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Proteína que acelera o desenvolvimento do Alzheimer é identificada

Pesquisadores identificaram um mecanismo que pode ajudar a explicar como o Alzheimer avança pelo cérebro. O estudo, publicado na última segunda-feira (29/6) na revista Cell, mostra que uma proteína chamada Arc auxilia no transporte da proteína tau alterada entre neurônios, favorecendo a propagação da doença. A pesquisa foi liderada por cientistas da Universidade de Utah, nos Estados Unidos.

Como a tau se espalha

A proteína tau faz parte do funcionamento normal dos neurônios. No Alzheimer, porém, ela sofre alterações, formando aglomerados que comprometem a comunicação entre as células nervosas e levam à morte dos neurônios.

Há anos os cientistas sabem que a tau alterada se espalha pelo cérebro conforme a doença evolui, mas ainda faltava compreender com detalhes como esse processo acontecia.

Os experimentos do estudo citado mostraram que a proteína arc se liga diretamente à tau e ajuda a “empacotá-la” em pequenas estruturas chamadas vesículas extracelulares.

As vesículas funcionam como pequenos “pacotes” liberados por um neurônio e captados por outro. Ao chegar a uma célula saudável, a tau alterada passa a induzir a formação de novos aglomerados, permitindo que a doença avance para outras regiões do cérebro.

Por ser uma doença que tende a se agravar com o passar dos anos, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar o avanço. Portanto, ao apresentar quaisquer sintomas da doença é fundamental consultar um especialista  Apesar de os sintomas serem mais comuns em pessoas com idade superior a 70 anos, não é incomum se manifestarem em jovens por volta dos 30. Aliás, quando essa manifestação “prematura” acontece, a condição passa a ser denominada Alzheimer precoceNa fase inicial, uma pessoa com Alzheimer tende a ter alteração na memória e passa a esquecer de coisas simples, tais como: onde guardou as chaves, o que comeu no café da manhã, o nome de alguém ou até a estação do anoDesorientação, dificuldade para lembrar do endereço onde mora ou o caminho para casa, dificuldades para tomar simples decisões, como planejar o que vai fazer ou comer, por exemplo, também são sinais da manifestação da doençaAlém disso, perda da vontade de praticar tarefas rotineiras, mudança no comportamento (tornando a pessoa mais nervosa ou agressiva), e repetições são alguns dos sintomas mais comuns

A equipe comparou modelos de camundongos com Alzheimer que produziam a proteína arc com outros modificados para não produzir a proteína. Nos animais que possuíam a arc, as vesículas extracelulares carregavam grandes quantidades de tau e conseguiam transmitir a proteína para outros neurônios.

Já nos camundongos sem arc, as vesículas continham muito menos tau e praticamente perderam a capacidade de espalhar a alteração entre as células cerebrais.

Ao mesmo tempo, os pesquisadores observaram outro efeito importante: sem a arc, a tau tóxica passou a ficar acumulada dentro dos próprios neurônios, acelerando a morte celular.

Segundo os autores, o resultado mostra que a proteína exerce um papel duplo: contribui para a propagação da doença, mas também ajuda a eliminar parte da tau acumulada nas células doentes.

Os cientistas também identificaram a arc e tau nas mesmas vesículas em amostras de tecido cerebral humano, sugerindo que mecanismo semelhante pode ocorrer nas pessoas.

Ainda assim, eles ressaltam que a maior parte das evidências foi obtida em modelos animais e que novos estudos serão necessários antes que a descoberta possa resultar em um tratamento.

Compreender como a tau é transportada entre os neurônios pode abrir caminho para terapias capazes de interromper a progressão do Alzheimer. A ideia, segundo os pesquisadores, não seria bloquear completamente a proteína arc, mas desenvolver formas de impedir que as vesículas contendo tau tóxica cheguem às células saudáveis.

(Informações Metrópoles)

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