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Primeiros estudantes cotistas vencem preconceito e se formam na UEMS

Vitória – 05/11/2007

Os primeiros estudantes a ingressarem na Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS) através do sistema de cotas receberão este ano o diploma de conclusão de um curso superior.  Assegurado pela aplicação da Lei 2.605/2003 que instituiu reserva de 20% das vagas oferecidas para estudantes negros e índios, o sistema de cotas da UEMS ainda é motivo de polêmica. Para o Movimento Negro e para lideranças indígenas do Mato Grosso do Sul, é uma vitória e um avanço social. Para outros, “uma ignorância”, como opina o advogado douradense Isaac de Barros.
 
Segundo o presidente do Conselho Municipal de Defesa e Desenvolvimento dos Direitos dos Afro-Brasileiros (Comafro), Vander Nishijima, o sistema de cotas quando estabelecido na UEMS causou impacto e indignação. “Muitas pessoas diziam que o processo veio de cima para baixo, que não foi discutido (…) hoje muitos professores que no começo foram absolutamente contra, até concluem seus trabalhos de pesquisa dizendo-se favoráveis ao sistema”, disse ele.
 
Para o advogado Isaac de Barros a universidade é uma necessidade de toda pessoa e uma forma de “conscientização” para o mercado de trabalho. Segundo ele, o sistema de cotas é uma contradição no que diz respeito à igualdade social. “Para mim, quem inventou o sistema de cotas é um completo ignorante, pois se somos todos iguais perante a Lei acaba sendo um desacato à igualdade”, disse Barros.

 
A aluna de Biologia Edna Aparecida da Silva é uma das cotistas que se formam este ano na UEMS. Em entrevista ao site Quarta Coluna ela disse que uma das maiores dificuldades do aluno cotista é assumir sua origem. “Na UEMS os alunos não se assumem cotistas, porque não tem formação para enfrentar os colegas, nem os professores; eles não têm motivo, mas é preciso um movimento legal para que possam assumir”, disse a estudante ao site.
 
Já o também estudante universitário Mateus Pereira Rebeque tem opinião contrária ao sistema de cotas da universidade. “Eu sinceramente acho que as pessoas que usam as cotas já estão sendo racistas, todos somos iguais sem distinção de cor, raça ou religião (…) se eu fosse negro me sentiria envergonhado de entrar para a universidade através do sistema de cotas”, enfatizou ele.
 
Para a professora efetiva da UEMS, Maria José de Jesus Alves Cordeiro, responsável pela implantação do sistema de cotas na universidade, diz que mais de 100 indígenas ainda resistem ao preconceito e continuam estudando. “Eles são descriminados, mas muitos deles resistem ao problema (…) eles são seres humanos como nós e merecem o nosso respeito e nosso incentivo para continuar estudando”, disse ela.
 
Segundo Maria José, muitos dos alunos indígenas sofrem discriminação até dentro dos ônibus que levam os alunos ao campus. “Eu já recebi um caso em que  universitários não deixaram uma estudante indígena sentar em um banco vago do ônibus por ela ser índia”, comentou, acrescentando que “a imagem que foi criada do índio é que ele é hostil, incapaz de viver em grupo pela sua liberdade, a língua e a integração no meio universitário também são barreiras enfrentadas pelos estudantes índios”, explicou Maria José.
 
Depois da Lei nº 2.589 que rege a implantação de 10% das vagas para índios nas universidades públicas o caminho para o acesso nas universidades virou uma realidade para a comunidade indígena. A UEMS oferece 10% de suas vagas para índios, a Unigran e a Uniderp através do governo federal oferecem o Programa Universidades para todos (Prouni) e a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) o curso voltado para indígenas guaranis e caiuás.

Fonte: Folha de Dourados

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