Quase duas toneladas de alimentos estragados e impróprios para consumo foram apreendidas em dois supermercados, na manhã da última segunda-feira (26). Os donos dos estabelecimentos foram presos em flagrante.
Os nomes dos presos não foram divulgados e, portanto, o g1 não conseguiu contato com as defesas.
A fiscalização nos mercados foi feita pelo Ministério Público do Acre (MP-AC), em parceria com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Instituto de Proteção e Defesa do Consumidor do Acre (Procon-AC) e as políciais Militar (PM-AC) e Civil.
Ao g1, o promotor substituto da Comarca de Sena Madureira, Wanderley Wanzelle, disse que o órgão recebeu denúncias sobre a comercialização de mercadorias estragadas nos mercados. Em um dos supermercados foram apreendidos mais de 450 quilos de carne bovina e suína, peixe, embutidos, ovos, açaí e leite.
“Inclusive, tinha veneno de rato junto com leite para crianças. Tinha um pacote de veneno aberto na prateleira acima do leite. É uma completa falta de sensatez e de humanidade com as pessoas de Sena Madureira. Demos voz de prisão em flagrante para o dono do estabelecimento e encaminhamos para a delegacia para os trâmites legais”, explicou.
‘Parecia um necrotério’
Em outro supermercado, um dos maiores do município, o promotor contou que as equipes fizeram a maior apreensão de carne estragada na cidade: mais de 1,4 toneladas. Segundo Wanzelle, além de estragada, parte da carne era armazenada no chão com lavas e moscas.
“A carne estava totalmente podre, a maioria era carne bovina, mas tinha suína também e peixe. Também prendemos o dono em flagrante. Essa operação foi muito importante porque era um verdadeiro atentado o que estavam fazendo com a saúde pública”, ressaltou.
O promotor revelou ainda que um dos funcionários do estabelecimento confessou que parte da carne estragada seria usada para fazer linguiça.
“Ele disse: ‘A gente aproveita as carnes para fazer linguiça. Botamos um tempero, moemos e sai muito boa. Consumidor nem percebe’. Não sou eu que estou dizendo e nem a vigilância, foi um dos funcionários que confessou. Lá parecia um necrotério”, lamentou.
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Operação apreendeu carne bovina, suína, peixe e demais alimentos estragados — Foto: Arquivo/Ministério Público do Acre
Wanderley Wanzelle destacou que o objetivo era fiscalizar outros mercados nesta segunda, contudo, não foi possível por conta da logística para retirar os alimentos estragados dos estabelecimentos. Foi necessário usar uma carreta para o transporte.
“Mas, vamos continua, juntamente com a polícia, vigilância, Procon, para fazer essas diligências e evitar esse tipo de crime. Isso é infração administrativa, mas também é crime e podem responder por uma ação cível para que se paguem danos morais coletivos à sociedade porque a venda dolosa de material impróprio para consumo constitui grave dano à saúde pública”, finalizou. (Informações g1)


