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Ranchos e Marchas de Rancho

Tons – 11/09/2007

Ontem demos início à nossa coluna falando do Choro, de uma forma um tanto breve. Hoje, continuamos a revisitar a história da MPB, lembrando gêneros que já fizeram a alegria de muita gente, tanto pela sua linha melódica, quanto pela coreografia que acompanhava esses ritmos. Agora, com vocês, os Ranchos e Marchas de Rancho.
O rancho era uma dança ou folguedo que surgia na Bahia, na época compreendida entre Natal e Reis. Levava-se um presépio até a Lapinha, com um acompanhamento de balizas, porta-machados, porta-bandeiras e mestre-sala, que variavam conforme o rancho, e recolhiam-se esmolas de casa em casa. A música compõe-se de melodias portuguesas e chulas baianas, com influência africana. A dança é um lundu sapateado. Hoje em dia, não mais existe com essas características. As marchas de rancho começaram com música produzida por grupos predominantemente de sopro das orquestras dos ranchos carnavalescos dos fins da primeira década do século vinte, com ritmo mais dolente do que as marchas comuns e um maior desenvolvimento da parte melódica. Nos fins da década de vinte, começam a ser feitas por compositores profissionais e a primeira marcha-rancho de que se tem notícia é a “Moreninha”, de Eduardo Souto, gravada com acompanhamento de coro, em 1927, no disco Odeon n.º 123.208.
 
Eduardo Souto
Compositor e regente, nasceu em Santos (ou São Vicente), SP, no dia 14/4/1882 e morreu no Rio de Janeiro, RJ, no dia 18/8/1842.
Aprendeu tocar piano criança e aos onze anos foi para o Rio de Janeiro onde estudou com o professor Carlos Darbilly. Com 14 anos compôs a sua primeira valsa, Amorosa.
Em 1902 abandona a Escola Politécnica e emprega-se no Banco Francês onde fica até 1917
Em 1919 que começa a ficar famoso pelo seu fado-tango, O despertar da montanha.
Bom orquestrador, regeu música sinfônica no Rio e em São Paulo. Organizou conjuntos, orquestras e foi o fundador do Coral Brasileiro do qual fizeram parte Bicu Sayão, Zaíra de Oliveira e Nascimento Filho.
Para o carnaval de 1920 compõe a marchinha Pois não, gênero pioneiro, junto com O pé de anjo de Sinhô. Seu maior sucesso foi sem dúvida o Tatu subiu no pau.
Neste mesmo ano foi designado pelo governo a organizar o programa musical de recepção aos reis da Bélgica, em visita ao Brasil.
Foi proprietário da loja de música Casa Carlos Gomes, onde divulgava através do piano as suas composições.
Foi diretor artístico da Odeon e sua subsidiária, a Parlophon. Compôs o Hino a João Pessoa (com Osvaldo Santiago), Gloriosa, hino do Botafogo Futebol Clube e ainda o Hino à Legião Mineira.
A partir de 1932, seu nome ficou sendo esquecido e voltou a trabalhar como contador no Banco do Comércio. Passou a sofrer uma doença nervosa e faleceu em 1942 na última de suas consecutivas internações.
Em 1958, seu filho, o pianista Nélson Souto, gravou um LP com suas composições.

Principais sucessos:

A saudade, Eduardo Souto e Bastos Tigre (1932)
Nuvens, Eduardo Souto
O despertar da montanha, Eduardo Souto e Francisco Pimentel (1919)
Olhos fatais, Eduardo Souto e João de Barro (1931)
Pai Adão, Eduardo Souto1924.
Palpite, Noel Rosa e Eduardo Souto (1932)
Pemberê, Eduardo Souto e João da Praia (1921)
Pois não, Eduardo Souto e João da Praia (1920)
Primavera, Eduardo Souto e Benedito Lopes
Tatu subiu no pau, 1923.  
 

Fonte: Folha de Dourados

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