Pressão leva Artuzi a cometer erros graves
Prefeitável – 24/09/2007
O ditado popular de que “temos duas orelhas e uma só boca, justamente para escutar mais e falar menos” deveria pautar a conduta do deputado estadual Ari Artuzi (PMDB) nos derradeiros dias que definirão o seu futuro político. Líder absoluto nas pesquisas de opinião e sonhando ser o próximo prefeito de Dourados, o deputado anda nervoso com a aproximação de 5 de outubro, o prazo máximo para as acomodações partidárias àqueles que pretendem ser candidatos em 2008. E, pressionado, vem cometendo sucessivos erros que podem bani-lo da política, seja judicialmente ou com o veredicto das urnas.O drama começou com a filiação do deputado federal Geraldo Resende ao PMDB, também postulante à cadeira do prefeito Laerte Tetila (PT). Até então, principal ator da corrida sucessória de Dourados, Artuzi passou a desconfiar, e com razão, que seria preterido no processo. A partir daí, começou a cometer sucessivos erros letais a sua pretensão, demonstrando, que embora popular, não tem a tarimba e experiência necessárias para duelar com raposas do naipe de Resende.Inconformado com a influência do deputado federal dentro do PMDB do governador André Puccinelli, Artuzi foi ao ataque sem nenhuma estratégia, como uma metralhadora giratória, atirando para todos os lados. Falou cobras e lagartos de Resende, acusou Puccinelli de enrolá-lo, disse que vence mesmo sem o apoio do governador, ameaçou apoiar o PT, admitiu queda nas pesquisas, articulou a criação de um partido nanico, leva o PDT em banho-maria, enfim, parece estar sem rumo, praticando o anti-marketing.Para complicar mais ainda sua situação, disse na semana passada à imprensa da capital que Resende junto com o PT e o DEM articularam uma campanha difamatória para prejudicá-lo. Segundo Artuzi, “meus adversários não querem que eu seja candidato a prefeito e começaram a plantar na cidade que ficarei no PMDB para pegar dinheiro e desistir da candidatura”. É claro que a denúncia foi desmentida pelas partes. Ocorre que, infelizmente, acertos dessa natureza não são raros na política. É verdade que nos bastidores a hipótese é considerada. Mas como é um fato de extrema gravidade, não era público. Quem vazou foi justamente Artuzi, o último interessado neste tipo de conversa. E esse erro pode lhe custar muito caro.Pelo desenrolar dos fatos dá para supor que Artuzi é sim candidato, não pelo PMDB, mas provavelmente pelo PDT. Está ficando no mato sem cachorro: se desiste da candidatura vão dizer que foi comprado. Verdade ou não, pagará caro em 2010, quando buscar a reeleição. As urnas, os articuladores e os marqueteiros serão implacáveis.
Fonte: Folha de Dourados



