Preço do leite pode subir 20%
Crise – 05/05/2009
O preço do litro de leite pode subir até 20% nos próximos dias em Dourados. A previsão é do presidente do Sindicato das Empresas Laticinistas de Mato Grosso do Sul, Edgar Rodrigues Pereira. Segundo ele, o produtor sai do período de grande safra sem bons resultados e perspectivas. “O período de estiagem, que afeta o campo em Dourados e a ameaça de frio demanda maiores investimentos e gastos na manutenção dos trabalhos. A produção cai bruscamente. Com pouco produto no mercado, os preços sobem. O produtor ganha e gasta mais”, explica, observando que os laticínios devem pagar cerca de 20% a mais para o produtor e repassar a alta para o consumidor final. Segundo Edgar, o setor não vem conseguindo avanços nas negociações com o governo do Estado. A categoria pleiteia uma redução para 0% o valor cobrado na alíquota. De acordo com a categoria, esta seria a solução para amenizar a crise, que se arrasta desde o ano passado motivada pela alta produção e pouca saída. “Baixas exportações e as crises internacionais estocaram mais de 1,5 milhões de litros de leite no Brasil”, conta, observando que o produtor deverá estar preparado para enfrentar a falta na produção.Por outro lado, o pecuarista Airton Stropa destaca que enquanto soluções maiores não acontecem, a distribuição de resfriadores de leite e perspectiva de instalação de uma fábrica de leite em pó no Estado são iniciativas importantes do governo para amenizar o problema a longo prazo. “Apesar da crise o setor terá novas possibilidades de comércio e saída”, complementa.Conforme o Sindicato das Empresas Laticinistas de MS, o preço médio pago ao produtor hoje no Estado é de R$ 0,55. Em Dourados, este valor varia em torno de R$ 0,45. De acordo com o pecuarista Pedro Tragueta, a estiagem, que já dura mais de 45 dias em Dourados resultou numa queda de cerca de 30% na produção do leite. Para ele, o produtor está pagando caro para manter os trabalhos no campo. “Além do tratamento no cocho, especial da época de estiagem, estou tendo que produzir dois litros de leite para pagar um quilo de ração animal”, compara, ressaltando que o preço mais barato da ração que utiliza custa em média R$ 0,70 o quilo. No comércio, o preço do litro do leite varia entre R$ 1,30 e R$ 1,40. De acordo com o comerciante Elizeu Martins, as expectativas são boas para os próximos dias. “Por enquanto o movimento está normal, porém com a chegada de temperaturas mais baixas, típicas desta época do ano, é possível contar com um aumento no consumo. Ainda não temos perspectivas de aumento nos valores a ser comercializados. Isto vai depender de quanto os laticínios vão cobrar nas próximas compras”, explica.CLIMAOs termômetros devem registrar baixa temperatura nos próximos dias em Dourados. Prognósticos da Embrapa Centro-Oeste indica que uma massa de ar fria deve chegar em quatro dias. A informação é baseada no Centro de Pesquisas de Tempo e Estudos Climáticos, que prevê ainda a possibilidade de pancadas de chuva no centro-leste do Estado a mudança no clima. Segundo a Embrapa não há previsão de precipitações para Dourados pelo menos para os próximos sete dias. O mês de abril registrou o maior período sem chuvas dos últimos 30 anos em Dourados. Desde o início deste mês também são registradas temperaturas mais altas que o normal. A temperatura média na primeira quinzena foi de 25,3°C, quase dois graus superior à média histórica deste mês, 23,4°C. A média das máximas foi 32,7°C, quase três graus acima da média histórica dos últimos 30 anos, de 30ºC. Em cinco dias, as temperaturas máximas superaram 33°C, atingindo 33,7°C no dia 15 de abril. A média das mínimas foi 18,9°C, meio grau acima da média histórica, de 18,4°C. Com informações do Dourados Agora
Fonte: Folha de Dourados



