Profissionais ainda estão ‘engasgados” com decisão do STF
Diploma de jornalismo – 18/06/2009
A maioria dos profissionais entrevistados esta manhã pela redação do jornal Dourados News sobre a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) com relação à exigência do diploma para jornalistas disseram que ainda estavam engasgados com o fato. É tanta coisa que nem sai, diz assessora de Comunicação da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) e mestre, Maria Alice Campagnoli Otre. Ela explica, porém, que mesmo com a não obrigatoriedade, as empresas contratarão pessoas com diploma. Até porque ter que ensinar o q é um lead, editor nenhum quer mais, diz ela. Maria Alice acredita que os alunos estão conscientes e, como professora, deve reforçar a necessidade de articulação dos jornalistas, inclusive em favor da sociedade. Nós defendemos a liberdade de expressão, defendemos a comunicação como direito humano e defendemos a formação ética acima de tudo, diz. Ela afirma ainda que em um momento em que todos pedem por democratização da informação e ética na comunicação, pior seria o enfraquecimento da categoria. Segundo ela, os magistrados alegaram que o jornalismo não traz riscos à coletividade, mas histórias contadas de maneira distorcida, ficarão como registro histórico e já destruíram a vida de pessoas. Como uma entidade chamada de quarto poder não afeta a coletividade?, indaga. De acordo com a professora, a decisão vai contra o fluxo da evolução profissional. Maria Alice lembra ainda o exemplo dos mototaxista, que poderão ter a profissão regulamentada, assim como DJs e até mesmo dubladores. Mesmo assim, estou certa de que o curso superior em jornalismo não foi nem nunca será perdido… Eu espero que a sociedade enxergue isso e lute para reverter essa situação ou continuaremos legitimando o poder monopolizado dos donos da mídia no país, explica a professora. Segundo o presidente da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), Sérgio Murillo de Andrade, no site da organização, o relator teve uma expressão das posições patronais e entregou às empresas de comunicação a definição do acesso à profissão de jornalista. Para Dilermando Alves, formado no ano passado, mas já trabalha há anos na área, o que se deduz, pela decisão do STF, é que a situação está mesmo nas mãos das empresas de comunicação. Vai depender da sociedade exigir informação jornalística de qualidade, conclui. Já o coordenador do curso de jornalismo da Unigran, Bruno Barreto, diz que a decisão do STF não muda nada nas faculdades. Ele mostra como exemplo o curso de Publicidade, onde não é necessário diploma, mas que, na prática, as pessoas contratam apenas com formação. Segundo ele, hoje não funciona como antes, quando a redação era uma escola. As empresas não querem fazer recrutamento, diz. O problema, para Bruno, será para a classe, organização dos sindicatos, conselhos, já que, agora, eles terão de arrumar uma forma para coordenar as medidas, como o piso salarial em cada região. O coordenador conta que o Brasil seguia na contra mão de outros países com a exigência do diploma e a preocupação é apenas no momento. Na época do Regime Militar foi exigido o diploma para que os intelectuais fossem tirados de cena e hoje a situação é outra. Essa decisão abriu uma brecha para que não seja exigido diploma em outros curso, como por exemplo Direito, explica o coordenador. Sou favorável ao diploma, mas a situação deve se normalizar, conclui. De acordo com o site da Fenaj, os jornalistas, por meio dos sindicatos, além de prosseguir com o movimento pela qualificação da formação em jornalismo, a luta pela democratização da comunicação, por atualizações da regulamentação profissional e mesmo em defesa do diploma serão intensificadas. A executiva se reúne hoje, às 13h, para avaliar novas estratégias.
Fonte: Dourados News



