Quem sumiu com
Policial – 24/03/2008
Além do assassinato de “Azola do Burro” que até hoje não teve a sua autoria e suposto mandante punidos pela lei, um outro caso que adormeceu e provavelmente se encontra arquivado por falta de provas, é o misterioso sumiço do líder comunitário do Distrito de Itahum e na época forte candidato a uma das 17 vagas da Câmara Municipal nas eleições de 1.992, José Eduardo Canuto Estolano, o “Perequeté”, ocorrido em meados de março daquele ano, naquela comunidade que fica a 60 quilômetros de Dourados.
De origem humilde e morando em uma casa simples junto com sua filha, na época uma adolescente, o sumiço de “Perequeté”, que estava praticamente eleito segundo pesquisas, segundo informações após ele ter saído supostamente embriagado de uma lanchonete de Itahum, mudou o curso político da convenção do PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), quando realizada em março de 92 a convenção para a indicação de quem seria o candidato a prefeito do partido.
Na disputa pelos votos dos convencionais, na época entraram o então deputado estadual Valdenir Machado e o secretário de obras do prefeito Braz Melo, Antônio Nogueira.
FIÉL ESCUDEIRO
Com a ausência de “Perequeté”, que afirmava dar seus votos -ele tinha dois, um por ser membro e outro por ser da executiva do partido- ao hoje ex-deputado, Valdenir Machado perdeu a convenção por um voto -28 a 27- e revoltado com o fato, ele abandonou a sigla e foi dar apoio a Humberto Teixeira, do PRN (Partido da Renovação Nacional), que mesmo desgastado pelo efeito Collor de Mello em todo o país, acabou vencendo a eleição por uma boa margem de votos.
Por telefone, Valdenir Machado disse à reportagem que, caso “Perequeté” comparecesse na convenção, ele seria o candidato a prefeito, pois dois dias antes o líder comunitário havia mantido contato com ele em seu escritório político e dado à palavra de que iria votar em sua pessoa.
“Com certeza os votos de Perequeté daria a mim o direito de disputar e quem sabe vencer a eleição para prefeito na época, pois ele era um dos meus fieis escudeiros no partido”, disse o ex-deputado lamentando que até os dias atuais ninguém soubesse explicar o sumiço do líder comunitário que era considerado por ele como um grande amigo. “Entendo que o sumiço do Perequeté não teria vinculo com a convenção para a indicação de quem seria o candidato a prefeito do PMDB, mais sim, provavelmente pela disputa de liderança em Itahum, pois pelo que saiba, ele nunca fez nada de mal para ninguém, pelo contrário, só praticava o bem e eu como deputado sempre lhe ajudava”, disse Valdenir Machado à reportagem ainda consternado pelo sumiço do líder comunitário.
Comandadas por pelo menos três delegados de Polícia Civil na época, às investigações sobre o sumiço de “Perequeté” que hoje empresta seu nome a escola municipal de Itahum, diversas buscas pela região para encontrar o corpo, suspeitas de autores e supostos mandantes, denúncias vazias que somente levaram a polícia a lugar nenhum, e até mesmo o sepultamento do corpo de um assaltante no cemitério daquela comunidade como sendo do líder comunitário foi feito, no entanto, até os dias atuais o mistério persiste principalmente para a filha; para os familiares e amigos dele, e os autores continuam impunes.
Quando do registro do sumiço de “Perequeté” elaborado pela filha dele no 1ºDP (distrito policial) após 24 horas do fato, dias depois um cadáver já em adiantado estado de decomposição foi localizado na região da rodovia que dá acesso a Itahum e foi encaminhado ao antigo necrotério do cemitério Santo Antônio de Pádua para uma eventual identificação.
UNHA DO PÉ
Com a localização do cadáver, a polícia levou a filha do líder comunitário até ao local e ela através de uma das unhas da vítima teria supostamente identificado à vítima como sendo do seu pai, porém dias depois se constatou que não era ele, mais sim de um assaltante que era procurado pela polícia do interior paulista.
Após este episódio, o suposto “Perequeté” foi sepultado com honras no cemitério de Itahum, oportunidade em que alguns meses depois após ser submetido à exumação foi constatado de que os restos mortais da vítima era mesmo o suposto assaltante paulista.
Com essa constatação de que o corpo era do assaltante, assim como “Perequeté” a polícia douradense também não tinha até os dias atuais a autoria de que forma morreu, uma vez que ao ser encontrado o mesmo estava em adiantado estado de decomposição.
Para finalizar, no Distrito de Itahum o líder comunitário tinha como adversários políticos, o então fazendeiro José Luiz do Itahum, o “Zé do Itahum”, pelo PRN -que acabou se elegendo-, e pelo PT (Partido dos Trabalhadores), o candidato Eiji do PT. Independente dos fatos que legitimou o “sumiço” do líder comunitário cabe aqui uma simples perguntas para as autoridades policiais e principalmente à Justiça.
“A quem interessava na época a morte do líder comunitário. E se ele foi realmente assassinato, porque os autores não deram o direito para a sua filha -e a sua família- de velar e sepultar com dignidade o corpo de seu pai, e por último, porque casos como este acaba caindo no esquecimento principalmente por parte das autoridades policiais e judiciárias”, eis aí um fato questionado por diversos moradores tanto do Distrito como de Dourados sobre o misterioso episódio que até os dias atuais permanece sem uma resposta concreta sobre o que realmente aconteceu com o líder comunitário.
Fonte: Folha de Dourados



