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Protestos marcam fim do Governo

Região – 13/10/2007

Protestos, vaias, invasão da Governadoria. Os últimos meses do segundo Governo de Marcelo Miranda em nada lembravam a euforia que tomou conta da população, que em 1986 deu a ele vitória esmagadora contra Lúdio Coelho na corrida pela sucessão do governador Wilson Barbosa Martins.
O Governo foi iniciado com garra, os salários eram pagos em dia, mas, segundo Marcelo, um plano de isonomia salarial criado para organizar os gastos do Estado acabou gerando déficit e atrasando pagamentos. O resultado foi uma greve pontuada por protestos, quebra-quebra e pela adesão de todos os setores do funcionalismo.
O estopim aconteceu no dia 14 de fevereiro de 1991, a um mês de Marcelo entregar o Governo para Pedro Pedrossian, o novo governador do Estado.
Naquele dia, uma manifestação de servidores teve início com ato público organizado na Praça Ary Coelho. Participavam entidades de classe do funcionalismo, partidos de esquerda e o então deputado estadual José Orcírio dos Santos. Os manifestantes lotaram oito caminhões e seguiram em direção à Governadoria. Chegando lá, receberam a informação de que Marcelo havia deixado o prédio. No lugar do governador, foram recebidos pelo pelotão de choque da Polícia Militar. Na tentativa de invadir a Governadoria, manifestantes entraram em confronto com a polícia e reduziram a porta do prédio a estilhaços de vidro. O saldo foram quatro feridos, entre eles um policial atingido por uma pedrada na testa.
A insatisfação ia do baixo ao alto escalão. Marcelo precisou recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender a decisão do Tribunal de Justiça, que por causa de uma ação movida pela Associação dos Magistrados de Mato Grosso do Sul (Amamsul) bloqueou as contas do Estado por causa do atraso do duodécimo do Poder Judiciário.
A raiz do descompasso financeiro, segundo o ex-governador, foi o plano de isonomia salarial criado em seu Governo. “Atrasei porque no final da administração eu estava fazendo uma isonomia salarial dos três poderes. Por quê? Eu tinha um motorista do Tribunal de Justiça que ganhava duas ou três vezes mais do que o motorista do Executivo. Então eu achava isto injusto. E pedi ao secretário de Administração que fizesse uma isonomia dos três poderes. É motorista na Justiça, na Assembléia, no Executivo, então tem que ser igual”.
Mas a isonomia que deveria resultar em economia para o Governo acabou aumentando o valor da folha salarial. “E eu, com a receita só do mês, eu não dei conta de saldar esta dívida”, justificou. (Correio do Estado).

Fonte: Folha de Dourados

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