Professora assume cargo após 16 anos
Dourados – 20/05/2009
justiça tarda mais não falha. Com esse ditado popular a professora Nelsi Ferreira Vasconcelos conseguiu na justiça depois de 16 anos assumir o cargo de coordenadora pedagógica na Escola Municipal Clori Benedetti de Freitas, no bairro Jockei Clube. Ela é aprovada no concurso público da Prefeitura de Dourados.O concurso ocorrera no final de 1992, quando o então prefeito Braz Melo lançou edital de vagas na área da educação. Vários cargos foram ofertados, entre eles o de coordenador pedagógico, fazendo Nelsi passar horas a estudar para conquistar o grande sonho, que se tornou em pesadelo. Ela chegou a assumir a coordenação da Escola Clori, mas foi retirada do cargo por forças políticas.No ano de 1993, meses depois de assumir a função, Nelsi conta que ela e dezenas de colegas aprovados no concurso foram exonerados sem nenhuma explicação. O prefeito era o Humberto Teixeira. “A única alegação que nos repassaram é que todos as pessoas empossadas pela segunda etapa do concurso deveriam abandonar suas funções”, relata. Foram duas etapas. Candidatos da primeira permaneceram nos cargos.Protestos foram feitos na época na Praça Antônio João. Coordenadores, assistentes administrativos e professores ficaram desempregados com a mudança de governo. Nada adiantou. Sem solução, os funcionários exonerados procuraram um advogado e moveram ação civil coletiva. O tempo passou, passou e o sonho de voltar a assumir o concurso se perdeu no tempo, no espaço. Nelsi é formada em Pedagogia e sempre teve objetivo de ser funcionária pública. O pesadelo que passou junto aos colegas desestimulou ela, que posteriormente fez outros concursos, sem êxito. “Foi muito difícil. De profissional concursada passei a fazer bicos nas escolas”, revela.Ela lembra que vários foram as escolas por onde lecionou em curta temporada, pois nunca se sabia se os contratos seriam renovados. Na época a professora passava por grandes dificuldades financeiras e via no concurso a oportunidade de melhorar a vida e criar os três filhos que tinham 8 anos (meninas gêmeas) e 10 anos, o rapaz.Divorciada, Nelsi Ferreira conta que a vida foi muito difícil. Para melhorar a renda da família trabalhou com decoração de festas, vendas de roupas e confecção de bolo. “Foram 16 anos de muita luta, sacrifício e agora respiro aliviada”, disse ela, contente em reassumir o cargo que sempre esteve aberto.Em 20 de setembro de 2008 teve uma surpresa. Enquanto ouvia o rádio recebera o comunicado do locutor de que o processo ingressado em 1993 tinha sido finalizado e o seu nome e dos demais colegas que moveram ação estavam numa lista para ser convocados a assumir as funções.“Foi uma surpresa. Nem mais pensava nesse concurso, tampouco recebi comunicado de como andava o trâmite dos processos”, conta a professora.A vitória dos concursados foi conquistada na terceira instância. Após anos de briga na justiça o advogado Willian Maia Cabral conseguiu reverter a situação e devolveu aos clientes o direito de assumir os empregos.“Talvez isso seja uma prova divina por todas as dificuldades que passei com minha família. Nunca tive décimo terceiro, férias e nunca pude honrar datas comemorativas do ano com meus filhos”, disse emocionada enquanto dava entrevista. Os filhos já estão adultos, casados e Nelsi Vasconcelos comenta que os presentes nunca oferecidos aos filhos agora podem ser dados aos netos. A professora se recorda que cerca de 15 pessoas foram exoneradas do cargo naquela época e que além dela outros três profissionais assumiram suas funções em dezembro passado.Há cinco meses como coordenadora pedagógica, Nelsi Ferreira Vasconcelos vive a esperança de ter a vida profissional mais segura aos 49 anos. “Demorou mais valeu a pena”, ressalta. Agora, o advogado briga na justiça para conseguir todos os abonos que os clientes deixaram de receber nesses 16 anos. Com informações do Dourados Agora.
Fonte: Folha de Dourados



