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Relatório culpa usinas pelo aumento do trabalho escravo

Estado – 15/04/2008

Aposta dois dois últimos governos de Mato Grosso do Sul para o desenvolvimento da economia estadual, a indústria da cana-de-açucar é apontada como a vilâ responsável pelo aumento dos casos de trabalho escravo no Estado, em um documento divulgado nesta terça-feira em Brasília pela CPT (Comissão Pastoral da Terra), ligada à Igreja Católica. Pelos dados, baseados nos registros oficiais do Ministério do Trabalho e Emprego, foi em solo sul-mato-grossense que se registrou a pior situação de exploração de trabalhadores em 2007 no País, com 1,6 mil resgatados de condições análogas à de escravidão, um número superior em quase trinta vezes ao de 2006, quando 29 pessoas foram resgatadas em condições semelhantes.
O relatório da CPT, intitulado “Conflitos no Campo 2007”, aponta que, no País, houve um aumento do número de denúncias envolvendo trabalhadores em situação de exploração, de 6930 em 2006 para 8653 no ano passado e também dos que foram retirados dessas condições, de 3,6 mil no ano anterior para 5,9 mil no ano passado. Desse total de 2007, Mato Grosso do Sul foi responsável por 27% dos registros, o que confirma a gravidade do quadro em nível estadual. Em boa parte dos casos, as vítima são indígenas, mão-de-obra comum nas usinas e plantações de cana-de-açúcar.
No Centro-Oeste, os casos de trabalhadores sul-mato-grossenses em situação irregular representam 67% dos registros, conforme o documento da CPT. Na região, foram resgatados no ano passado 2409 trabalhadores, um total 284% maior. O número de denúncias cresceu de 29 para 43. Em MS, elas passaram de três casos, em 2006, para 13 em 2007, envolvendo 11 cidades.
Usinas – Em sua maioria expressiva são relacionadas a trabalhadores de usinas e plantações de cana. Não é à toa. O Estado teve um dos maiores aumentos na produção de cana na última safra, estimado em 30%, e neste setor que estão sendo colocadas as principais fichas pelas autoridades, inclusive com a expectativa de virar exportador, caso se concretize o projeto de implantação de um álcoolduto ligando ao Porto de Paranaguá.
As ocorrências de problemas envolvendo as empresas do setor e os empregados têm sido freqüentes. Nesta semana, por exemplo, trabalhadores da Usina Quebra-Coco, uma das mais antigas do Estado, em Sidrolândia, estão em greve, alegando problemas para receber os salários.
Ao divulgar o documento hoje, a CPT aponta que 52% das pessoas resgatadas em condições de escravidão saíram das usinas do setor sucroalcooleiro. Dos casos de desrespeito à legislação trabalhista registrados pela CPT, o setor ocupa a primeira colocação.“Isso tem a ver claramente com o aumento das exportações de etanol e cana-de-açúcar”, avaliou o geólogo da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e analista da CPT, Carlos Walter Gonçalves. “A violência do poder privado, das empresas, está crescendo com o aumento da exportação de commodities”, define.Culpa compartilhada – O conselheiro da CPT e ex-presidente da comissão, dom Tomás Balduíno, criticou as três esferas do Poder Público pelo crescimento do trabalho escravo. “O Executivo solta verbas para essas empresas. Onde está a PEC [projeto de emenda à Constituição] que confisca terras de quem utiliza mão-de-obra escrava? O Judiciário é campeão em indústria de liminares a favor do grande e contra o pequeno”, questionou.O documento foi apresentado no acampamento de trabalhadores rurais montado para o lançamento da Campanha pelo Limite da Propriedade da Terra, no estádio Mané Garrincha. O texto também traz dados sobre violência no campo no País no ano passado.
 
 

Fonte: Campo Grande News

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