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Rim de suicida salvou uma vida

Doação – 26/11/2007

O fim de uma vida pode significar o prolongamento de outra, graças ao avanço da Medicina que permite o transplante de órgãos. Mas poucos casos são tão interessantes quanto o vivido por Nilda Aparecida de Souza, 52 anos, que recebeu um rim de um suicida. Há 32 anos casada com o atual presidente da Associação dos Moradores da Vila Cachoeirinha, José Pigari com quem teve cinco filhos, sendo cinco mulheres e um homem, Nilda de Souza contou à folha de dourados sua história de doente renal, que começa no início de 2001, quando fortes dores a levaram a descobrir a doença e quando começou a espera na fila de transplante.
 
Depois cinco anos de sofrimento e de milhares sessões de hemodiálises sempre amparada pelas enfermeiras e pelo médico Antônio Pedro na Clinica do Rim, e já sem esperança de arrumar um doador, na tarde de 19 de dezembro Nilda de Souza recebeu um telefonema em sua casa, onde um enfermeiro mandou ela se preparar, pois iria ser levada para Campo Grande para ser submetida ao transplante, pois havia um rim que era compatível ao seu organismo, que tinha sido doado por uma família de Maracajú.
 
Já em Campo Grande, Nilda de Souza conta que um dos rins doados, que seria de um adolescente de 17 anos que havia se matado em Maracajú, seria dela enquanto o outro iria para uma mulher residente na capital. “O que eu recebi está aqui comigo, infelizmente a mulher que recebeu o outro não teve a mesma sorte, pois o organismo dela rejeitou”, diz emocionada Nilda de Souza agradecendo a Deus pelo fim de seu drama, e em especial a família do adolescente, que decidiu doar seus órgãos.
 
Nilda de Souza conta que após ser submetida ao transplante, uma cirurgia que durou pouco mais de 10 horas sob o comando da médica Tais Vendas, ela permaneceu por 17 dias em recuperação na Santa Casa, e após receber alta hospitalar, agora a cada dois meses faz exames preventivos no HU (Hospital Universitário) de Dourados e envia para a médica os resultados para que ela possa fazer a avaliação do funcionamento do rim implantado.
 
“Agradeço a Deus, as enfermeiras e aos médicos Antônio Pedro, Odailton e Luiz Eduardo, todo o acrinho que eles deram para mim quando tinha de comparecer na clínica para fazer as hemodiálises”, diz Nilda de Souza dizendo que sua vida hoje é outra, sem dor, só alegria por ter recebido um dos rins de um adolescente, que segundo ela, por razões que desconhece, decidiu colocar fim na vida dele, porém deu uma nova oportunidade de vida para ela findar o seu sofrimento. “Seria muito bom se todos os seres humanos doassem seus órgãos, principalmente os rins, pois isso ajudaria em muito aquelas pessoas que sofrem constantemente quando são submetidas a hemodiálises”, finalizou a transplantada.      

Fonte: Folha de Dourados

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