Radioterapia pode curar lesão na espinha
Pesquisa – 24/07/2007
Pesquisadores americanos que usaram uma combinação de radioterapia e microcirurgia conseguiram curar lesões na espinha de ratos — ferimentos similares aos que podem deixar pessoas paraplégicas ou tetraplégicas após um acidente de carro, por exemplo. A pesquisa traz esperanças de que essas duas técnicas tradicionais sejam capazes de evitar que seres humanos fiquem permanentemente paralisados após acidentes.
A pesquisa está na revista científica de acesso gratuito “PLoS One” (www.plosone.org). O trabalho foi coordenado por Nurit Kalderon, pesquisadora do Instituto Sloan-Kettering de Pesquisa do Câncer, em Nova York. O grande problema de lesões na medula espinhal é que o dano acaba sendo progressivo. Embora a espinha lesada tenha a capacidade de regenerar o ferimento nos primeiros dias após a lesão, certas células acabam bloqueando essa tentativa de recuperação mais tarde. O único jeito de deter isso é fazendo uma intervenção logo após o acidente. Na pesquisa, Kalderon e seus colegas induziram uma lesão severa, semelhante a uma contusão ou fratura grave em humanos, na medula espinhal de ratos de laboratório. Nesse tipo de lesão, a situação piora por causa de um inchaço, gerado por fluidos que vêm dos vasos sangüíneos danificados. Por isso, embora a radioterapia fosse capaz de eliminar as células que impedem a regeneração, nenhum benefício concreto surgiu. Foi aí que os pesquisadores decidiram fazer uma série de microcortes no centro da espinha lesada, como forma de permitir que o fluido saísse da região afetada. Depois, administraram a radioterapia. O processo duplicou a capacidade do organismo de recuperar a área lesada e permitiu que os roedores voltassem a se movimentar após uma espécie de fisioterapia.
“Essa pesquisa traz esperanças de que a paralisia pode realmente ser evitada ou reparada com uma combinação de terapias convencionais que agem no momento da lesão”, disse Kalderon em comunicado oficial.
Fonte: Do G1, em São Paulo



