Por mês, 15 empregados denunciam assédio moral em Campo Grande
Estado – 08/08/2009
Aqui em Campo Grande a cada mês entre 12 a 15 pessoas revelam ter sofrido casos de assédio moral no trabalho, informou a Superintendência Regional do Trabalho em Mato Grosso do Sul. No último caso, apurado a partir da manhã desta sexta-feira, um rapaz de 19 anos, empregado de uma das maiores redes de frigoríficos do Estado, contou que ele e pelo menos outros dois mil funcionários são obrigados a tirar a roupa no início e no final das jornadas de trabalho.
Assédio moral é tido como crime, pode forçar o agressor a pagar indenização à vítima e, em alguns casos, o denunciado pode ser punido com detenção de um a dois anos.
Ano passado, uma mulher daqui da cidade denunciou o patrão dela e recebera R$ 50 mil, disse a auditora fiscal do trabalho, Noêmia Sales de Souza, que também cuida do Núcleo de Promoção de Igualdade e Combate à Discriminação no Trabalho e Emprego. Casos resolvidos judicialmente correm em segredo.
A auditora disse que o trabalhador confidenciou a ela que “todos os dias” os empregados tanto os homens quanto às mulheres do frigorífico ficam apenas vestidos com roupas íntimas num cômodo da empresa. Ali, eles exibem o corpo de frente, lado e costas e a cena é espiada pelos vigilantes, interessados em ver se alguém leva pertences da empresa, segundo versão do rapaz.
Noêmia informou que a fiscalização narrada conforme a versão do rapaz pode ser tratada como violência moral. Numa cartilha produzida pelo Ministério do Trabalho e Emprego, diz-se que o crime moral “visa humilhar, desqualificar e desestabilizar emocionalmente a relação da vítima com a organização e o ambiente de trabalho, o que põe em risco a saúde, a própria vida da vítima e seu emprego”.
A prática do assédio moral é assim também descrita: exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções. Se um trabalhador é chamado de “burro” ou o empregador passa ele uma tarefa de solução impossível, isto é uma das características do assédio moral.
No caso do rapaz do frigorífico, ele prestou depoimento à auditora, mas ainda não formalizou a denúncia. Disse que faria isto nos próximos dias. “Ele ficou amedrontado com a presença da imprensa”, disse Noêmia.
A auditora informou ainda que as principais vítimas de assédio moral são as trabalhadoras grávidas. “Em muitos casaos, as mulheres sofrem este tipo de crime assim que noticiam que estão gestantes. É um meio de pressioná-las a sair da empresa e isso é um crime”.
Assédio sexual
A Superintendência Regional do Trabalho de MS informou que numa escala parecida a das denúncias de crimes morais, aparecem por lá os históricos de assédios sexuais. “Antes o número era é bem maior, agora tem diminuido”, disse Noêmia, há 28 anos exercendo a função de auditora trabalhista.
O Midiamax obte cópia de dois casos. O nome das vítimas e das empresas envolvidas foram omitidas por orientação da auditora.
Num dos casos, registrados em setembro do ano passado, um grupo de operárias de uma fábrica de Campo Grande denunciaram o encarregado da empresa.
Elas disseram que homem teria comprado um pênis de borracha e andava com objeto na mão “passando pela boca e o corpo das mulheres”.
Além disso, o encarregado pedia aos empregados da fábrica para se sentarem numa almofada com o desenho de um pênis.
O denunciado negou as investidas e o caso é tratado judicialmente. A almofoda com o desenho erótico fora anexada ao processo. Alessandra Carvalho
Trabalhadores assediados moralmente tem recorrido ao MTE com mais frequência
Já um caso registrado em maio deste ano, uma mulher, casada, denunciou o patrão que queria “fazer sexo com a mesma em virtude da esposa não mais poder ter relações com ele”. Ele fazia elogios a beleza da mulher e ainda insistia num encontro após o expediente. O empregador negou a denúncia e este caso também é tratado na Justiça.
Fonte: MidiaMaxnews



