Dourados? O atendimento está sendo registrado corretamente? Onde está a distorção nos valores? É preciso melhorar o teto? É necessário um repasse maior? A partir daí, fazer uma gestão junto ao Ministério da Saúde para tentar equalizar.
Você também fala em transformar Dourados em um polo de turismo de negócios. Como isso poderia ocorrer?
Há programas vinculados ao Ministério do Turismo e à Embratur que promovem isso de uma forma muito mais natural. Podemos, por meio de diagnósticos, levar o perfil de Dourados e chamar a atenção para que esses órgãos indiquem ou divulguem Dourados como destino de turismo de negócios.
Temos muitas indústrias e empresas, universidades com um contingente muito grande de alunos e uma localização estratégica. Há pessoas que passam por aqui em direção ao Paraná, Campo Grande, Ponta Porã e à Rota Bioceânica.
Tudo isso tem que ser explorado de forma positiva. Dourados pode ser um grande centro de negócios em Mato Grosso do Sul.
Tudo isso tem que ser explorado de forma positiva. Dourados pode ser um grande centro de negócios em Mato Grosso do Sul.
E em relação aos problemas de infraestrutura, como os buracos nas ruas?
É preciso fazer um diagnóstico técnico sobre a qualidade do asfalto e entender por que existem essas ocorrências. É problema de drenagem? De lixo? De carreamento de solo? De impermeabilidade do solo em razão da urbanização?
Se você trata somente o sintoma e não identifica a causa, vai continuar sempre ali, tomando remédio para a dor de cabeça. Identificou a causa? Aí acho coerente que os parlamentares destinem recursos para ajudar o município.
Se você trata somente o sintoma e não identifica a causa, vai continuar sempre ali, tomando remédio para a dor de cabeça.
Uma das suas propostas é a micro-regionalização. O que significa isso?
A micro-regionalização é um esboço que venho fazendo a respeito de identificar os polos no Estado com base nos indicadores sociais, para promover o desenvolvimento das regiões mais carentes, com menores IDHs.
A micro-regionalização [tem como objetivo] promover o desenvolvimento das regiões mais carentes, com menores IDHs.
Se uma empresa optar por um município já consolidado em termos socioeconômicos, teria um incentivo fiscal menor. Se ela se instalar em um município com IDH baixo, baixa ocupação da mão de obra e muitas pessoas no Cadastro Único, e empregar pessoas daquela região, a ideia é que tenha um percentual maior de desconto tributário.
O objetivo é criar mecanismos para desenvolver regiões mais carentes.
Você também defende mudanças no acesso dos pequenos produtores ao crédito. O que propõe?
O problema do pequeno produtor é que, quando vai buscar uma linha de crédito, normalmente não tem garantia para dar.
Sou a favor de que, se ele pegou o recurso para comprar um trator, não se peça mais nada: deixe o trator como garantia. Também defendo uma política de pagamento dos financiamentos vinculada ao produto e à produção.
Se ele buscou financiamento para plantar alface, por exemplo, e existe o Programa de Aquisição de Alimentos, podemos vincular parte da produção entregue ao PAA ao pagamento da prestação. Isso facilitaria o acesso ao crédito e reduziria a disputa por garantias entre pequenos e grandes produtores.
Sou a favor de que, se ele pegou o recurso para comprar um trator, não se peça mais nada: deixe o trator como garantia.
Você tem feito críticas ao modelo de incentivos fiscais para grandes empreendimentos, especialmente na região do Vale da Celulose. Qual é a sua preocupação?
Eu não sou contra o desenvolvimento. Sou contra certos modelos de concessão de isenção fiscal em que se considera basicamente a locomotiva da economia e se deixa o comboio de vagões para trás, onde está o povo e onde está o meio ambiente.
Eu sou preocupado com o desenvolvimento, mas com o desenvolvimento em benefício das pessoas.
Eu sou preocupado com o desenvolvimento, mas com o desenvolvimento em benefício das pessoas.
No caso de grandes empreendimentos, defendo que os incentivos sejam variáveis conforme a região e acompanhados de contrapartidas efetivas. Se uma empresa vai para uma região com indicadores melhores, poderia ter um incentivo menor. Se for para uma região mais carente e gerar emprego, qualificação profissional e desenvolvimento local, poderia receber um incentivo maior.
E qual é sua avaliação sobre o impacto social de grandes obras de celulose em municípios de Mato Grosso do Sul?
O que aconteceu em Ribas do Rio Pardo precisa ser analisado. Não sou contra o empreendimento, mas precisamos olhar as pessoas.
Quando você leva um grande contingente de trabalhadores para um município pequeno, precisa planejar saúde, educação, segurança, moradia, infraestrutura e os demais serviços públicos.
O desenvolvimento não pode olhar somente para a economia e a lucratividade. Tem que olhar as pessoas.
O desenvolvimento não pode olhar somente para a economia e a lucratividade. Tem que olhar as pessoas.
Para encerrar, qual é o seu objetivo caso seja eleito deputado federal?
Minha missão não é fácil. A nossa missão na Terra pressupõe obstáculos, descidas que são mais confortáveis e subidas mais íngremes, mas o importante é que a gente tenha um objetivo.
Meu objetivo é muito claro: promover a justiça social com a pacificação entre as pessoas por meio da justiça tributária, com educação e oportunidades para todos. Eu acredito nessa possibilidade.
Eu vivi isso e senti isso na pele desde a minha infância e juventude. Por isso vou nessa linha, porque essa é a linha da razoabilidade.
Meu objetivo é muito claro: promover a justiça social com a pacificação entre as pessoas por meio da justiça tributária, com educação e oportunidades para todos.



