Ciro Gomes concorre pelo PDT e Simone Tebet pelo MDB - ESTADÃO

Celso Bejarano, do Correio do Estado –

Senadora Simone Tebet, do MDB sul-mato-grossense, não deu muito bola à fala do presidenciável Ciro Gomes (PDT), que acenou a ela, ontem, ao dizer que queria tê-la como vice por ela ser “diferente”.

A assessoria da senadora disse ter achado “bonito” e “elegante” o gesto do pré-candidato pedetista em elogiá-la, mas que a senadora mantém firme o propósito de disputar as eleições somente na condição de candidata maioral, isto é, concorrer à Presidência, apenas.

“Eu tenho uma pessoa dessas aí [da terceira via] que eu respeito muito. Ela é diferente. Ela não é uma viúva do bolsonarismo igual a [João] Doria [ex-governador de São Paulo]. Ela é uma pessoa que acho que vai ter um papel importante, que é a Simone Tebet”, afirmou Ciro Gomes, ontem de manhã, em entrevista à Rádio Bandeirantes, ao ser questionado sobre qual pré-candidato de terceira via ele aceitaria ter em sua chapa.

Terceira via é como chama a alternativa indicada pelas legendas MDB, PSDB, União Brasil e Cidadania para enfrentar os líderes nas pesquisas até aqui divulgadas, que apontam o ex-presidente Lula e o presidente Jair Bolsonaro (PL) como prováveis vencedores. 

De lado a dupla, o restante dos candidatos não alcança sequer dois dígitos nos levantamentos. O mais próprio de Lula e Bolsonaro é Circo, com sete pontos porcentuais.

No entanto, a 3ª via abalou-se com a saída do União Brasil, que anunciou que vai lançar uma candidatura solo.

Ainda em entrevista à Bandeirantes, segundo material publicado no Estadão, “Simone Tebet está sendo traída pelo próprio partido, porque Lula está corrompendo. Já está acertado com Eunício Oliveira e Renan Calheiros, os mesmos do esquema do escândalo do Petrolão”.

O dito por Ciro tem a ver com as articulações do senador Renan Calheiros (AL) e do ex-senador Eunício Oliveira, do MDB, acerca da pré-candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 

Parte dos emedebistas ainda não aceitou de vez a pré-candidatura de Simone e andam dizendo que preferem apoiar Lula já no primeiro turno.

Na quarta-feira, a terceira via, já sem o União Brasil, informou que vai manter a intenção de impulsionar a candidatura e que o nome sairá de um consenso a ser definido a partir da análise conjunta de pesquisas quantitativas e qualitativas encomendadas pelas legendas.

Até agora, o embate pela preferência envolve somente os nomes de Simone (MDB) e João Doria (PSDB). Na mais recente pesquisa, divulgada nesta semana, Simone aparece com 2,3 pontos porcentuais ante os 3,1% obtidos por Doria.

Na entrevista à emissora de rádio, Ciro reafirmou que mantém-se pré-candidato, embora uma corrente contrária: “O sistema me quer ver expelido. Ele não quer nem que eu tenha direito de falar. Exigem todo dia que eu tire a minha candidatura”.

NÃO É NÃO

O Correio do Estado conversou com a assessoria de imprensa de Simone para saber o que a senadora achava da sugestão apontada por Ciro Gomes, que deixou a entender que quer vê-la como vice.

A assessoria achou “bonito” e agradeceu os “elogios” de Ciro, mais reafirmou a intenção da senadora, que só concorda em disputar as eleições como candidata à Presidência.

A senadora passou uma espécie de procuração à presidência nacional do MDB, afirmando sua disposição em concorrer em outubro, mas com a imperiosa condição de disputar apenas como a candidata principal. 

Caso não concorrer à Presidência, ela prefere fazer campanha na rua, distribuir panfleto, como uma “cabo eleitoral do MDB”.

Simone e Doria travam queda de braço desde o início do ano. O ex-governador de São Paulo enfrentou prévias com o ex-governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite. Venceu, mas não convenceu grande parte dos tucanos.

Em discurso, Doria, duas semanas atrás, admitiu ser o vice de Simone. Já a senadora sul-mato-grossense não arreda o pé da disposição de disputar, mas desde que seja como candidata à Presidência.

SAIBA

O mandato de Simone expira no fim de janeiro. Se nada acontecer na corrida pela sucessão presidencial, ela fica sem mandato por, no mínimo, quatro anos.

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