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Produto de furto e roubo não passa de 40 reais nas

A constatação pode ser feita através de um diálogo que a reportagem teve com um usuário de pedra de crack

Desvalorização – 23/09/2009

Waldemar Gonçalves – Russo  
      A reportagem em contato ontem à noite com um usuário de pedra de crack apurou que o produto de furto, quando o ele ocorre na ausência da vítima e de assalto, este último mediante o emprego de ameaça e uso de arma de fogo ou branca, não passa de 40 reais nos pontos de vendas de drogas.
      A constatação pode ser feita através de um dialogo que a reportagem teve com “Marcos” (nome fictício) nas proximidades do Bar Pingüim, na avenida Marcelino Pires, por volta das 23h50 de ontem, após o rapaz abordar o jornalista para pedir um cigarro e a quantia de um real.
      De acordo com “Marcos” que alega ser usuário de maconha e crack há cerca de três anos, um pacote de arroz de cinco quilos por exemplo, vale no máximo uma pedra no ponto de droga, assim como, um ferro elétrico de qualquer marca não passa de três pedras.
      “Marcos” diz que um DVD de qualquer marca, mesmo que seja tipo exportação e televisão à cores são os produtos que mais rendem para os usuários de drogas. “Um DVD vale cinco pedras irmão. A TV dependendo do estado em que ela entra na boca chega a valer até oito pedras”, afirma o usuário lembrando que se fosse comprar às oito pedras, o valor delas não ultrapassa 40 reais, caso ela ser vendida a cinco reais a unidade.
      Ainda segundo o usuário, objetos como relógio; aparelho de celular; bicicleta e jóias pequenas alcançam no máximo o valor de três pedras por unidade.
      Dizendo nunca ter sido preciso furtar ou roubar para comprar drogas, o usuário admite que já fez dois tratamentos para parar com o vício, porém teve recaída e desde então não mais parou. “É triste dizer isso, mais não consigo parar com esta desgraça”, contou o rapaz que embora tenha a pintura de construção civil como profissão, afirma trabalhar em qualquer coisa para arrumar dinheiro para sustentar seu vício, e quando não consegue, recorre aos pedidos de hum real as pessoas que conhece ou aborda na rua. “Hoje estou duro, mais amanhã arrumo um trampo pra ganhar uns trocos para tomar uns goros e dar uns tapas na pedra”, disse o usuário com a maior simplicidade a reportagem.    
      O usuário após exemplificar os valores dos produtos que quer seja foram furtados ou roubados, adiantou que os principais pontos de vendas de drogas estão distribuídos nas regiões do Grande Itália; Flórida e também do Parque das Nações, porém, também há um grande número de fornecedores que fazem suas correrias na área central da cidade, principalmente nas proximidades da Caixa Econômica Federal e da Sanesul.
     De acordo com o que apurou a reportagem, a denominação “correria” se dá na gíria dos usuários, aos traficantes que se utilizam de motos; bicicletas e até mesmo a pé para vender suas drogas pela área central da cidade. “Muitos deles estão evitando montar boca fixa, porque ela suja a área muito rápida” disse o usuário antes de descer em sentido a Joaquim Teixeira Alves com o cigarro em uma das mãos e com uma moeda de um real no bolso de sua blusa de cor azul, porém encardida assim como a calça e as sandálias havaiana que estava em seus pés, também bastantes sujos.                    

Fonte: Folha de Dourados

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