José Henrique Marques –

Um dia depois de instalada a CPI da Covid tem a primeira baixa. Na noite de ontem (06), a vereadora Liandra Brambilla (PTB) renunciou à relatoria da comissão parlamentar que pretende investigar a aplicação de cerca de R$ 55 milhões de recursos federais repassados ao município de Dourados, em 2020, para combater a pandemia.

Ela havia sido ungida à função mais importante da CPI por um grupo de vereadores formado às pressas para impedir que a relatoria ficasse com o vereador Marcio Pudim (DEM) ou com a vereadora Lia Nogueira (PP). Ambos têm manifestado interesse de ir fundo nas investigações, sem subterfúgios.

O “blocão do Sartori”, como, curiosamente, é denominado nos bastidores, articulado pelo secretário de Governo Henrique Sartori é formado por correlegionários da ex-prefeita Délia Razuk (sem partido) e do atual mandatário Alan Guedes (PP). A engenharia política tem como peças estruturais “espaços” cedidos aos vereadores na Prefeitura.

O interesse de Sartori em interferir no relatório que será debatido e votado no plenário, ainda no primeiro semestre deste ano, é impedir que Alan Guedes seja responsabilizado pela omissão de não ter fiscalizado o Executivo no exercício da presidência da Câmara, cargo que ocupou até o final do ano passado.

Sartori e Guedes também temem as consequências da aplicação indevida, já em 2021, de parte dos recursos para pagar salários de funcionários da Funsaud que não estão na linha de frente de combate a covid-19, que pode lhe custar, inclusive, o cargo.

Porém, a manobra contemporizadora e cautelar do prefeito e de seu secretário, tornar-se-a inócua caso vereadores de fora do tal blocão elaborem um relatório paralelo, que, mesmo fora do escopo da CPI, pode ser apresentado à sociedade e à imprensa, e depois encaminhado ao Ministério Público Federal.

O pensamento corrente entre a maioria dos vereadores, pelo menos por enquanto, é de que a CPI precisa dar respostas à sociedade, sob pena de desmoralização do Poder Legislativo com uma eventual rodada de “pizza” logo nos primeiros meses da atual legislatura.

Apesar de alegar problemas pessoais para renunciar à relatoria, o nome de Liandra ficou sob suspeição de seus pares já na sessão da Câmara, na segunda-feira (05), quando a CPI foi instalada. Ocorre que ela ocupou, entre 2017 e 2020, uma das diretorias da Funsaud durante a administração de Délia Razuk.

Ontem (06), havia movimentação para a apresentação de recursos internos de vereadores à Mesa Diretora e até a articulação de entidades da sociedade civil para impetrar um mandado de segurança coletivo na Justiça contra o presidente da Câmara, Laudir Munaretto (MDB), a fim de retirar a vereadora da função, judicializando o caso, o que é temeroso.

Com a saída de Liandra, é bem provável que Sérgio Nogueira (PSDB) assuma a relatoria para representar os interesses políticos do blocão e da Prefeitura.

Leia a seguir a nota de Liandra Brambilla, na íntegra:

Nota à imprensa

Eu vereadora Liandra da Saúde, venho a público comunicar a minha desistência da função de relatora da “CPI da Covid-19”, instaurada pela Câmara de Vereadores Dourados, primeiro por ouvir minha família, e prezar pela transparência dos atos públicos, e entendendo que a minha decisão fortalecerá o Legislativo que integro e respeito.

Informo, que a minha participação nesta CPI não foi por uma escolha minha, e sim, pelo bloco legislativo que faço parte, e friso ainda que todas as decisões da Câmara estão firmadas no Regimento Interno, sendo assim a mesa diretora tem o dever de seguir e cumprir suas normativas.

Agradeço a confiança conferida a mim, pelos meus colegas do bloco “Força Legislativa” ao me indicarem e entenderem que a minha participação seria necessária, devido a minha atuação profissional na área da saúde, e que a experiência que tivera outrora, contribuiria neste momento onde serão apurados possíveis divergências nos gastos relativos ao enfrentamento da Covid-19, no município.

Destaco que continuo a disposição e preparada para enfrentar todo e qualquer desafio pertinente ao meu mandato, mandato este confiado pelo povo douradense.

Na minha vida pessoal, nunca fugi de qualquer responsabilidade que me foi confiada, é esse declínio, não se assemelha a uma fuga, e sim, a um entendimento pessoal, sobre como poderia contribuir para elucidar as questões que serão suscitadas.

Agradeço a confiança conferida pelos meus pares, e principalmente, dos meus colegas do bloco Força Legislativa, que tem me dado toda sustentação necessária neste momento.

Acredito num Legislativo forte e transparente, desejo sucesso aos companheiros que  estarão nessa missão árdua de investigação, e que assim como eu, conduzirão da forma mais proba, ilibada e correta possível. Boa sorte, e que Deus nos abençoe e nos guarde sempre.

Dourados, 06 de abril de 2021.

Vereadora Liandra da Saúde – PTB

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