Juliel Batista –
A pré-candidata a deputada federal pelo Progressistas, Keliana Fernandes, foi a entrevistada do FolhaCast, no especial Eleições 2026, da Folha de Dourados, em uma conversa que abordou os principais temas do cenário político nacional e de Mato Grosso do Sul.
Durante o podcast, ela falou sobre sua trajetória pessoal, suas propostas para uma eventual atuação no Congresso Nacional, além de apresentar posicionamentos sobre segurança pública, violência doméstica, economia, agronegócio, conflitos fundiários e o futuro da disputa presidencial.
Há alguns anos residindo em Campo Grande, a radialista e apresentadora Keliana Fernandes morou décadas em Dourados, onde, inclusive, disputou a prefeitura.
Na agenda, está previsto passar um bom tempo junto a um projeto assistencial que apoia desde que morava na cidade e também visita a amigos e órgãos de comunicação.
Ao longo da entrevista, Keliana também fez críticas ao atual cenário político brasileiro, ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a determinadas pautas sociais, além de defender mudanças na estrutura política do país.
Keliana Fernandes (Progressistas), afirmou que pretende apoiar Flávio Bolsonaro na disputa pela Presidência da República em 2026 e declarou que o senador é, na avaliação dela, o nome da direita capaz de derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração foi feita durante entrevista ao FolhaCast, no especial sobre as eleições de 2026.
“Flávio Bolsonaro até o fim, porque, no meu ponto de vista, é o único que pode derrubar o Lula. É o único que pode derrubar o sistema que está há 20 anos aí”, afirmou a pré-candidata. Segundo ela, o Brasil precisa de uma mudança de direção política e de “outro tipo de energia” na gestão pública.
Durante a entrevista, Keliana também fez críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e defendeu mudanças no sistema de escolha e atuação das instituições. Para ela, o Senado deveria exercer maior papel de fiscalização sobre a Corte. “Nós precisamos trazer de novo o Brasil para a segurança jurídica”, declarou, ao defender uma nova composição do Senado Federal.
Outro ponto polêmico da entrevista envolveu a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). Keliana criticou a atuação da parlamentar na presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados e afirmou que não se sente representada por ela. “Não representa boa parte das mulheres cristãs no Brasil”, declarou. A pré-candidata disse respeitar pessoas trans e afirmou que as trata da forma como preferem ser identificadas, negando ser transfóbica. No entanto, questionou o fato de Erika Hilton ocupar a presidência do colegiado, afirmando que a deputada “está ocupando um espaço que não é dela”.
Keliana também criticou a atuação parlamentar de Erika Hilton, citando o voto contrário ao projeto que aumenta a pena para estupradores, e declarou que, em sua avaliação, a deputada deveria priorizar pautas voltadas à proteção de mulheres e crianças. Ao final da fala, fez uma declaração de tom provocativo ao afirmar: “Agora, eu queria saber se ela veio de chocadeira”.
“Não representa boa parte das mulheres cristãs no Brasil”
A violência doméstica foi um dos principais temas da entrevista. Keliana relatou ter vivido um histórico de violência desde a infância e afirmou que pretende levar ao Congresso uma proposta voltada à prevenção da violência por meio da educação. “Eu tenho a solução de como a gente pode, a longo prazo, erradicar, sim, a violência doméstica”, afirmou. Segundo ela, a criação das crianças e a educação positiva seriam caminhos para enfrentar problemas como feminicídio, violência doméstica e outros conflitos sociais.
A pré-candidata também defendeu pautas ligadas à segurança pública, endurecimento de penas, revisão da progressão penal e maior investimento nas regiões de fronteira. Ao comentar Mato Grosso do Sul, destacou o papel do agronegócio, os desafios da segurança pública e a necessidade de diálogo entre diferentes setores da sociedade.

Assista a entrevista completa gravada no Studio Nexus 5.0:
FolhaCast – A Federação União Brasil Progressistas ainda não definiu apoio nacional para a disputa presidencial. Caso a federação libere seus integrantes para escolherem seus candidatos, qual será sua posição?
Keliana Fernandes – Eu não abro mão. Flávio Bolsonaro até o fim. No meu ponto de vista, ele é o único que pode derrubar o Lula. É o único que pode derrubar o sistema que está há 20 anos aí e que diz que protege, que ajuda o pobre, mas que, na minha visão, só deixa o pobre mais pobre.
Flávio Bolsonaro é o candidato da direita. Centro não é direita. Essa discussão que algumas pessoas fazem de dizer que são centro e direita, para mim, não faz sentido.
Flávio Bolsonaro até o fim. No meu ponto de vista, ele é o único que pode derrubar o Lula.
Você fala muito sobre valores familiares. Como você avalia o atual cenário brasileiro?
O projeto hoje não pode ser pessoal. Tem que ser um projeto de um Brasil melhor, de um Brasil com outro tipo de energia, voltado novamente para aquilo que é normal.
A família brasileira quer continuar com seus valores cristãos. Hoje, você defender a ideologia cristã evangélica muitas vezes virou motivo de chacota. Isso é um absurdo.
O Brasil é um Estado laico, mas isso não significa que as pessoas não possam acreditar em Deus ou defender seus valores.
“A família brasileira quer continuar com seus valores cristãos. Hoje, você defender a ideologia cristã evangélica muitas vezes virou motivo de chacota. Isso é um absurdo.”
Mato Grosso do Sul enfrenta dificuldades financeiras. Como um parlamentar poderia atuar nesse cenário?
Eu não estou dentro da Secretaria da Fazenda para afirmar detalhes sobre a dívida do Estado. Os dados que ouvimos muitas vezes são especulações. Mas vejo muito mais pontos positivos.
Temos um governador que é referência e que conseguiu tirar pessoas da extrema miséria, levando qualificação e emprego. O Estado tem praticamente pleno emprego, é referência no agronegócio e na sustentabilidade.
A questão financeira precisa ser analisada separadamente. O problema, na minha visão, não é simplesmente gastar mais, mas uma queda na arrecadação.
“A questão financeira precisa ser analisada separadamente. O problema, na minha visão, não é simplesmente gastar mais, mas uma queda na arrecadação.”
A reforma tributária é apontada como uma mudança importante para o país. Qual sua avaliação?
A reforma tributária era necessária, mas não da forma como foi feita, de maneira tão rápida. Precisamos entender os impactos.
Mato Grosso do Sul perdeu uma arrecadação importante com o gás que vinha da Bolívia e isso afetou muito o Estado. Por isso o governador buscou trazer novas indústrias e gerar riqueza.
“A reforma tributária era necessária, mas não da forma como foi feita, de maneira tão rápida. Precisamos entender os impactos.”
A segurança pública é uma das principais preocupações da população. Como pretende atuar nessa área?
Nós vivemos em uma região de fronteira, com grandes desafios. Tivemos cortes de investimentos na segurança pública e isso impacta diretamente.
Temos organizações criminosas atuando e precisamos fortalecer os Estados. Mato Grosso do Sul tem uma das maiores fronteiras secas do país e precisa de apoio federal.
“Tivemos cortes de investimentos na segurança pública e isso impacta diretamente.”
O Estado apresentou números preocupantes de violência contra a mulher. Qual seria sua proposta no Congresso?
O que estamos discutindo hoje é a criação das crianças. A raiz de muitos problemas está aí.
Eu vivi um ciclo de violência doméstica desde os 10 anos de idade, passei por uma tentativa de feminicídio e senti isso na pele. Por isso fui buscar conhecimento.
Eu tenho uma solução para, a longo prazo, combater a violência doméstica. Precisamos levar uma comunicação positiva para dentro das escolas e criar uma ponte entre o Ministério da Educação e outras áreas.
“Eu vivi um ciclo de violência doméstica desde os 10 anos de idade, passei por uma tentativa de feminicídio e senti isso na pele.”
Você defende mudanças no sistema penal?
Precisamos endurecer leis. Precisamos rever essas saidinhas e a progressão de pena para crimes violentos. Muitas mulheres morrem e muitas crianças sofrem novamente por causa dessas situações.
Você defende uma reforma no Judiciário?
Antes de uma reforma do Judiciário, precisamos fortalecer o Congresso Nacional. O Senado precisa cumprir o papel de freios e contrapesos.
Não estou falando da instituição STF, mas de alguns ministros que, na minha visão, estão prejudicando a imagem da instituição.
Precisamos recuperar a segurança jurídica no Brasil.
“Antes de uma reforma do Judiciário, precisamos fortalecer o Congresso Nacional. O Senado precisa cumprir o papel de freios e contrapesos.”
Você citou a representação feminina no Congresso. Como avalia esse debate?
Estamos perdendo espaço. Agora, quero falar com você, mulher. Estamos perdendo espaço para um movimento que entende que uma pessoa pode se identificar como mulher.
Tudo bem, quem se sente assim e se vê dessa forma merece respeito. Mas a maneira como a pauta da chamada ideologia de gênero está sendo apresentada, não apenas nas escolas, mas também impondo determinadas situações às mulheres, tem prejudicado muito a família. E isso afeta diretamente as mulheres.
Do jeito que está, daqui a alguns dias — meu marido até brinca com isso — não teremos mais Dia das Mães nem Dia da Mulher. Isso porque existe um deputado federal, em Brasília, que ocupa a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, representando todas nós, mulheres. A mim, porém, não representa, nem representa boa parte das mulheres cristãs do Brasil. Na minha visão, ele está ocupando um espaço que não lhe pertence. Ele pode e deve buscar um espaço de representação das pessoas trans, e terá todo o meu apoio se fizer isso.
O que não considero correto é que, quando alguém discorda do que ele pensa, essa pessoa seja chamada de “pessoa que gesta”, “cadela” ou “imbecil”. Muitas pessoas me perguntam se sou transfóbica porque não utilizo os pronomes femininos para me referir a ele. Não, eu não sou transfóbica. Chamo a Ioiôpanda e outras pessoas trans da forma como elas se sentem mais confortáveis. Faço o mesmo com pessoas homossexuais. Eu respeito as pessoas.
O que eu não respeito é, segundo a minha visão, a postura do deputado Erika Hilton, por entender que ele não respeita as mães nem as mulheres. Na minha avaliação, já que ocupa aquela cadeira, poderia atuar na proteção das mulheres e das crianças, por exemplo, votando a favor do aumento da pena para estupradores. No entanto, ele votou contra. Para mim, isso não é uma questão de transfobia, mas de falta de respeito. É esse o motivo da minha posição. Agora, eu queria saber se ele veio de uma chocadeira.
“O que eu não respeito é, segundo a minha visão, a postura do deputado Erika Hilton, por entender que ele não respeita as mães nem as mulheres.”
Mato Grosso do Sul possui conflitos envolvendo indígenas, produtores rurais e movimentos sociais. Como conciliar esses interesses?
O grande problema hoje é que as pessoas não sabem conversar. O principal pilar da comunicação é a escuta.
Quando você escuta todos os lados, consegue entender as dores de cada grupo. Eu quero ouvir indígenas, movimentos sociais, produtores rurais e todos os setores.
Um deputado federal não representa apenas uma cidade ou um Estado, ele legisla para o país inteiro.
“Quando você escuta todos os lados, consegue entender as dores de cada grupo.”
Você defende mudanças na política brasileira?
Eu acredito que deputado federal deveria ter dois mandatos. Não podemos transformar política em profissão.
É preciso tempo para aprovar projetos, mas também é necessário renovação. Depois disso, a pessoa pode seguir outro caminho.
“Eu acredito que deputado federal deveria ter dois mandatos. Não podemos transformar política em profissão.”
Qual mensagem você deixa para quem acompanha sua pré-candidatura?
A família brasileira busca mudança. O pai e a mãe querem segurança para os filhos. A mulher quer ser valorizada e o trabalhador quer ver o resultado do seu esforço.
Precisamos refletir sobre o futuro do Brasil e fazer escolhas que protejam a família e tragam prosperidade.
“Precisamos refletir sobre o futuro do Brasil e fazer escolhas que protejam a família e tragam prosperidade.”






